Na Coluna Engenharia Educacional, Marcel Costa discute como o estado da arte de educar envolve resiliência, empatia e serenidade no cotidiano escola
A sala de aula nunca foi só um espaço de aprendizagem. É um espaço emocional vivo, onde adolescentes lidam com provas, exames, testes… e toda a carga que vem junto. Enem, vestibulares, comparações, expectativas — um pacote inteiro de pressão que muitas vezes nem aparece na superfície, mas molda profundamente a experiência deles.
Dentro desse ambiente, a resiliência do professor deixa de ser uma virtude abstrata e passa a ser quase um instrumento de trabalho. Não apenas para manter o próprio eixo, mas porque o professor vira, inevitavelmente, uma referência emocional para jovens cujo cérebro ainda está em construção. Mais sensível ao estresse, à autoavaliação e ao medo de falhar.
Ser resiliente, na educação, é manter clareza, calma e propósito mesmo quando tudo à volta pede o contrário. E isso importa porque o professor não ensina só conteúdo; ele ensina postura emocional madura.
Ansiedade se transmite rápido. Todo mundo já viu isso. Mas a tranquilidade também se propaga, numa espécie de “campo psicológico” que contamina o ambiente e organiza a turma quase por osmose.
Em qualquer área humana existe um “Estado da Arte”: o ponto mais alto, mais maduro, mais eficiente de um processo. Na educação, esse Estado da Arte aparece quando o educador se reconhece como regulador do clima emocional, como líder que influencia maturidade, autocontrole e segurança psicológica.
Ao longo do ano, esse papel se fortalece com práticas bem-intencionadas e consistentes. A forma de falar organiza mentalmente o estudante. A interação calma e firme com os alunos que não abandona e nem passa a mão na cabeça. Metas realistas, reforço positivo, clareza de expectativas, tudo isso estabiliza. Engajar sem pressionar transforma o desafio em crescimento. Rotinas previsíveis, planos de estudo, simulações guiadas, rituais de preparação… tudo isso reduz ansiedade e estrutura a experiência. Comunica em silêncio que está tudo bem e que vale a pena seguirem juntos.
Na reta final, o que faz diferença é lembrar a trajetória, reconhecer pequenas vitórias, manter a atenção no processo. Um discurso sereno focado tem mais força — e mais efeito — do que qualquer discurso de cobrança.
Depois das provas, o estudante entra em outro território emocional. Alguns ficam frustrados, outros inseguros, outros vazios. Nessa hora, o professor vira bússola. Ajudar a interpretar resultados com maturidade, acolher incertezas e reorganizar perspectivas impede que o erro vire identidade. O erro é um dado, uma informação útil, e não um veredito.
E é sempre bom reforçar: a vida não termina no Enem, no vestibular, nem depois de uma prova bimestral. Quando o jovem percebe propósito, autoconhecimento e liberdade de escolha, ele entende que cada prova é só um marco no caminho — não “o fim” de absolutamente nada.
Criar um espaço emocional seguro não é poesia; melhora a aprendizagem e diminui sofrimento. E vale lembrar que o professor também sente. O cotidiano escolar desgasta. A exaustão é real. Por isso, autocuidado, rede de apoio e acompanhamento emocional não são luxo, são parte da prática. O professor que se cuida está mais preparado para ser o farol de inspiração que seus alunos precisam.
Educar exige entregar serenidade, empatia e estabilidade. Exige um ambiente leve, significativo e humano. No fim, o que fica não é a nota da prova, nem o exame, nem o Enem. O que permanece é o impacto de quem atingiu o verdadeiro Estado da Arte de Educar. Testes e toda a carga que vem junto. Enem, vestibulares, comparações, expectativas estão no pacote inteiro de pressão que, muitas vezes, nem aparece na superfície, mas molda profundamente a experiência deles.

Marcel Raminelli Costa é CEO da IntegralMind, professor e engenheiro formado na Poli-USP.










