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Os desafios da Educação Infantil em 2026 envolvem tecnologia,
socioemocional, parceria com as famílias e práticas mais humanizadas

Maria Clara Alves*

A Educação Infantil é a base sobre a qual todo o processo de aprendizagem se sustenta. É nesse período, do nascimento aos 5 anos, que a criança desenvolve habilidades cognitivas, socioemocionais, motoras e de linguagem que irão influenciar toda a sua trajetória escolar e de vida. No entanto, o cenário atual apresenta desafios inéditos e complexos, exigindo de escolas, professores e famílias uma reinvenção constante.

As novas gerações chegam à escola já habituadas a interações digitais. Tablets, celulares e aplicativos fazem parte do seu cotidiano desde muito cedo. Embora essa familiaridade possa facilitar algumas aprendizagens, ela também traz riscos: menor tolerância à espera, necessidade constante de estímulos rápidos, dificuldade de concentração e, em alguns casos, atraso no desenvolvimento de habilidades motoras finas e na linguagem oral. O desafio para os educadores é equilibrar o uso das tecnologias como ferramenta pedagógica sem que elas substituam experiências concretas e interações presenciais que são essenciais nessa fase.

Vivemos um momento de transição, no qual a integração das tecnologias à Educação Infantil ainda gera debates. Há escolas que optam por inseri-las de forma gradual e intencional, como recursos de apoio às experiências presenciais. Outras preferem limitar ou até proibir o uso de dispositivos, priorizando vivências manuais, sensoriais e coletivas. O consenso é que, nessa faixa etária, o contato com o mundo real, o brincar e a interação humana são insubstituíveis. Dessa maneira, as tecnologias podem, sim, ser integradas no dia a dia das crianças na Educação Infantil, mas somente em atividades que tenham uma intencionalidade pedagógica consistente e não como forma de somente ocupar a rotina deles. Ao invés de passar um filme para as crianças como um momento de lazer, por exemplo, é muito mais benéfico criar atividades ao ar livre, com contato com outros materiais e conexões reais.

Além disso, o professor da Educação Infantil hoje precisa lidar com turmas mais heterogêneas, crianças com diferentes repertórios culturais e emocionais, além de expectativas cada vez maiores das famílias. Entre os principais obstáculos estão a necessidade de adaptar atividades para diferentes níveis de desenvolvimento dentro da mesma turma, manter o engajamento em um mundo repleto de estímulos digitais e lidar com questões socioemocionais mais complexas, como ansiedade e insegurança, presentes cada vez mais cedo.

Outro ponto é que a parceria entre escola e família nunca foi tão importante. Os pais são os primeiros educadores e influenciam diretamente no desenvolvimento emocional e social dos pequenos. Cabe a eles estabelecerem limites claros, incentivar brincadeiras criativas, estimular uma boa relação do seu filho com os demais colegas, participar das atividades propostas pela escola e manter um canal de diálogo constante com os professores. Essa colaboração fortalece a criança, oferecendo-lhe segurança e coerência na educação. Além disso, é importante que a família, além de participar ativamente da vida escolar da criança, confie na escola, nos profissionais envolvidos e em todo o processo. Dessa maneira, com família e escola andando de mãos dadas, quem ganha é a criança.

Nos próximos anos, é possível que a Educação Infantil avance para um modelo mais híbrido, não no sentido de aulas online, mas na combinação equilibrada entre recursos tecnológicos e experiências presenciais ricas em movimento, exploração e afeto, como já é presente nos demais segmentos, de maneira geral. Espera-se também um fortalecimento das práticas socioemocionais, com atenção ao bem-estar da criança como condição para a aprendizagem, algo que não era priorizado antigamente. Além disso, temas como sustentabilidade, diversidade e cidadania digital tendem a ganhar mais espaço desde os primeiros anos escolares.

A Educação Infantil enfrenta, portanto, o desafio de se reinventar sem perder sua essência: ser um espaço de descobertas, vínculos e aprendizagens significativas. E, para que isso aconteça, será preciso manter viva a tríade fundamental: criança, escola e família trabalhando em sintonia para preparar as novas gerações para um futuro mais humano, consciente e equilibrado.

***Coordenadora de Ensino Infantil e Fundamental – Anos Iniciais da rede de escolas **Anglo Alante

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