Na Coluna Formação de Professores, Amábile Pacios analisa o potencial da PND como instrumento de diagnóstico e aprimoramento da qualidade docente
O Brasil deu um passo relevante ao oficializar, por meio de edital publicado no Diário Oficial da União, a realização da Prova Nacional Docente (PND) em 2025. Com aplicação prevista para o dia 26 de outubro, a avaliação busca aferir a formação de professores da educação básica em fase final de curso e recém-formados. Esta iniciativa, também conhecida como “Enem dos Professores”, reflete um movimento estratégico do Ministério da Educação para fortalecer a formação inicial e ampliar a compreensão nacional sobre o perfil dos futuros educadores.
A prova não será obrigatória, tampouco terá caráter classificatório. Ao contrário, posiciona-se como instrumento diagnóstico e voluntário, com o objetivo de oferecer dados que orientem políticas públicas e decisões institucionais de formação docente. A inscrição gratuita e a amplitude do conteúdo — que envolve conhecimentos pedagógicos, específicos da área de atuação e práticas de ensino — demonstram o esforço do MEC em construir uma visão integrada da qualidade da formação docente no país.
Essa iniciativa é coerente com o que defendemos há anos: é impossível alcançar uma educação de qualidade sem investir na base de sustentação do sistema educacional, que é o magistério. A valorização da carreira docente deve começar na formação inicial, e essa valorização passa também pela construção de parâmetros que permitam avaliar, com justiça e propósito, os caminhos trilhados pelas instituições formadoras.
A PND poderá contribuir para que o Brasil conheça, de forma sistematizada, as competências desenvolvidas por quem se prepara para a sala de aula. Os resultados esperados, ainda que não vinculantes, poderão fomentar melhorias nos currículos dos cursos de licenciatura, ajudar na revisão de políticas de estágio supervisionado, e, sobretudo, contribuir para o debate nacional sobre os desafios e potencialidades da formação docente.
É importante ressaltar que a prova respeita a diversidade das instituições e dos contextos locais. Por isso mesmo, precisa ser acompanhada com responsabilidade, diálogo e transparência. A escuta ativa dos atores educacionais — universidades, redes de ensino, conselhos, associações — será essencial para garantir que esse diagnóstico não se transforme em um instrumento de ranqueamento, mas sim em um recurso de aprimoramento e fortalecimento do pacto pela educação.
Se bem conduzida, a Prova Nacional Docente poderá ocupar um lugar nobre entre as políticas públicas brasileiras: o de contribuir para que cada professor em formação seja reconhecido, acolhido e preparado para transformar, com conhecimento e empatia, a vida de milhares de estudantes.

Amábile Pacios é vice-presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) e ex-conselheira Nacional de Educação, com atuação destacada na Câmara de Educação Básica. Educadora com mais de 30 anos de experiência, é autora de livros didáticos e presidente do Grupo Educacional Dromos. Reconhecida por sua liderança no setor educacional, recebeu o título de Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito Educativo em 2022, em homenagem aos seus serviços prestados à educação brasileira.