Adaptação do padrão internacional GRI pode orientar escolas que desejam integrar sustentabilidade à sua cultura e gestão educacional
Adotar práticas ESG na escola exige mais do que boa vontade e ações pontuais. É preciso estratégia, metas e, principalmente, formas de acompanhar o progresso. Para isso, há ferramentas consolidadas no mundo corporativo que estão sendo adaptadas ao setor educacional — como é o caso do GRI Education Adaptation, versão voltada para escolas do conhecido modelo de relatórios de sustentabilidade Global Reporting Initiative (GRI).
O GRI é um padrão internacionalmente reconhecido para avaliação de impacto ambiental, social e de governança nas organizações. Criado nos anos 1990, ele permite que empresas relatem suas ações de forma transparente e padronizada. Em 2023, a Global Reporting Initiative publicou uma adaptação voltada ao setor educacional, considerando as particularidades do ensino básico e superior.
Com isso, escolas públicas e privadas passaram a contar com uma referência específica para medir seus avanços em sustentabilidade — considerando desde o consumo de água e energia até inclusão, diversidade e participação da comunidade. A proposta é permitir que instituições de ensino relatem seu impacto com o mesmo rigor de grandes empresas.
Para instituições educacionais que desejam aprofundar seus conhecimentos em sustentabilidade, o GRI Academy oferece cursos de aprendizado autônomo e treinamentos conduzidos por instrutores certificados. Esses cursos abrangem desde relatórios de sustentabilidade até governança corporativa e integração ESG.
A GRI Education Adaptation foi desenvolvida com apoio da iniciativa global SDG4-Education 2030, que visa alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU no campo da educação. A versão-piloto foi testada por instituições de diferentes países, incluindo escolas brasileiras, e está disponível para uso gratuito.
Ao seguir o modelo, a escola fortalece sua governança, amplia a transparência e estrutura melhor seus projetos socioambientais. Isso também contribui para que gestores e mantenedores tomem decisões mais estratégicas, com base em dados confiáveis e comparáveis.
O educador21 destaca, a seguir, como o modelo pode ser aplicado e quais são as suas principais características.
Como o GRI pode ser usado na escola
Desenvolvido para apoiar o monitoramento de impactos socioambientais no setor educacional, o GRI Education Adaptation organiza os indicadores em três eixos centrais: ambiental, social e de governança. Dentro de cada um, há métricas específicas que podem ser aplicadas ao cotidiano escolar.
Na dimensão ambiental, por exemplo, a escola é incentivada a acompanhar o consumo de energia e água, a geração e destinação de resíduos e a adoção de medidas de mitigação climática. Já no eixo social, são observados aspectos como diversidade e inclusão, acessibilidade, formação docente e participação dos estudantes e famílias.
A parte de governança envolve critérios como ética e integridade, gestão de riscos, transparência na administração e mecanismos de escuta da comunidade escolar. Isso ajuda a consolidar uma cultura de responsabilidade e corresponsabilidade no ambiente educativo.
O GRI também propõe que as escolas publiquem relatórios anuais com os resultados e metas de suas ações, fomentando o engajamento com a comunidade e oferecendo um retrato claro de seus avanços e desafios. Essa transparência é um dos pilares do ESG e fortalece a reputação institucional.
Outra vantagem do uso do GRI é a possibilidade de comparar dados entre diferentes instituições, permitindo que redes públicas ou grupos privados avaliem o desempenho coletivo e colaborem em soluções compartilhadas. Isso pode gerar novas políticas públicas e fomentar inovação social.
Por fim, a adoção do GRI Education Adaptation sinaliza o compromisso da escola com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e com uma educação de qualidade, equitativa e transformadora. O modelo está disponível (em inglês) no site oficial da Global Reporting Initiative, com materiais de apoio e guias de implementação.