Coordenadores reorganizam o planejamento escolar com base em indicadores e estratégias inclusivas, como bilinguismo e neuroeducação
As escolas brasileiras iniciam o segundo semestre letivo de 2025 com um desafio claro: alinhar inovação pedagógica à diversidade dos estudantes. Para isso, redes de ensino têm investido em modelos de planejamento centrados em dados, personalização do ensino, formação continuada e inclusão de alunos neurodivergentes. Coordenadores pedagógicos assumem papel central nesse processo, utilizando indicadores educacionais e práticas de neuroeducação para reorganizar estratégias e garantir o progresso individual de cada estudante.
De acordo com a Rhema Neuroeducação, a leitura dos dados é o ponto de partida para transformar a experiência de aprendizagem. Durante o mês de julho, coordenadores e professores participaram de encontros formativos para revisar indicadores como frequência, engajamento, rendimento e evolução cognitiva dos alunos. O objetivo é ajustar o plano pedagógico com foco em resultados, acolhimento e desenvolvimento integral. Especialmente nos casos de estudantes com TEA, TDAH e outras condições neurodivergentes.
Esse movimento está alinhado às tendências internacionais. Segundo o relatório Education at a Glance 2023, da OCDE, o Brasil avança no uso de tecnologias, metodologias ativas e formação docente para atender às demandas do século 21. Personalização, protagonismo estudantil, bilinguismo e competências socioemocionais se consolidam como pilares para os próximos meses.
“A escola precisa se adaptar com estratégias baseadas em evidências, formação continuada e escuta ativa. Não basta planejar, é preciso transformar”, disse a neuropedagoga Mara Duarte da Costa, diretora pedagógica da Rhema.
Planejamento baseado em evidências e inclusão neurodivergente
O trabalho da Rhema evidencia uma mudança no papel do coordenador pedagógico, que atua como elo entre dados educacionais e práticas pedagógicas. “A leitura dos números precisa refletir o que acontece na sala de aula. Propomos ajustes respeitando o ritmo de cada aluno e as demandas dos docentes”, explicou Mara Duarte.
Entre as metodologias adotadas estão a Análise Comportamental Aplicada (ABA), o Atendimento Educacional Especializado (AEE), ambientes sensoriais e estratégias de neuroeducação ancoradas em neuroplasticidade e adaptação curricular. Essas abordagens buscam integrar inclusão e desempenho, respeitando diferentes formas de aprender.
Dados do IBGE e do Censo Escolar apontam que o número de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) mais que dobrou entre 2018 e 2021. Para Mara, esse cenário exige um novo olhar da escola: “Transformar o planejamento escolar não é trocar conteúdos. É repensar o jeito de ensinar.”
Com presença em mais de 20 países e mais de 90 mil alunos formados, a Rhema aposta na escuta sensível dos dados como motor de inovação pedagógica.
Protagonismo, bilinguismo e novas metodologias ganham espaço
Outro eixo de transformação no segundo semestre é o protagonismo estudantil. Plataformas adaptativas, trilhas personalizadas e avaliação formativa têm sido incorporadas para respeitar ritmos e interesses dos alunos, ampliando o engajamento e a autonomia.
Para Maria Claudia Amaro, fundadora da Rhyzos Educação, esse modelo é decisivo para a escola do futuro: “Estamos deixando para trás um ensino padronizado e reconhecendo o estudante como agente do próprio aprendizado.”
Além da personalização, o ensino bilíngue se fortalece como tendência. Segundo a Abebi (Associação Brasileira do Ensino Bilíngue), o número de escolas bilíngues cresceu mais de 60% nos últimos cinco anos, impulsionado por famílias que buscam uma formação global e oportunidades internacionais.
Metodologias como gamificação, aprendizagem baseada em projetos (PBL) e ensino híbrido também devem ganhar tração no segundo semestre. Essas estratégias incentivam o pensamento crítico, a colaboração e a conexão entre conteúdos e realidade.
“Uma escola inovadora precisa valorizar tanto o conhecimento quanto as relações humanas. É isso que sustenta o vínculo com os alunos e transforma o processo de aprender”, afirmou Maria Claudia.