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Para os irmãos e educadores pernambucanos Silvio Meira e Luciano Meira, professores são viajantes do tempo. A dupla fez uma palestra provocadora no Congresso Bett Brasil 2022

O painel “Estratégias de Inovação e Futuro para a Educação”, no segundo dia da Bett Brasil 2022, recebeu os educadores, especialistas e irmãos Luciano e Silvio Meira. Catalogada como uma das palestras ispiradoras do evento, poderia ser renomeada como “paestra provocadora”. Isso porque, na opinião dos dois irmãos, o atual modelo educacional está fracassado. Luciano Meira, sócio-fundador da Joy Street, abriu sua fala declarando os educadores como viajantes do tempo.

“Somos pessoas capazes de imaginar histórias plausíveis de futuro, criando condições para a realização dessas histórias. Educadores apostam no futuro constantemente. Nossa missão é criar as condições e processos de ideação para conferir materialidade a essas histórias de futuro a partir de um dado do presente. Temos que ser capazes de visão, ideação e ação”, afirmou o educador, que defende a tese de que os arranjos sociais que dão centralidade à vida social da informação precisam ser melhor organizados.

Para Luciano Meira, o arranjo social baseado no modelo conteúdo-disciplina- certificação não funciona mais. “Precisamos criar condições e metodologias baseadas na imersão experiencial dos nossos sujeitos, educadores e estudantes, centrados na combinação entre experiências, autonomias, colaboração, resolução de problemas complexos e tomadas de decisões, com foco na avaliação por competências. Precisamos de uma rearquitetura baseada em um novo arranjo socia,l e não mais na burocratização do aprendizado”, disparou.

E enquanto Luciano fechou sua fala citando John Dewey — “Dê aos estudantes algo para fazer, não para aprender; a natureza do fazer demandará pensamento; a aprendizagem é uma resultante desse processo” –, Sílvio Meira abriu sua participação na palestra “cravando o dedo” bem mais fundo na ferida: “Depois de 70 anos de revolução digital, como explicar que o sistema educacional ainda não tenha mudado? Chego à conclusão que a educação como é, hoje, é a burocracia do aprendizado”.

Ainda na opinião de Silvio Meira, um dos fundadores da Digital Strategy Company (TDS.company) e do Porto Digital, no Recife, para romper com essa burocracia e ganhar qualidade efetiva no aprendizado, o modelo educacional deve passar por três rupturas.

“Devemos passar de graduações para habilidades, ou seja, trocar os mecanismos de formação por ambientes de criação de possibilidades, soluções de problemas e experiências. Outra ruptura é passar do físico para figital, a união entre físico, digital e social. E a última transição é no modelo de negócios, que deve passar por uma universalização, fazendo uma ruptura de alto para baixo custo no modelo de negócios”, explicou.

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