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Itaú Cultural promove formação para educadores a partir da trajetória da atriz e diretora Helena Ignez e da história do cinema brasileiro

O cinema pode ocupar a educação como linguagem artística, objeto de análise e forma de criação. É a partir dessa perspectiva que o Itaú Cultural dedica a próxima edição do Encontro com Professores à trajetória da atriz, diretora e roteirista Helena Ignez. A programação propõe aproximar educadores, estudantes e profissionais da cultura de uma produção marcada pela experimentação e discutir possibilidades de trabalhar o audiovisual brasileiro em espaços educativos.

Realizado nos dias 29 de setembro e 1º de outubro, o encontro integra a programação da Ocupação Helena Ignez, 74ª edição da série do Itaú Cultural, em cartaz até 18 de outubro. A formação terá uma etapa virtual e outra presencial, combinando visita à exposição, exibição de um curta-metragem e conversa sobre a obra da artista e suas possibilidades de abordagem na educação.

A escolha de Helena Ignez permite ampliar a discussão para além da trajetória individual da artista. Com mais de 60 anos de carreira, ela participou de movimentos importantes do cinema brasileiro e construiu uma produção atravessada pela atuação, direção e roteiro. Sua trajetória também desafia modelos convencionais de produção e circulação audiovisual, abrindo espaço para discutir diferentes formas de criação.

Na programação, esse percurso se encontra com a formação de professores. A proposta é utilizar a obra da artista como ponto de partida para refletir sobre o audiovisual nacional e sobre práticas que podem ser desenvolvidas em salas de aula e outros espaços educativos.

Cinema como linguagem de aprendizagem

A etapa presencial terá a participação de Lucas Nascimento, artista e professor, mestrando em Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e licenciado em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Professor de Artes Cênicas da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro, ele participa desde 2021 do Kumã – Laboratório de Experimentação em Imagem e Som, da UFF.

A trajetória de Nascimento aproxima a discussão sobre cinema das experiências pedagógicas. Além de atuar em teatro, cinema e televisão, ele pesquisa a experimentação audiovisual na educação por meio de dispositivos acessíveis. Em 2023, estreou o experimento audiovisual Cinzas e também integra a Companhia Volante, dedicada a pesquisas em teatro de intervenção urbana e videoperformance.

O professor é responsável ainda pelo Caderno do professor – jogos de cinema: lugares, memórias e narrativas, desenvolvido em parceria com o Itaú Cultural. A publicação integra o conjunto de iniciativas que buscam aproximar a linguagem cinematográfica das práticas de educação.

A discussão proposta pelo encontro parte, portanto, de uma questão que ultrapassa a utilização do filme como recurso didático. Trabalhar com audiovisual pode envolver leitura de imagens, construção de narrativas, análise de contextos históricos e culturais e produção autoral. O contato com diferentes formas de cinema também permite discutir quem produz imagens, quais histórias são contadas e como essas escolhas interferem na maneira de perceber o mundo.

A trajetória de Helena Ignez oferece um repertório particularmente amplo para esse debate. Sua participação no cinema brasileiro atravessa diferentes momentos e linguagens, permitindo apresentar aos educadores uma produção que não se limita aos formatos comerciais mais conhecidos.

Exposição amplia repertório sobre Helena Ignez

A Ocupação Helena Ignez reúne fotografias, documentos e trechos de filmes para apresentar diferentes momentos da trajetória da artista. A exposição permanece aberta no Itaú Cultural até 18 de outubro e integra o percurso formativo do encontro.

A instituição também preparou uma retrospectiva na plataforma Itaú Cultural Play, com 22 longas-metragens dirigidos, protagonizados ou diretamente relacionados à atriz e cineasta. O conjunto amplia o acesso à produção de Helena e oferece aos participantes outras possibilidades de contato com sua obra.

A visita à exposição, nesse contexto, não funciona apenas como complemento cultural da atividade. O encontro propõe utilizar os materiais e a trajetória apresentados na mostra como referências para pensar maneiras de levar o audiovisual aos processos educativos.

A primeira etapa ocorre virtualmente em 29 de setembro, terça-feira, das 10h às 11h. A atividade é gratuita, tem 200 vagas e pode receber participantes de qualquer região do país. A inscrição deve ser feita previamente pela página disponibilizada pelo Itaú Cultural.

Já o encontro presencial acontece em 1º de outubro, quinta-feira, das 19h às 21h, no auditório do Itaú Cultural. Além da visita à exposição, a programação inclui a sessão de um curta-metragem estrelado por Helena Ignez e a conversa com Lucas Nascimento. São 30 vagas, também mediante inscrição prévia.

As duas atividades contam com acessibilidade em Libras. Ao aproximar a trajetória de uma artista fundamental do cinema brasileiro de uma discussão sobre práticas educativas, o Encontro com Professores coloca o audiovisual no centro de uma experiência que articula formação docente, fruição cultural e produção de conhecimento.

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