Skip to main content

Este artigos mostra como a neurociência amplia a autoconsciência, a gestão de equipes e a tomada de decisão em contextos educacionais complexos

Cynara Bastos*

Ao permitir uma compreensão mais profunda da dinâmica do funcionamento do cérebro e do sistema nervoso — assim como suas influências nas nossas emoções, pensamentos e motivações para a ação —, a neurociência se torna cada vez mais relevante para a gestão. Isso porque ela ajuda os líderes a desenvolverem habilidades interpessoais, melhorarem a gestão de equipes e aumentarem o desempenho organizacional.

A complexidade do mundo em que vivemos hoje exige novas práticas, e quanto mais o líder conhece a si mesmo, seus liderados e o contexto no qual a liderança ocorre, tanto melhor será a sua capacidade de exercer com maestria a arte de liderar pessoas e negócios.

Sabemos que a relação de liderança é dinâmica e impactada por diversos fatores que devem ser conhecidos e administrados para que a qualidade dessa interação atenda aos objetivos individuais e coletivos. A neuroliderança, nesse sentido, compreende a adoção de uma abordagem que considera um amplo conhecimento sobre o funcionamento do cérebro e os impactos que esse domínio proporciona na relação entre o líder, os liderados e todo o seu entorno. Por exemplo, como o líder se percebe, o quanto ele conhece de si mesmo (autoconsciência), como ele administra suas emoções e comportamentos (autogestão) e como ele interage com os liderados e o contexto (consciência social).

Acredito que lidar com a complexidade crescente dos negócios, da sociedade e do mundo demanda uma abordagem de liderança mais moderna, que vá além das teorias da administração de negócios e gestão de pessoas conhecidas e praticadas. É claro que todas elas são válidas, mas é na assunção de uma perspectiva mais ampla sobre as nossas capacidades cognitivas e emocionais que podemos alcançar maior qualidade e melhores resultados nas relações interpessoais e nos negócios.

A neuroliderança se difere dos demais modelos de liderança especialmente por seu caráter neurocientífico. Neuroliderança é sobre menos achismo e mais ciência e experimentação. Todavia, é importante lembrar que várias abordagens de liderança podem ser conectadas para que se possa adquirir um estilo de gestão mais alinhado à cultura organizacional.

Apoio à gestão

Segundo a psiquiatra e neurocientista britânica Tara Swart, professora sênior do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e referência no tema, a neurociência pode auxiliar no aproveitamento da diversidade de raciocínio em grupos, no desenvolvimento de uma cultura de criatividade e confiança, além de permitir a versatilidade para a mudança. De acordo com ela, as aplicações positivas observadas auxiliam na transformação comportamental sustentável de líderes, independentemente do sistema em que operam.

Nesse contexto, é possível as lideranças adotarem alguns hábitos e estratégias apoiados na neurociência, como conhecer muito bem a si mesmo, incluindo o seu sistema nervoso, e saber administrar suas emoções. Também é importante compreender os diversos ambientes e contextos nos quais a liderança ocorre para adotar comportamentos adequados a cada situação ou desafio, e entender os processos cognitivos e emocionais individuais e coletivos do seu time. A inteligência adaptativa e contextual é uma das grandes forças que a liderança baseada no cérebro pode oferecer.

À medida que o mundo adquire uma nova velocidade, tanto no volume de demandas como na transformação dos negócios e da sociedade, os gestores educacionais e os professores à frente das salas de aula também passam a adotar comportamentos e práticas conectados às tendências mundiais na gestão.

Conforme mostra o estudo “Contributions of Neuroleadership to the School Administrator and Teachers for the Development of Organizational Behavior”, a neuroliderança tem sido reconhecida como um trunfo nesses ambientes. “Os líderes educacionais podem utilizar conhecimentos sobre o cérebro para alavancar as habilidades de outras pessoas e desenvolver e preparar seus cérebros por meio da comunicação ativa”, aponta a pesquisa.

Se você faz parte desse time, não pode perder a oportunidade de participar da palestra do GEDuc 2026 “Neuroliderança: a interseção entre o funcionamento do cérebro e a eficácia na liderança”. Ela acontece no dia 26/3, às 9h20, e vai trazer os principais insights sobre a neuroliderança – em especial, os efeitos da compreensão dos processos cerebrais e seu impacto na efetividade da sua gestão.

Espero você!

_*Diretora de projetos na _Panta Rei DHO

A autora é palestrante do painel “Neuroliderança: a interseção entre o funcionamento do cérebro e a eficácia na liderança”, no Fórum de Líderes no GEduc 2026, realizado pela HUMUS Educação, de 25 a 27 de março sob o tema central “Arquitetar Futuros: Educar, Liderar e Transformar”. Garanta sua vaga aqui.

Compartilhe: