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Na Coluna Educação Global de outubro, Lara Crivelaro mostra como a diversidade de experiências entre gestores amplia os aprendizados de uma imersão educacional na Malásia e na China

Uma experiência internacional ganha ainda mais significado quando reúne pessoas dispostas a observar e a trocar conhecimentos. Essa foi uma das riquezas da Missão Ásia 2026, que reuniu gestores de seis instituições de ensino brasileiras em uma imersão educacional pela Malásia e pela China.

Ao longo da programação, o grupo visitou escolas, universidades e empresas de tecnologia, conheceu diferentes práticas educacionais e vivenciou aspectos da cultura dos países visitados. Mas houve um elemento que ampliou ainda mais o aprendizado: a diversidade de experiências, perspectivas e olhares que cada gestor levou para a missão.

Foram diferentes realidades escolares reunidas em um mesmo percurso, o que permitiu que cada descoberta fosse também ponto de partida para uma nova conversa ou para uma pergunta sobre os caminhos da educação brasileira.

Uma missão como essa se fortalece quando reúne pessoas de diferentes realidades e experiências. Cada gestor observa aquilo que encontra na Ásia a partir do seu próprio olhar, e essa troca amplia o aprendizado de todos.

Na China, as visitas às escolas trouxeram reflexões sobre disciplina, colaboração e autonomia dos estudantes. Há um cuidado com a equidade muito, muito grande. É o coletivo preocupado com o coletivo. Assistimos a duas aulas, de inglês e artes, e vimos o quanto eles garantem a autonomia dos alunos, o quanto priorizam a colaboração com disciplina.

Também chamou a atenção o fato de o currículo chinês incorporar de forma mais evidente temas relacionados ao protagonismo dos alunos, às questões afetivas e à saúde mental, além de demonstrar preocupação com a carga de atividades dos estudantes.

As observações feitas durante as visitas ganharam novas dimensões quando discutidas entre os integrantes da missão.

Para Renata Gaia, do Colégio do Carmo, de Santos (SP), a diversidade do grupo foi justamente uma das riquezas da experiência. “…uma viagem de estudos, de troca de experiências, de vivências, de tentar juntar pessoas de realidades tão diferentes. O nosso grupo é um grupo diverso, de todas as idades, dos jovens aos mais velhos, escolas diferentes, cidades diferentes, mas cada um traz um pouquinho de si para contribuir com essa formação.”

A programação, segundo Renata, também permitiu que o aprendizado ultrapassasse o ambiente escolar. “Tivemos visitas em escolas, visitas em universidades, a parte turística, alimentação, shows e, para encerrar, até a cultura do chá nós fizemos aqui na China.”

Para o Padre José Morgado, do Colégio Salesiano Santa Teresinha, de São Paulo (SP), o contato direto com outra cultura amplia a compreensão sobre diferentes formas de educar. “O encontro com a cultura milenar nos faz ver tantas coisas que no nosso dia a dia jamais encontraríamos, se não fosse in loco, vivenciando um pouco de tudo isso.”

O aprendizado que volta para o Brasil

A proposta da Missão Ásia 2026 não é reproduzir modelos educacionais de outros países, mas conhecer diferentes experiências, ampliar repertórios e refletir sobre o que pode fazer sentido para a realidade brasileira.

Nesse processo, a equipe de gestores teve papel fundamental. Foram diferentes experiências profissionais e contextos escolares reunidos em torno de uma mesma disposição para aprender.

Conhecer outras realidades é também uma forma de olhar novamente para a nossa própria educação. Quando colocamos diferentes gestores diante de uma mesma realidade, cada um enxerga algo que o outro talvez não tivesse percebido. Essa troca transforma uma viagem internacional em uma experiência de formação, em uma construção coletiva.

Encerrada a missão, os participantes vão sistematizar os principais aprendizados e observações reunidos durante a viagem e transformar a experiência em referências que continuem a gerar reflexão e diálogo no Brasil.

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