Diretriz define três eixos para inserir tecnologia no currículo, unindo pensamento computacional, cultura digital e mundo digital para formar estudantes mais preparados para o futuro
A educação brasileira vive um novo capítulo com a BNCC da Computação, documento que amplia a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e define quais competências e habilidades relacionadas à tecnologia devem ser trabalhadas na educação básica. Mais do que ensinar a usar ferramentas digitais, a BNCC da Computação propõe preparar crianças e jovens para viverem e atuarem em um mundo cada vez mais digital, crítico e conectado.
“A BNCC da Computação apresenta três eixos que se complementam no processo de ensino de tecnologia. Desse modo, as escolas preparam os estudantes para um mundo mais digital, em que as habilidades desenvolvidas vão além da parte técnica e teórica da tecnologia”, explicou Victor Haony, assessor pedagógico da Mind Makers, empresa que desenvolve disciplinas inovadoras para escolas.
Haony — que fez a curadoria do Web Stories Especial “Pensamento Computacional” para o educador21 — destacou que, além do domínio técnico, a BNCC da Computação incentiva pensamento crítico, resolução de problemas e o uso ético da tecnologia, competências essenciais para a vida contemporânea.
Quais são os três eixos da BNCC da Computação?
A BNCC da Computação está estruturada em três grandes eixos, que podem ser trabalhados de forma integrada ou separadamente, conforme a realidade de cada escola:
Pensamento Computacional
É o eixo que desenvolve a lógica e a capacidade de resolver problemas, por meio de atividades como criação de algoritmos, identificação de padrões e decomposição de desafios em partes menores.
Haony ilustra com um exemplo prático: “Montar um quebra-cabeça exige criar um algoritmo mental, que varia de pessoa para pessoa. Alguns começam pelas bordas, reconhecendo padrões, para só depois preencher o centro.”
Mundo Digital
Foca em ensinar como funcionam as ferramentas digitais — internet, nuvem, softwares — e como usá-las de maneira eficiente e segura. O objetivo é dar autonomia aos estudantes para pesquisar informações, analisar a confiabilidade de conteúdos e utilizar recursos digitais de forma consciente.
“Se o aluno pesquisa um tema online, precisa aprender a checar a confiabilidade das fontes, consultando mais de um site para confirmar a informação”, explicou Haony.
Cultura Digital
Vai além do uso técnico e aborda a relação das pessoas com a tecnologia, estimulando debates sobre temas como cidadania digital, impacto social e questões éticas, incluindo cyberbullying.
“É preciso discutir como a tecnologia interfere nas relações e no comportamento humano. Falar sobre cyberbullying, por exemplo, ajuda os alunos a entenderem a responsabilidade que têm no ambiente digital”, pontuou Haony.
BNCC da Computação como motor de transformação
A integração dos três eixos permite às escolas trabalhar tecnologia de forma transversal, respeitando suas especificidades e estimulando o protagonismo dos estudantes. Para Victor Haony, a BNCC da Computação pode se tornar um grande motor de transformação na educação.
“Com planejamento e apoio pedagógico, a BNCC da Computação pode desenvolver competências que formem alunos mais críticos, criativos e preparados para lidar com os desafios e oportunidades do mundo digital”, afirmou o educador.
Implementar a BNCC da Computação significa preparar as novas gerações para não apenas consumir tecnologia, mas também entendê-la, questioná-la e criar soluções inovadoras — habilidades essenciais para quem vai viver num mundo cada vez mais digitalizado.