Visitas técnicas revelam como identidade institucional e gestão orientam decisões pedagógicas nas escolas britânicas
Organizada para promover leitura estratégica de tendências e práticas educacionais internacionais, a Missão UK 2026 reuniu gestores, mantenedores e líderes pedagógicos interessados em ampliar repertório e refletir sobre caminhos possíveis para a educação brasileira. Cerca de 80 participantes passaram uma semana em Londres em contato direto com escolas e instituições que operam em um dos sistemas educacionais mais observados do mundo.
A proposta da imersão liderada pela Efígie Academy e parceiros – Eduinfo, Edify Education, Educbank, Pearson, MTS e Learnbase –, vai além do turismo pedagógico. O objetivo é compreender, no cotidiano das escolas, como decisões institucionais sustentam práticas que se refletem em aprendizagem, convivência e formação integral.
Logo nas primeiras visitas técnicas, educadores e gestores brasileiros se depararam com um elemento recorrente nas escolas britânicas: antes de discutir currículo, metodologias ou tecnologia, as instituições tornam explícita sua identidade e cultura organizacional. “Estar em contato com outros sistemas educacionais amplia o olhar, relativiza certezas e ajuda a repensar práticas que se tornam automáticas no cotidiano escolar“, disse Lara Crivelaro, fundadora da Efígie Academy e organizadora da missão.
Observar escolas é observar decisões
Em síntese, a Missão UK 2026 aponta para uma constatação recorrente entre os participantes: inovação educacional não depende apenas de novos equipamentos ou metodologias, mas nasce de decisões consistentes sobre cultura institucional, gestão e prioridades pedagógicas. Para gestores brasileiros, a experiência amplia o repertório de análise sobre como alinhar identidade escolar, liderança e aprendizagem.
“Mais do que uma agenda institucional, a missão se tornou uma experiência formativa coletiva, marcada pela troca entre pares e pela busca ativa por referências para as escolas brasileiras. Internacionalização não é um projeto isolado. Ela se constrói nas escolhas pedagógicas e nas decisões cotidianas que moldam a escola”, afirmou Lara Crivelaro.
A experiência também evidenciou que observar escolas significa compreender como escolhas organizacionais impactam a formação dos estudantes e a sustentabilidade das instituições. Trata-se de uma leitura estratégica que tende a influenciar decisões futuras de gestão e liderança nas escolas participantes.
Ao longo dos primeiros dias de imersão, os grupos circularam por instituições com perfis distintos, incluindo escolas tradicionais, propostas internacionais e centros voltados à formação profissional criativa. Apesar das diferenças de modelo, um princípio se repetiu: decisões pedagógicas derivam de uma cultura institucional previamente definida.
“Sempre que temos a oportunidade de participar de uma dessas missões, aprendemos e observamos nesses colégios o quanto a vida acadêmica tem de semelhante e de diferente daquela que oferecemos no Brasil“, avaliou a professora Rita Ladeia, especialista em educação bilíngue que integrou o grupo de educadores da Missão UK 2026.
As visitas mostraram ainda que a inovação educacional, no contexto britânico, raramente surge como ruptura abrupta. Costuma aparecer como construção progressiva, sustentada por governança clara, planejamento consistente e alinhamento entre discurso pedagógico e prática institucional.
Para gestores brasileiros, o principal aprendizado não está na reprodução de modelos, mas na compreensão de como decisões estruturais moldam o ambiente escolar. Observar escolas, nesse contexto, significa observar escolhas e entender como elas impactam aprendizagem, convivência e formação integral.



Cultura institucional e liderança revelam como decisões ganham forma nas escolas
As visitas técnicas realizadas durante a Missão UK 2026 permitiram aos educadores brasileiros compreender que aquilo que se manifesta no currículo, nas metodologias e nos resultados acadêmicos nasce, antes, de decisões institucionais mais profundas. Ao circular por escolas e instituições com perfis distintos, tornou-se evidente que práticas pedagógicas consistentes não surgem de iniciativas isoladas, mas de culturas organizacionais estruturadas e sustentadas por escolhas contínuas de gestão e liderança.
Observou-se que escolas com identidades institucionais claras conseguem transformar princípios educacionais em rotinas, expectativas e formas concretas de funcionamento. A inovação, nesse contexto, não aparece como ruptura, mas como consequência de projetos educativos sustentados por equipes gestoras que alinham visão pedagógica, organização institucional e experiência cotidiana de estudantes e professores.
Nas visitas ao King’s College e à Guildhouse School, educadores brasileiros encontraram ambientes marcados por organização curricular rigorosa e elevada expectativa em relação à autonomia estudantil. A escola aparece menos como espaço de controle e mais como estrutura que sustenta escolhas responsáveis ao longo da trajetória acadêmica, evidenciando como cultura institucional e liderança se refletem no comportamento e na maturidade dos estudantes.
Em Oxford, na St. Clare’s High School, a internacionalização não surge como programa adicional, mas como parte constitutiva da identidade escolar. Diversidade cultural, itinerários flexíveis e preparação para contextos globais influenciam o cotidiano da aprendizagem e demonstram como decisões curriculares derivam de uma visão institucional previamente definida. Já instituições como a Bedford School, o ICMP e a International School of London mostraram como diferentes linguagens educacionais convivem de forma articulada, integrando formação acadêmica, experiências culturais, vida comunitária e preparação profissional sem disputas internas por tempo ou prioridade.
Nas escolas visitadas durante a Missão UK 2026, diretores e coordenadores atuam menos como solucionadores imediatos de problemas e mais como arquitetos de processos institucionais. São eles que organizam tempos escolares, definem prioridades e estruturam rotinas capazes de garantir coerência entre proposta pedagógica e funcionamento cotidiano, demonstrando que liderança escolar se constrói por decisões acumuladas e não por intervenções pontuais.
Um exemplo é a Birkbeck College London, onde a gestão sustenta currículos flexíveis e atendimento acadêmico individualizado sem perder de vista metas institucionais e padrões de qualidade. O acompanhamento constante permite personalização dos percursos formativos sem comprometer o desempenho acadêmico coletivo, revelando como gestão e autonomia estudantil podem coexistir de forma equilibrada.
Na Bede’s School e nas novas observações realizadas na Bedford School, chamou atenção a distribuição de responsabilidades entre equipes e a cultura de acompanhamento contínuo dos estudantes. Programas de tutoria e apoio socioemocional integram a rotina institucional, evidenciando que liderança escolar se manifesta no cotidiano e se consolida como prática permanente de cuidado, acompanhamento e desenvolvimento integral.










