Mais do que resposta a crises, a educação emocional é caminho para formar sujeitos íntegros e reinventar o futuro da escola
Bruno Elias*
Nas conversas com educadores de diferentes partes do país, uma realidade se repete: crianças e adolescentes chegam à escola com níveis crescentes de ansiedade, dificuldade de concentração e desafios de convivência. Professores, por sua vez, sentem-se sobrecarregados e muitas vezes sem ferramentas para lidar com esse cenário.
Essa realidade não é nova, mas ganhou ainda mais visibilidade após a pandemia. A educação emocional, que antes ocupava um lugar periférico nas discussões pedagógicas, tornou-se central. Não como um acessório, mas como uma resposta concreta às demandas mais urgentes no dia a dia escolar.
O Brasil tem feito avanços importantes na discussão sobre habilidades cognitivas e desempenho acadêmico. No entanto, seguimos tratando o desenvolvimento emocional como algo “extra”, fora do currículo, e muitas vezes como projetos isolados ou ações pontuais.
Mas formar um estudante é formar um ser humano inteiro. E isso inclui ajudá-lo a reconhecer e lidar com as suas emoções, desenvolver empatia, escutar o outro, regular impulsos e construir vínculos de confiança. Essas habilidades são fundamentais para o aprendizado, a cidadania e o trabalho.
Dados do Censo Escolar, do IBGE e de organizações como a Unicef mostram que o sofrimento emocional de crianças e adolescentes impacta diretamente a aprendizagem e a permanência na escola. E ainda que haja diretrizes como a BNCC, que reconhece a importância das competências socioemocionais, a implementação segue desigual.
Não basta reconhecer que essas habilidades são importantes. É preciso que elas sejam incorporadas de forma estruturada nas escolas, com formação para os educadores, materiais de qualidade e acompanhamento contínuo.
No Grupo Salta Educação, acreditamos que formar alunos de forma integral e para o futuro passa, também, pela formação socioemocional. É por isso que temos orgulho de contar com o LIV, o Laboratório de Inteligência de Vida, como parte essencial do nosso ecossistema de aprendizagem. Criado dentro do próprio Grupo Salta, o LIV é o nosso programa de educação socioemocional, pensado de forma estruturada para oferecer, de fato, uma solução concreta para as escolas. Uma solução que respeita as realidades de cada território, ouve os educadores e caminha junto com a comunidade escolar para formar seres humanos mais conscientes, preparados e íntegros. E há muitas outras iniciativas Brasil afora fazendo esse trabalho, de forma séria e comprometida. O ponto em comum entre elas é a escuta: entender o que professores, alunos e famílias sentem e precisam, antes de propor qualquer caminho.
Há quem ainda veja a educação emocional como algo subjetivo demais ou difícil de mensurar. Mas os estudos mostram o contrário. Segundo a OECD, programas bem estruturados de educação socioemocional melhoram indicadores de aprendizagem, reduzem a evasão escolar e fortalecem competências importantes para o mercado de trabalho.
Além disso, há um ganho silencioso, e talvez o mais importante: formar pessoas emocionalmente saudáveis, capazes de lidar com a frustração, construir relações respeitosas e pensar coletivamente. O Brasil precisa urgentemente disso. Como CEO do grupo, vejo de perto o impacto do LIV nas escolas e nas vidas dos estudantes. Ter um momento para falar sobre sentimentos em sala oportuniza a criação de espaços seguros de fala e de escuta. Muito além da sala de aula, esse trabalho promove reflexões profundas sobre o que é, afinal, educar para o mundo.
Se quisermos redesenhar o futuro do país, precisamos começar pelas escolas. Nos preocupamos, sim, com resultados, com avaliações e com um ensino de excelência Tudo isso é importante. Mas sabemos que nada disso é completo se não olharmos também para quem os alunos são, sentem e vivem. Não existe formação integral sem o desenvolvimento socioemocional, sem o cuidado com as emoções, com as relações e com o autoconhecimento. É nesse encontro entre o aprender e o sentir que a educação ganha sentido.
Educação emocional não é uma tendência. É uma necessidade que, por muito tempo, ignoramos. Agora que ela bate à nossa porta com força, temos a chance, e a responsabilidade, de acolhê-la com seriedade e compromisso com o futuro.
*CEO e fundador do** **Grupo Salta Educação