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Artigo especial de Bernardo Paiva analisa como experiências na Bett UK revelam a mudança de mentalidade que já redefine currículo, ensino e aprendizagem

Bernardo Paiva*

A educação mudou. Mas muitos ainda caminham vendados. Estamos vivendo uma profunda transformação na educação. No entanto, ainda há pais, professores e gestores escolares tentando enxergar o futuro com os olhos do passado.

A Bett UK, maior evento de educação do mundo, escancarou essa realidade: a sociedade já mudou, os estudantes já mudaram, a tecnologia já se tornou parte do cotidiano, mas a grande pergunta que permanece é se nossas decisões educacionais estão acompanhando essa mudança com consciência, valores e intencionalidade pedagógica.

Foi nesse contexto que o Edify participou da Bett UK, não apenas como expositor, mas como protagonista de uma experiência educacional brasileira no centro do debate global. Chegamos a Londres não apenas como expositor, mas como representante de um novo momento da educação brasileira: inovadora, tecnológica, baseada em dados e conectada às melhores práticas globais.

As visitas de campo realizadas pela delegação Edify revelaram, na prática, como a educação já vem sendo transformada em diferentes níveis de ensino. Mais do que tecnologias ou metodologias isoladas, o que se viu foi uma mudança profunda de mentalidade: menos foco em conteúdo e mais foco no desenvolvimento do indivíduo.

Na International School of London (ISL), uma escola regular K-12, o primeiro impacto foi visual. Não havia salas organizadas em fileiras de carteiras voltadas para um professor transmissor de conhecimento. A sala de aula se dividia em diferentes ambientes de aprendizagem, onde os alunos trabalhavam em pequenos grupos, de forma colaborativa e autônoma.

O papel do professor também se mostrava diferente: muito mais como facilitador e mediador do processo do que como fonte única de informação. Os alunos eram constantemente desafiados a resolver problemas, buscar respostas, organizar seu tempo e assumir responsabilidade pelo próprio aprendizado.

Essa lógica revela uma mudança essencial: a prioridade não está apenas no conteúdo, mas no desenvolvimento de habilidades de vida como autonomia, colaboração, comunicação, pensamento crítico e responsabilidade. Habilidades que acompanharão esses alunos muito além da escola.

Na tradicional Bede’s School, uma boarding school localizada em Sussex, próxima a Londres, a formação vai muito além das disciplinas curriculares.

Os estudantes vivenciam um currículo amplo, que inclui atividades artísticas, esportivas e socioemocionais. Um dos exemplos mais marcantes foi a aula de drama, onde os alunos aprendiam a se expressar, comunicar emoções e desenvolver sua presença, competências fundamentais para qualquer área da vida profissional e pessoal.

Outro aspecto simbólico dessa cultura educacional é o início do dia. Antes das aulas começarem, os alunos participam de um momento de preparação com um monitor da escola. Um verdadeiro “aquecimento” para a aprendizagem, no qual discutem a programação do dia, organizam-se emocionalmente e academicamente e se preparam para o desafio de aprender.

Esse ritual simples revela uma concepção poderosa: aprender não é apenas acumular informação, mas preparar o corpo, a mente e as emoções para o processo educativo.

No ensino superior, a visita ao Institute of Contemporary Music Performance (ICMP) trouxe um terceiro insight fundamental: a educação conectada ao propósito e à geração de valor para a sociedade.

Mais do que formar músicos, cantores ou compositores tecnicamente competentes, a instituição ensina seus alunos a conectar seus talentos artísticos com propósito de vida, impacto social e sustentabilidade profissional.

Os estudantes aprendem como transformar suas habilidades em projetos reais, como gerar valor para a comunidade, como atuar dentro da indústria da música e como construir uma trajetória que una realização pessoal, contribuição social e viabilidade econômica.

Não se trata apenas de formar bons profissionais, mas cidadãos capazes de usar seus talentos para impactar positivamente o mundo ao seu redor.

Volto de Londres com a mala cheia de ideias, conexões fortes e a certeza que o Edify está liderando o processo de evolução da educação no Brasil. O que vimos em campo na Inglaterra já faz parte da nossa abordagem, já está presente em nosso currículo e o mais importante, já está sendo praticado nas salas de aula das nossas escolas parceiras.

***CoCEO do **Edify

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