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Colaboração entre escola e família impulsiona desempenho, autonomia e desenvolvimento integral dos estudantes na educação básica

Eduardo Zanini*

Nos últimos anos, as transformações na educação foram marcadas por uma série de fatores, como a adoção de recursos digitais, novas diretrizes curriculares e uma crescente preocupação com o desenvolvimento socioemocional dos estudantes. A adaptação a esse novo momento é muito desafiadora, mas nem de longe impossível de ser alcançada — desde que todos os envolvidos no ecossistema escolar participem desse processo. Por isso, a colaboração entre as famílias e as escolas é um elemento-chave.

No Brasil, a importância da participação familiar na formação dos estudantes se alinha aos princípios da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que valoriza a construção coletiva do conhecimento, o desenvolvimento integral e a articulação entre diferentes contextos de aprendizagem – incluindo os vividos em família. Ainda que não mencione diretamente os familiares como agentes educativos, a BNCC reconhece a relevância das experiências culturais, sociais e emocionais trazidas pelos estudantes de seus ambientes de convivência, reforçando a necessidade de diálogo entre escola, comunidade e família.

Engajamento na jornada educacional

Uma colaboração estratégica entre familiares e instituições de ensino não apenas eleva o desempenho acadêmico dos estudantes, mas também reforça a motivação e a autoconfiança dos alunos. Quando pais e responsáveis acompanham de perto o cotidiano escolar e valorizam os desafios e as conquistas, os estudantes se sentem mais seguros para explorar diferentes formatos de aprendizagem.

Ou seja, o jovem entende o quanto é importante valorizar a educação e a busca pelo conhecimento. Ele olha para as suas referências adultas e é direcionado com clareza a percorrer uma jornada educacional com autonomia e propósito. Essa escolha consciente gera um engajamento orgânico, que é ideal para deixá-lo trilhar o próprio caminho.

Além disso, a escuta ativa, o diálogo constante e a construção de vínculos de confiança entre escola e família ampliam a autorresponsabilidade dos alunos sobre o aprendizado. Isso ajuda a formar cidadãos mais preparados para lidar com os desafios da vida em sociedade.

Dicas de aproximação

As escolas não são todas iguais, assim como as famílias diferem muito entre si. Isso significa que um colégio considerado excelente em determinado aspecto — seja no desempenho acadêmico, na infraestrutura ou na oferta de atividades extracurriculares — pode não ser o mais indicado ou aquele que melhor combina com o perfil de uma criança e de seus responsáveis.

Por essa razão, desde o primeiro contato, a escola deve apresentar de forma clara e detalhada seu projeto pedagógico, seus valores e seu modo de funcionamento, para que as famílias possam escolher com mais assertividade a instituição que melhor atenda às suas expectativas — seja um colégio voltado para o vestibular e mais conteudista, ou um ambiente que priorize a formação integral com ênfase em habilidades do século 21, como colaboração, criatividade, comunicação e pensamento crítico.

Com esse alinhamento inicial, a relação entre escola e responsáveis se fortalece e se encaminha para um vínculo colaborativo que se consolida ao longo do tempo.

A tecnologia também pode ser uma aliada dessa parceria. Algumas escolas já usam ferramentas digitais, que geram relatórios de acompanhamento do desempenho do estudante. Por meio dele, pais, mães e responsáveis podem conferir a entrega de lições e verificar a performance e o engajamento em atividades e propostas, apoiando e incentivando os filhos.

Apesar disso, independente do nível de digitalização da instituição de ensino, vale ressaltar que a transparência é o fator mais importante em qualquer iniciativa. Seja pelos meios tradicionais, como a agenda e os encontros presenciais, ou por aplicativos e sistemas digitais, a proposta de comunicação entre os envolvidos precisa ser clara e colaborativa. É assim que se cria um ambiente acolhedor e com um diálogo aberto, que olha de forma atenta para as necessidades específicas dos jovens.

É claro que novos desafios virão e algumas soluções que não estão moldadas precisarão ser encontradas pelos familiares, gestores pedagógicos, professores e os próprios alunos. Essas relações, como em qualquer outra, tendem a amadurecer com o tempo. Todos têm o seu papel nessa jornada, que, se for construída a partir de uma rede de apoio com trocas constantes, com certeza caminhará para um novo patamar da educação.

***Diretor de Produto da **Geekie, principal solução de aprendizagem personalizada e ensino híbrido para o setor de educação básica baseada em inteligência de dados

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