Pesquisa nacional também aponta entraves para a inclusão, uso de tecnologias e revitalização curricular no Ensino Básico e Superior
A saúde mental no ambiente escolar e universitário é uma preocupação crescente entre gestores educacionais brasileiros. Segundo o Indicador GEduc 2025, levantamento realizado durante a 23ª edição do Congresso de Gestão Educacional do Brasil, 90% dos líderes da Educação Básica e 85,7% do Ensino Superior enfrentam casos de estresse, ansiedade e depressão entre alunos e professores. O cenário evidencia a necessidade de políticas mais robustas de acolhimento e suporte emocional nas instituições de ensino.
A pesquisa, promovida pela HUMUS, organização especializada em formação de gestores educacionais, ouviu 123 participantes de diversas regiões do país, divididos quase igualmente entre os segmentos da Educação Básica (48,8%) e do Ensino Superior (51,2%). A distribuição regional também reforça a abrangência do estudo, com destaque para o Sudeste, Centro-Oeste e Sul.
De acordo com Sonia Colombo, CEO da HUMUS, o fortalecimento de ações preventivas é essencial para lidar com essa nova realidade. “Problemas relacionados à saúde mental já não são apenas uma possibilidade, mas uma realidade enfrentada por grande parte das instituições de ensino”, alertou a especialista.
Além da saúde mental, a pesquisa também explorou outros temas sensíveis à gestão educacional, como práticas de inclusão, iniciativas de educação antirracista, capacitação docente para o uso de tecnologias e a adaptação curricular às novas demandas do século 21.
Saúde mental e inclusão são prioridades urgentes
O Indicador GEduc expôs a necessidade urgente de reforçar o suporte emocional nas instituições educacionais. Apesar do crescimento das políticas estruturadas de saúde mental em relação a 2024, o índice de casos reportados é alarmante, refletindo não apenas as pressões escolares, mas também o ambiente social mais amplo, onde questões de ansiedade e depressão ganharam visibilidade.
Em paralelo, a inclusão escolar ainda apresenta avanços tímidos. Na Educação Básica, 85% das instituições afirmam possuir práticas estruturadas de educação inclusiva, número que cresceu discretamente em 0,9% no último ano. No Ensino Superior, porém, o cenário é preocupante: o percentual de instituições com políticas de inclusão caiu de 59,6% para 34,9%, revelando a necessidade de retomada urgente de estratégias inclusivas.
A educação antirracista também encontra desafios. Enquanto 70% das escolas básicas reportam políticas estruturadas nesse sentido, apenas 49,2% das universidades indicam ter ações semelhantes, apontando para a necessidade de maior articulação em todos os níveis de ensino.
Esses resultados reforçam que a construção de ambientes escolares mais saudáveis e inclusivos demanda esforços constantes e alinhamento entre políticas institucionais, formação docente e cultura organizacional.
Tecnologia e revitalização curricular no radar das escolas
Outro ponto de atenção revelado pela pesquisa foi a preparação dos professores para integrar novas tecnologias em suas práticas pedagógicas. Na Educação Básica, 60% dos gestores afirmam que seus docentes ainda não estão capacitados para utilizar recursos tecnológicos de forma eficaz, número que cai para 33,3% no Ensino Superior, mas que ainda preocupa.
Apesar desse desafio, a maioria das instituições já se mobiliza para a formação de competências globais nos alunos, seguindo diretrizes como a BNCC. Na Educação Básica, 83,3% das escolas têm revitalizado seus currículos nesse sentido; no Ensino Superior, esse índice chega a 88,5%, indicando uma convergência positiva entre os níveis de ensino.
As parcerias acadêmicas também despontam como estratégia para fortalecer a formação de estudantes. Entre as universidades, 58,7% mantêm acordos com escolas de Educação Básica, crescimento expressivo em comparação ao ano anterior. Já nas escolas, essa conexão é apontada por 45% dos gestores, embora com uma leve queda em relação a 2024.
Além disso, o Indicador GEduc revelou que a maioria das instituições realiza pesquisas institucionais de clima organizacional e de satisfação de pais e alunos, e 58,3% das escolas e 50% das universidades já possuem políticas estruturadas de prevenção e gerenciamento de crises de imagem.