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Evento reforça disputas sobre IA, política educacional e equidade
e amplia a presença estratégica de educadores brasileiros

A Bett UK 2026 confirmou-se como um espaço onde decisões educacionais globais são debatidas, tensionadas e, em muitos casos, antecipadas. Mais do que uma vitrine de soluções tecnológicas, o evento reuniu governos, organismos multilaterais, lideranças escolares e empresas para discutir os rumos da educação em um cenário marcado por transformações digitais aceleradas, disputas regulatórias e desafios crescentes de equidade. O evento aconteceu entre os dias 21 e 23 de janeiro, em sua tradicional casa, o Excel London.

Nesse contexto, a presença de educadores brasileiros ganhou relevância inédita. A cada edição, as delegações do país aumentam, acompanhando não apenas a expansão da feira, mas também a necessidade de compreender como debates da educação global sobre inteligência artificial, currículo, bem-estar e políticas públicas impactam diretamente os sistemas educacionais nacionais. Em 2026, essa participação se mostrou mais estruturada, estratégica e conectada às agendas centrais do evento.

Um marco desse movimento foi a estreia do primeiro estande totalmente brasileiro na Bett UK. Liderado pelo Edify Education, o espaço funcionou como ponto de encontro e articulação, reunindo educadores, especialistas e parceiros para refletir sobre os temas que atravessaram a programação oficial da feira. Ao receber palestrantes e promover conversas qualificadas, o estande sinalizou uma mudança de posição: do acompanhamento passivo para a leitura ativa do cenário global.

A própria abertura da Bett UK 2026 reforçou essa leitura sistêmica. Após uma dinâmica interativa que mobilizou o público, a organização apresentou sua visão de futuro ao anunciar a expansão internacional do evento, com a confirmação da Bett USA, marcada para novembro de 2027, em Nashville. A mensagem foi clara: a Bett busca consolidar-se como um hub permanente de decisões educacionais, conectando política pública, mercado e prática pedagógica ao longo do ano.

O tom político se aprofundou com o discurso da secretária de Educação do Reino Unido, Bridget Phillipson, que posicionou a inteligência artificial como uma das maiores inflexões da educação contemporânea. Ao mesmo tempo em que defendeu sua adoção em escala, destacou a necessidade de salvaguardas éticas, segurança digital e centralidade do trabalho docente. Desde o primeiro dia, ficou evidente que a Bett UK 2026 não discutia apenas inovação, mas escolhas estruturais que impactam escolas, professores e estudantes em diferentes países — inclusive no Brasil.

Participação brasileira ganha densidade na Bett UK 2026

A presença crescente de educadores brasileiros na Bett UK 2026 sinalizou uma mudança qualitativa na forma como o país se insere no debate educacional internacional. Ao acompanhar lançamentos e tendências, integrantes da Missão UK circularam pelo evento com uma agenda clara de observação, leitura crítica e conexão entre políticas globais e desafios estruturais da educação brasileira.

Esse movimento ganhou expressão concreta com a instalação do primeiro estande totalmente brasileiro na história do evento britânico. Conduzido pelo Edify, o espaço operou como ponto de convergência para educadores do país. Favoreceu encontros, trocas de impressões e análises coletivas sobre os debates que atravessaram a programação oficial da feira.

A programação do estande também reforçou um eixo recorrente da Bett UK 2026: a busca por inovação ancorada em propósito educacional. Ao abordar robótica sustentável e cultura maker, a educadora Débora Garofalo trouxe para o centro do debate a necessidade de equilibrar tecnologia, ética e aprendizagem significativa. “As edtechs estão integrando inteligência artificial aos debates sobre ética e fator humano, mas ainda sentimos falta de propostas verdadeiramente mão na massa”, observou.

Ao comentar a presença de soluções como Arduino e simuladores educacionais, Débora destacou o potencial da integração entre robótica, inteligência artificial e aprendizagem ativa, desde que ancorada em experiências pedagógicas consistentes. A análise dialoga com um dos dilemas centrais do evento: como evitar que a inovação tecnológica permaneça no campo do discurso e se traduza, de fato, em práticas acessíveis e transformadoras no cotidiano das escolas.

Nesse sentido, a participação brasileira na Bett UK 2026 não se limitou à visibilidade institucional. Ao ocupar um espaço próprio dentro do evento, educadores brasileiros passaram a construir uma leitura coletiva da feira, conectando discursos institucionais, soluções tecnológicas e políticas públicas às realidades educacionais do país. A experiência reforçou o papel das missões educacionais organizadas como espaços de leitura, diálogo e discernimento — essenciais para transformar referências globais em decisões pedagógicas sustentáveis no contexto brasileiro.

Grandes marcas redefinem a tecnologia educacional

Ao circular pelos estandes e acompanhar apresentações privadas durante a Bett UK 2026, o educador21 observou um movimento convergente entre grandes fabricantes de tecnologia: a tecnologia educacional deixa de ser tratada como inovação pontual e passa a ser apresentada como infraestrutura essencial para os sistemas de ensino.

Acer, Dell e Lenovo convergiram em um discurso centrado menos em especificações técnicas isoladas e mais em critérios como durabilidade, gestão em larga escala, facilidade de reparo e redução do custo total de propriedade. A ênfase recaiu sobre dispositivos pensados para ciclos longos de uso, com padrões militares de resistência, componentes substituíveis e baterias projetadas para jornadas escolares integrais — uma resposta direta às pressões orçamentárias enfrentadas por redes públicas e privadas em diferentes países.

A integração da inteligência artificial apareceu de forma transversal, mas com uma inflexão relevante. Em vez de promessas genéricas de personalização, as marcas apresentaram a IA como parte de ecossistemas controláveis, associados à segurança de dados, à administração centralizada e ao apoio ao trabalho docente. Soluções baseadas em ChromeOS, gestão remota e ambientes simulados indicam uma tentativa de equilibrar inovação tecnológica com governança institucional e responsabilidade pedagógica.

Samsung reforçou essa leitura ao estruturar sua presença em torno da ideia de ecossistemas conectados, nos quais dispositivos móveis, computação, telas interativas e experiências imersivas operam de forma integrada. Mais do que demonstrar produtos, a marca apostou em cenários de uso reais, evidenciando uma tendência clara da Bett UK 2026: a tecnologia educacional passa a ser avaliada não pelo impacto isolado, mas pela sua capacidade de sustentar práticas pedagógicas, gestão escolar e políticas educacionais em escala.

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