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A neuropedagoga Mara Duarte afirma que os educadores precisam estar preparados para enfrentar desafios e criar oportunidades para todas as crianças

Há uma estimativa que entre 15 e 20% da população mundial seja neurodivergente – termo que se refere aos indivíduos cujos cérebros funcionam de maneira diferente da norma neurotípica. No Brasil, o IBGE pesquisa a neurodivergência junto a outras deficiências, totalizando, segundo dados de julho/2023 (PNAD), um total de 18,9 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência.

É preciso, diante desse quadro, ressaltar a importância da capacitação do educadores quando se trata de identificar e lidar com alunos neurodivergentes. Para Mara Duarte, neuropedagoga e gestora da Rhema Neuroeducação, os educadores precisam estar preparados para saber lidar com as particularidades de cada aluno.

“O profissional deve encontrar formas que viabilizem a experiência pedagógica e social do aluno, e só é possível fazer isso de forma prática sabendo identificar e lidar positivamente com as neurodivergências”, disse a especialista.

Mara afirmou, ainda, que os professores que desejam trabalhar bem o processo de inclusão em sala de aula devem investir em formação profissional para poder oferecer o melhor aos alunos.

“A capacitação adequada dos professores ajuda a proporcionar uma experiência produtiva para ambos os lados. Afinal, se um lado aproveita para aprender com as estratégias mais adequadas, o outro pode impulsionar o trabalho com todas as práticas disponíveis”, explicou a neuropedagoga, psicopedagoga, diretora-geral da Fatec e diretora pedagógica e executiva do Grupo Rhema Neuroeducação.

Entendendo melhor o que é neurodiversidade

Neurodiversidade é um termo que identifica variações naturais no cérebro humano de cada indivíduo em relação a sociabilidade, aprendizagem, atenção, ao humor e outras funções cognitivas. O termo foi criado em 1998 pela socióloga Judy Singer que, juntamente com o jornalista Harvey Blume, popularizou o conceito.

A neurodiversidade adota o modelo social da deficiência, no qual as barreiras sociais são o principal fator que restringem as pessoas com deficiência. Algumas das condições neurodivergentes mais conhecidas são:

  • Transtorno do Espectro Autista (TEA) — condição neurológica caracterizada ue se caracteriza pelas dificuldades na comunicação e interação social e, muitas vezes, acompanhada pela presença de comportamentos restritos e repetitivos;
  • Transtorno do Espectro Obsessivo-Compulsivo (TEOC) — condição neurológica que causa pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos repetitivos.
  • Dispraxia – transtorno neurológico de coordenação motora que envolve dificuldade em pensar e movimento planejado, segundo associação de especialistas no tema;
  • Dislexia – transtorno de aprendizagem que dificulta leitura e escrita;
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) Transtorno neurobiológico que também pode ser chamado de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção);
  • Síndrome de Tourette – transtorno que envolve movimentos repetitivos incontroláveis ou sons indesejados/tiques, como piscar repetidamente os olhos, encolher os ombros ou deixar escapar palavras ofensivas).

Da mesma forma que pessoas neurodivergentes podem enfrentar desafios e dificuldades em áreas como comunicação, socialização, organização e regulação emocional, essas diferenças também podem trazer habilidades e perspectivas únicas, como criatividade, atenção aos detalhes, pensamento lógico e visão de mundo diferente.

Como lidar com a neurodiversidade na escola

Para se aprofundar no assunto e entender mais sobre a inclusão de pessoas neurodivergentes, o TED de Elisabeth Wiklander – premiada violoncelista sueca da London Philharmonic Orchestra e embaixadora da Neurodiversity Advocate & Leaders (NAS) – explica como encarar a neurodiversidade como uma abertura a maiores de possibilidades muda a nossa visão de mundo. Há legendas em português disponíveis, caso necessário.

A inclusão de alunos neurodivergentes exige adaptação curricular, práticas pedagógicas diferenciadas e recursos que possibilitem a participação e o desenvolvimento individual de cada um. No caso de inclusão do aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA), por exemplo, a gestora da Rhema Neuroeducação enfatiza que a formação dos professores têm uma relação bem próxima.

“Isso acontece a partir do momento em que o aproveitamento escolar das crianças com autismo depende diretamente do domínio dos educadores. Além disso, nada melhor que impulsionar o desempenho pedagógico dos pequenos com estratégias pontuais”, afirmou Mara.

Outro exemplo está relacionado a crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) que, segundo Mara, precisam de estratégias específicas para obter um melhor desempenho no contexto escolar. “Quando o professor sabe usar os métodos certos é possível melhorar a capacidade atencional e diminuir os prejuízos que os comportamentos hiperativos causam. Por consequência, será mais fácil para a criança aprender o conteúdo ensinado”, exemplificou.

Mara também ressaltou outra necessidade de capacitação, que é a de todo professor aprender libras. “Libras é essencial para garantir uma educação inclusiva e acessível para todos os alunos. Quando os professores aprendem, eles se capacitam para se comunicar efetivamente com alunos surdos, garantindo que esses alunos tenham acesso pleno ao conteúdo escolar e possam participar ativamente das atividades em sala de aula”, disse a especialista.

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