Na coluna Engenharia Educacional, Marcel Costa reflete sobre método, propósito e preparo emocional na era da inteligência artificial
Dada a largada! Estudantes de todo o Brasil já estão focados na preparação para o Enem 2026 e os vestibulares. Novamente, reitero: não “vence” apenas quem estuda mais, mas quem estuda melhor, com método, consciência e equilíbrio. Com um adendo: o cenário atual está profundamente influenciado pela Inteligência Artificial (IA).
Este período não deve ser visto apenas como uma maratona de conteúdos, mas como um projeto de vida de médio prazo, com objetivos claros, propósito definido e estratégias adaptadas ao novo mundo digital.
Ao iniciar essa preparação, todo estudante precisa ter em mente que começa um processo no qual assume um projeto de formação intelectual e emocional, em um momento histórico marcado por profundas transformações na forma como aprendemos, nos relacionamos com o conhecimento e lidamos com a pressão por desempenho.
A ideia de que as provas do Enem ou dos vestibulares se resumem à memorização de conteúdos vem perdendo espaço há anos. Hoje, tanto o Enem quanto os principais processos seletivos do país exigem do estudante a capacidade de interpretar, relacionar informações, resolver problemas complexos e transitar entre diferentes áreas do conhecimento.
Esse movimento aproxima os exames das competências que o mundo contemporâneo demanda: pensamento crítico, autonomia intelectual e flexibilidade cognitiva. Por isso, iniciar a preparação com antecedência permite que o aluno construa uma base sólida, compreenda os conteúdos em profundidade e desenvolva repertório, em vez de apenas acumular informações.
Nesse novo contexto, a Inteligência Artificial surge como uma aliada poderosa do processo educacional. Longe de substituir o estudante ou o professor, a IA amplia as possibilidades de personalização da aprendizagem. Ferramentas inteligentes já são capazes de identificar lacunas específicas de conhecimento, sugerir revisões no momento mais adequado, ajustar o nível de dificuldade dos exercícios e diversificar formatos de estudo, tornando o aprendizado mais dinâmico e menos passivo.
Engenharia Educacional
Percebemos essas tendências e organizamos a forma como o conteúdo deve ser absorvido e introjetado, sempre com o auxílio de um “tutor”, que orienta, acolhe e respeita os ritmos, as necessidades e os interesses de cada aluno. Exatamente por isso, conseguimos atender de forma individualizada cada estudante, com um olhar profundo sobre os aspectos intelectuais e emocionais de cada um.
O que propomos, por meio da Engenharia Educacional, é orientar, compreender e organizar, com método, uma forma de equilibrar esses aspectos intelectuais e emocionais com o desenvolvimento de uma IA própria, cuja base foi criada a partir de informações reunidas de todos os exames, provas e testes realizados nos últimos anos, oriundos dos principais processos seletivos. Isso porque enxergamos, em sua essência, o Zeitgeist, o “espírito da época”.
Essa personalização tem impacto direto no engajamento. Quando o conteúdo dialoga com o universo do estudante, a aprendizagem ganha significado.
Quando o professor está atento a esse olhar do “espírito da época”, o auxílio ao estudante pode ser ainda mais significativo. Um exemplo: Um aluno que se interessa por esportes, como basquete, por exemplo, pode se deparar com exercícios de matemática baseados em estatísticas de jogos, análise de desempenho de atletas ou cálculos envolvendo probabilidades e médias. Ao conectar o conteúdo escolar à realidade e aos interesses pessoais, a tecnologia ajuda a manter a atenção, melhora a retenção do conhecimento e transforma o estudo em uma experiência mais ativa e relevante.
Por isso, preparar-se para vestibulares de alto rendimento, como são as provas para cursos de Medicina, exige mais do que estratégia intelectual. A dimensão emocional do processo é frequentemente subestimada, apesar de ser um dos principais fatores que determinam o sucesso ou o fracasso do estudante.
A jornada até o dia das provas é marcada por oscilações de motivação, resultados abaixo do esperado em simulados, comparação constante com colegas e uma pressão crescente à medida que os exames se aproximam. Sem preparo emocional, mesmo alunos bem-organizados podem perder rendimento.
Desenvolver maturidade emocional significa aprender a lidar com frustrações, entender o erro como parte do processo de aprendizagem e manter a constância mesmo nos períodos de desânimo. Significa também reconhecer limites, organizar o tempo de forma realista e construir uma relação mais saudável com o estudo.
Nesse aspecto, a própria tecnologia pode contribuir, ajudando na organização da rotina, no acompanhamento do progresso e na redução da sensação de descontrole que alimenta a ansiedade.
Há ainda um elemento central que sustenta todo esse processo ao longo do ano: o propósito. A preparação para o vestibular não se sustenta apenas por metas externas ou expectativas alheias. Quando o estudante compreende por que deseja determinada vaga, o que essa conquista representa para sua trajetória e quem ele pretende se tornar ao longo do caminho, o estudo deixa de ser uma obrigação e passa a ser um projeto pessoal. O propósito funciona como um eixo de sentido que atravessa as dificuldades, os momentos de cansaço e as inevitáveis incertezas.
Vale reafirmar que a preparação para o Enem e os vestibulares de 2026 reflete uma mudança mais ampla no próprio conceito de estudar. Hoje, é perfeitamente possível integrar inteligência acadêmica, emocional e tecnológica em um mesmo percurso. Ao final desse processo, a pergunta mais relevante talvez não seja apenas em qual instituição o estudante foi aprovado, mas que tipo de sujeito foi formado durante essa caminhada.
Você, professor, pode instigar seus alunos a refletirem se desejam apenas olhar para o “Moltbook”, nova rede social de interações entre agentes de inteligências artificiais, ou se querem ser protagonistas de suas próprias histórias neste espaço-tempo do agora. Zeitgeist!

Marcel Raminelli Costa é CEO da IntegralMind, professor e engenheiro formado na Poli-USP.










