Diante da avalanche de informações e tecnologias, desenvolver pensamento crítico é essencial para formar estudantes autônomos e conscientes
Hoje, crianças e adolescentes crescem cercados por informações, estímulos digitais e ferramentas que entregam respostas em segundos. Mas, entre tanta velocidade e praticidade, um desafio se impõe: como ajudá-los a parar, refletir e, de fato, pensar? Em tempos de redes sociais, inteligência artificial e conteúdo automatizado, é essencial saber filtrar e analisar criticamente o que recebemos.
Nesse contexto, surge a importância do desenvolvimento de uma habilidade socioemocional essencial: o pensamento crítico. Mas o que exatamente é o pensamento crítico? E qual o papel da escola na construção dessa competência essencial?
Muito além de uma “opinião própria”
É comum ouvirmos que o pensamento crítico está ligado a “ter opinião própria”. Mas essa é apenas uma parte da história. Pensar criticamente é analisar, questionar, interpretar e argumentar de forma fundamentada. Trata-se de desenvolver a capacidade de avaliar informações com autonomia, responsabilidade e abertura ao diálogo.
Ou seja, não basta formar estudantes que “têm opinião”; é preciso formar sujeitos que saibam de onde vêm suas ideias, por que pensam o que pensam, e como defender seus pontos de vista sem desconsiderar os dos outros.
O pensamento crítico não nasce pronto. Ele é construído com base na escuta, na dúvida, na prática da argumentação e na convivência com pontos de vista diferentes. Isso significa que ele não depende apenas de inteligência, mas de experiências, repertório, vivências escolares e sociais.
É no ambiente escolar que o aluno tem contato com diferentes saberes e realidades e é também onde pode exercitar o pensamento crítico com apoio e mediação qualificada dos educadores.
O uso da tecnologia na fase escolar
Nesse cenário, a presença da tecnologia — e, mais recentemente, da inteligência artificial — traz novos desafios. A questão não é mais “se devemos ou não proibir”, mas sim “como educamos para o uso responsável dessas ferramentas”. Tecnologias como o ChatGPT, por exemplo, trazem novas camadas de complexidade a essa discussão. Hoje, os alunos podem gerar textos completos com poucos comandos ou até resolver problemas com apoio de assistentes virtuais.
Sem orientação, os alunos podem se acomodar a respostas prontas e terceirizar o pensamento. Cabe ao educador, nesse contexto, mediar o seu uso consciente, como: ensinar o estudante a refletir sobre a origem das informações, reconhecer vieses e avaliar fontes. Saber navegar criticamente pelo mundo digital tornou-se uma habilidade que deve ser ensinada, praticada e valorizada no cotidiano escolar.
Criar, errar, revisar: a importância do processo
Uma das formas mais eficazes de desenvolver pensamento crítico é valorizar o processo e não apenas o resultado. Incentivar os alunos a revisar suas ideias, buscar novas fontes, escutar colegas com argumentos diferentes e reformular seus pontos de vista ajuda a construir uma mentalidade mais aberta, reflexiva e investigativa.
Nesse cenário, a educação socioemocional cumpre um papel indispensável. Desenvolver pensamento crítico não é apenas uma questão cognitiva, mas também emocional: exige empatia para ouvir o outro, autorregulação para lidar com a frustração, abertura para reconhecer erros e coragem para sustentar ideias com responsabilidade.
Por isso, programas que integram o desenvolvimento socioemocional à rotina escolar, como o LIV, tornam-se aliados fundamentais para formar alunos mais conscientes de si, do outro e do mundo. Pensar criticamente também é sentir, escutar e se posicionar com ética e isso se aprende, todos os dias, no espaço da escola.