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Integração entre inteligência artificial e robótica estimula pensamento crítico, criatividade e protagonismo dos estudantes

Henrique Nóbrega*

Muito se fala sobre a velocidade com que a inteligência artificial (IA) vem evoluindo e sobre o impacto que terá em todos os setores da sociedade. No campo da educação, por exemplo, essa discussão é ainda mais sensível. Afinal, se a IA já é capaz de escrever textos, resolver problemas complexos e até tomar decisões autônomas, por que continuar robótica nas escolas e cursos extracurriculares?

A resposta pode parecer contraintuitiva, mas é simples: quanto mais a IA avança, mais essencial se torna o ensino de robótica. A robótica educacional não é apenas um primeiro contato com máquinas e sistemas automatizados, ela é um verdadeiro laboratório de habilidades humanas e tecnológicas indispensáveis para o presente e futuro.

De acordo com um estudo do Centro Universitário Eniac, a sinergia entre IA e robótica tem se mostrado uma das frentes mais potentes da transformação digital. No entanto, esse mesmo estudo também aponta que, sem o fator humano, ou seja, sem o desenvolvimento de pensamento crítico, criatividade e capacidade de resolução de problemas, a tecnologia perde parte de seu propósito.

A robótica, nesse contexto, vai muito além da construção de dispositivos com sensores e motores. Ela ensina como pensar de forma crítica, estruturar soluções, trabalhar em equipe e, principalmente, como programar e controlar tecnologias que, assim como a IA, operam a partir de dados e lógica. Quando uma criança monta e programa um robô, ela está não só aprendendo conceitos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, mas também desenvolvendo uma visão de mundo orientada para inovação e protagonismo.

É fundamental entender que a IA é uma ferramenta. E como qualquer ferramenta poderosa, ela precisa de operadores preparados, éticos e conscientes. A educação é um dos primeiros passos para formar essa nova geração de operadores: pessoas capazes de compreender, criar e melhorar tecnologias de forma ativa e não apenas consumi-las passivamente.

Na Ctrl+Play, rede de escolas de tecnologia especializada em programação e robótica para crianças e adolescentes, por exemplo, é possível identificar que alunos que aprendem sobre tecnologia desenvolvem autonomia e pensamento computacional desde cedo. Eles serão os futuros profissionais que vão trabalhar lado a lado com sistemas de IA, contribuindo com uma perspectiva humana que nenhuma máquina é capaz de oferecer sozinha.

Além disso, as aulas favorecem um aprendizado “mão na massa” e lúdico, estimulando o engajamento e a curiosidade natural dos estudantes. Em vez de apenas falar sobre algoritmos e teorias, eles podem vê-los em ação, em vez de apenas estudar lógica, eles a aplicam para resolver problemas reais. E esse processo, mais do que técnico, é profundamente pedagógico.

Em um mundo onde a inteligência artificial avança a cada dia, a robótica educacional é o treinamento que prepara as mentes humanas para comandar essa tecnologia — e não apenas segui-la. Enquanto a IA simboliza o salto tecnológico, a robótica garante que haja pessoas capazes de dar direção a esse salto. Ignorar seu ensino seria como abrir mão de ensinar leitura em uma sociedade que vive de interpretar códigos. O futuro da educação será, inevitavelmente, tecnológico — mas, acima de tudo, continuará sendo humano. E é nessa interseção que a robótica se torna indispensável.

_*Diretor da _Ctrl+Play

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