Essa conclusão veio de um levantamento feito pela FTD Educação, que mostra como a educação inclusiva ainda desafia educadores
O número de matrículas da educação especial no Brasil chegou a 1,3 milhão. Um aumento de 26,7% em relação a 2017, de acordo com dados do Censo Escolar da Educação Básica 2021, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Ano após ano, o índice referente aos estudantes com deficiência, transtornos do espectro autista ou altas habilidades matriculados em classes comuns tem aumentado.
Diante desse cenário, compreender e atuar na perspectiva inclusiva é um desafio para os educadores e um tema que deve ser tratado com urgência. É o que aponta pesquisa desenvolvida pela FTD Educação, uma das maiores empresas de soluções educacionais do país. O levantamento feito com centenas de educadores parceiros da empresa em todo Brasil mostra que o tema “Inclusão” está entre os três assuntos mais urgentes para 2023 na pauta dos professores, com 64,7% das menções.
Os outros dois assuntos mais mencionados foram “Práticas pedagógicas”, indicado por 89,5% dos respondentes, e “Questões Socioemocionais” com foco nos professores e nos estudantes — com 77,3% e 75,5% das indicações, respectivamente.
A pesquisa foi realizada entre os dias 31 de outubro e 7 de novembro de 2022. Ouviu 335 respondentes, entre diretores (33,7%), coordenadores (51,3%), professores (10,1%) e outros profissionais da educação (4,8%). A ferramenta de escuta acessou todas as regiões do território nacional, sendo Norte (9,6%), Nordeste (24,8%), Centro-Oeste (11,3%), Sudeste (32,5%) e Sul (21,8%).
No tema “Inclusão”, entre as solicitações dos educadores estão a adequação, tanto de currículo quanto de estrutura escolar, capacitação docente e integração entre os alunos. Foram colhidos pedidos da seguinte natureza durante o levantamento:
- Como incluir de forma verdadeira?
- Como oferecer atividades para estudantes com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e transtorno do espectro autista (TEA)
- O currículo pode ser uma barreira para a inclusão?
“Do que tenho acompanhado nas escolas, muitos docentes não se sentem seguros quando possuem, na turma em que lecionam, algum estudante com deficiência. Parte dessa insegurança, de fato, tem a ver com o aspecto formativo, porque o que nos é desconhecido causa estranheza”, explicou a psicopedagoga e assistente técnica de educação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, Dianna Melo e Silva.
FTD disponibiliza guia gratuito para formação e apoio À Educação inclusiva
A especialista Dianna Melo e Silva é uma das responsáveis pelo conteúdo do novo Guia para Inclusão. O manual desenvolvido pela FTD Educação objetiva contribuir com a formação de professores, crianças e jovens, além da reorganização das práticas pedagógicas, expandindo a construção de uma comunidade escolar cada vez mais diversa.
A psicóloga, professora, escritora e especialista em educação especial Luciana Xavier Ferreira também contribuiu com o conteúdo do guia, disponibilizado gratuitamente para 1,2 milhão de estudantes, 71 mil professores da rede pública e privada e em mais de 5 mil escolas parceiras da FTD. O manual está disponível na iônica, ecossistema digital da FTD Educação. Luciana destacou um dos temas-chave do manual: a acessibilidade e a mudança de mentalidade sobre a questão.
“Apenas quando passarmos a entender que a barreira está no ambiente e não na pessoa com deficiência e eliminarmos os obstáculos, estaremos promovendo-lhe o acesso em igualdade de condições com as demais pessoas, conforme preconizam as legislações vigentes”, reforçou a especialista.
O Guia para Inclusão traz, ainda, capítulos sobre as novas formas de tecnologia como instrumentos para eliminação de barreiras e promoção da autonomia das pessoas com deficiência; a adoção do Desenho Universal para Aprendizagem, um conceito oriundo da arquitetura que visa garantir acessibilidade e a democratização dos espaços; até sugestões de organização de materiais e práticas pedagógicas inclusivas. Dicas de aplicativos, vídeos e literatura também fazem parte do conteúdo.
“Contribuir com a formação de professores e com a reorganização das práticas pedagógicas é uma tarefa que nos emociona e nos satisfaz como profissionais colaboradores da cadeia produtiva do livro, seja ele impresso ou digital. Acreditamos que a disponibilização de formação e informações será útil para subsidiar novas práticas e minimizar ou eliminar barreiras de acesso ao currículo e à aprendizagem, considerando a natureza plural do desenvolvimento de ensino como direito de todos”, disse Cintia Lapa, diretora adjunta educacional da FTD Educação.