Marcel Costa analisa os impactos da saúde emocional e do estímulo intelectual do professor na qualidade do ensino e no desempenho escolar
Uma escola que aplica a Engenharia Educacional entende que, para alcançar resultados acadêmicos consistentes, é indispensável equilibrar o desenvolvimento intelectual com o bem-estar emocional. Mas aqui entra outro aspecto relevante: não apenas dos estudantes, mas, principalmente, dos professores.
Quando o professor encontra equilíbrio entre mente, emoção e intelecto, toda a comunidade escolar colhe frutos mais saudáveis e duradouros.
Dentro da sala de aula, é comum ressaltar a importância de observar cada aluno de forma individual, considerando suas vivências, contextos e emoções. Mas este mesmo olhar holístico precisa ser estendido a quem, todos os dias, prepara o terreno do saber: o educador.
É ele quem, como um agricultor, cultiva o solo fértil da curiosidade e planta as sementes do conhecimento. Porém, assim como o agricultor precisa de ferramentas, conhecimento técnico e condições favoráveis, o professor precisa de nutrição emocional e de estímulo intelectual constante.
A rotina docente carrega um paradoxo: enquanto gerações de estudantes avançam, concluem etapas e seguem suas jornadas, o professor permanece, ano após ano passando o mesmo conteúdo, recebendo novas turmas, novas demandas e desafios cada vez mais complexos. Esse ciclo exige que as instituições de ensino se perguntem: como está sendo cuidado quem cuida? Quais espaços de apoio emocional são ofertados? Existe um ambiente que sustenta o aprimoramento intelectual e, ao mesmo tempo, ampara e dá suporte emocional?
Não é possível exigir alta performance intelectual de um profissional nem exaurido emocionalmente, nem sobrecarregado. Assim como não há colheita sem irrigação, não existe ensino transformador sem um professor equilibrado.
Ao longo do tempo, a visão da escola como uma “linha de produção” precisa dar lugar a uma concepção orgânica, na qual se reconhece que educadores não são máquinas — como já alertava Chaplin em seu emblemático discurso em O Grande Ditador: “Não sois máquinas. Homens é que sois!”.
A Engenharia Educacional propõe esse novo alicerce: cuidar do professor como um ser integral, com contextos próprios, histórias, desafios pessoais e profissionais. Essa abordagem reconhece que cada docente carrega não apenas um acervo de conhecimentos técnicos, mas também emoções, medos, limites e sonhos como todo ser humano. E como tal, têm a qualidade de seu trabalho prejudicada caso condições desfavoráveis atuem em seu ambiente produtivo de forma preponderante. E que tudo isso pode impactar diretamente o desempenho de seus alunos.
Numa sociedade plural e em constante mudança, as demandas são múltiplas: problemas familiares, sociais, emocionais e pedagógicos se misturam dentro da escola. O professor, então, torna-se um mediador de conflitos, um solucionador de problemas, um pilar. Mas esse pilar não pode ruir. Ao contrário, precisa ser fortalecido com estruturação sólida das condições de trabalho, com formações continuadas, momentos de escuta, espaços de cuidado emocional e reconhecimento real do seu papel.
A Engenharia Educacional é um projeto de sustentabilidade humana dentro da escola. É a consciência de que o conhecimento cresce mais forte quando quem o cultiva também floresce. É assim que se constrói uma educação que pode priorizar a alta performance intelectual, mas sem deixar de lado a verdadeiramente face humana, também sendo primordial e essencial a alta performance emocional do professor.

Marcel Raminelli Costa é CEO da IntegralMind, professor e engenheiro formado na Poli-USP.