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Milena Kendrick Fiuza Villani destaca neste artigo que, com escuta ativa, empatia e estratégias adaptadas, a educação humanizada promove inclusão real

Milena Kendrick Fiuza Villani*

A educação moderna enfrenta um cenário delicado, em que o debate se concentra fortemente em torno dos referenciais tecnológicos modernos, como a influência de redes sociais, o uso de celulares no dia a dia dos alunos ou, até mesmo, o avanço repentino da inteligência artificial no cotidiano. Muito embora essas sejam temáticas realmente consideráveis, um outro tema muito mais humano e afetivo tem ganhado frente dentro da gestão escolar: como incluir todos os alunos sem, inadvertidamente, criar divisões. Em tempos de diversidade crescente, o conceito do ensino humanizado se mostra essencial para acolher diferentes perfis de aprendizagem e promover uma escola verdadeiramente inclusiva. dentro desse contexto, o papel do professor é decisivo.

A Humanização do Ensino efetivada pela educação integral é uma abordagem educacional que prioriza o ser humano em sua totalidade, considerando não apenas o aspecto cognitivo, mas as dimensões emocionais, sociais e culturais de cada aluno. A metodologia busca criar um ambiente de aprendizado que valoriza a individualidade e a singularidade dos estudantes, promovendo uma relação mais próxima entre educadores e educandos. O conceito se fundamenta na crença de que a educação deve ser um processo de desenvolvimento pleno, em que o respeito e a empatia são pilares à construção do conhecimento.

Nessa concepção, a empatia e a escuta ativa assumem papéis de protagonismo. O professor que escuta com atenção e se coloca no lugar do aluno se torna capaz de identificar dificuldades acadêmicas ou barreiras emocionais que podem estar interferindo na aprendizagem. Do mesmo modo, a escuta qualificada, aliada também ao diálogo constante, ajuda na criação de vínculos de confiança que favorecem o desenvolvimento pleno de todos os estudantes.

Outro ponto central na prática é a adaptação das metodologias às diferentes formas de aprender. Nem todos os alunos constroem conhecimento da mesma maneira ou no mesmo ritmo, e por isso é indispensável que o professor diversifique estratégias, respeitando estilos e ritmos distintos. O uso de recursos visuais, tecnológicos, atividades práticas, jogos e momentos de reflexão coletiva são caminhos interessantes e podem ser explorados para alcançar esse objetivo

Aqui, ressalto um ponto em que é preciso cautela. Em muitos casos, ao tentar incluir, educadores podem acabar gerando o efeito contrário, resultando em exclusões involuntárias. Destacar excessivamente as necessidades específicas ou separá-lo constantemente do grupo pode reforçar a diferença de forma negativa. O ideal é construir atividades integradas, onde as adaptações estejam inseridas no fluxo da aula, de modo que a diversidade seja acolhida de forma natural e respeitosa.

Promover um ambiente seguro e receptivo à diversidade exige mais do que boas intenções. É necessário criar um clima em que todos os alunos se sintam valorizados, sem medo de expressar opiniões ou identidades. Incentivar o respeito mútuo, trabalhar temas ligados à convivência e à cidadania, e valorizar diferentes trajetórias de vida são atitudes que fortalecem a coesão do grupo.

Existem muitos exemplos práticos que comprovam o impacto positivo da inclusão consciente. Professores que alternam as lideranças em sala de aula, que distribuem tarefas considerando diferentes talentos e que mantêm o diálogo aberto com as famílias conseguem resultados mais expressivos em termos de engajamento e desenvolvimento dos alunos.

Humanizar o ensino é reconhecer que cada aluno é único e deve ser respeitado em sua trajetória. ‘Uma escola para todos começa com um olhar para cada um’—quando a educação inclusiva se baseia na empatia, na escuta e na adaptação consciente, a sala de aula se transforma em um espaço de pertencimento. A diversidade, então, deixa de ser um desafio e se torna uma riqueza compartilhada, fortalecendo o aprendizado e a conexão entre alunos, professores e comunidade.

*Diretora Pedagógica do Sistema Positivo

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