Para iniciar 2026, a Coluna do LIV laça um olhar sobre saúde mental, hiperconectividade e o papel da escola na formação digital de crianças e jovens
Vivemos em um tempo em que telas, aplicativos e plataformas digitais atravessam praticamente todas as dimensões da vida, inclusive as relações sociais e os processos de aprendizagem. Na escola, por exemplo, boa parte das interações entre os alunos acontece por meio das tecnologias digitais.
Esse cenário influencia bastante a forma como crianças e adolescentes constroem sua percepção de mundo e de si mesmos. Por isso, estimular o uso consciente da internet deixa de ser apenas uma orientação pontual e passa a ser uma responsabilidade educativa. Mas como promover essa consciência em um mundo marcado pela hiperconectividade?
Os impactos da conectividade excessiva
O tempo de exposição às telas e a qualidade dos conteúdos consumidos são fatores decisivos para compreender os efeitos da tecnologia na saúde mental. As notificações constantes, os vídeos curtos e as dinâmicas das redes sociais ativam mecanismos psicológicos ligados à busca por recompensas imediatas.
Com o tempo, isso pode dificultar o desenvolvimento da autorregulação emocional, da paciência e da capacidade de lidar com frustrações.
Não é à toa que o termo brain rot (algo como “apodrecimento cerebral”) foi eleito a palavra do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford. A expressão descreve a sensação de desgaste cognitivo associada ao consumo excessivo de conteúdos superficiais e pouco desafiadores.
Esse tipo de consumo não afeta apenas a atenção e o pensamento crítico, mas também favorece comparações constantes, que podem gerar sentimentos de inadequação, insegurança e baixa autoestima.
Além disso, o uso intenso de dispositivos digitais pode interferir na qualidade do sono, aumentar a irritabilidade e intensificar quadros de ansiedade. Esses impactos reforçam a necessidade de uma reflexão crítica sobre como e para quê utilizamos a tecnologia, principalmente no contexto educacional.
Desacelerar é desafiador, mas é possível
Mesmo quando reconhecemos alguns sinais de cansaço mental, reduzir o ritmo digital nem sempre é simples. Vivemos em uma cultura que valoriza a rapidez, a produtividade e a atualização constante e esses valores também se refletem nas dinâmicas escolares.
Sendo assim, é muito importante criar espaços para pausar, sentir desconfortos e refletir sobre a própria relação com a tecnologia. E essas habilidades são essenciais não só para os alunos, mas também para os educadores. Assim é possível construir ambientes de aprendizagem mais saudáveis e promover qualidade de vida de forma ampla.
Cidadania digital como caminho para o uso consciente
Falar em cidadania digital vai além de estabelecer regras sobre o uso da internet. Trata-se de promover consciência, responsabilidade e pensamento crítico sobre como nos conectamos, nos comunicamos e nos posicionamos no ambiente virtual.
Inclusive, a cidadania digital também é prevista pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e pode ser trabalhada de forma transversal, ampliando a formação socioemocional dos estudantes e fortalecendo competências que extrapolam os conteúdos tradicionais.
Assim, o papel do educador não se limita a impor limites, mas envolve a construção de diálogos contínuos sobre como a tecnologia pode ser uma aliada da aprendizagem e do bem-estar (sem comprometer aspectos essenciais da vida emocional).
Ao incentivar espaços de escuta e práticas reflexivas sobre a vida digital, educadores apoiam seus alunos no desenvolvimento da autonomia, da empatia e de escolhas mais conscientes no uso das tecnologias.

O LIV te ajuda a colocar a Cidadania Digital em prática
Para o LIV, a Cidadania Digital não é um tema isolado: ela faz parte da formação integral dos estudantes. Afinal, nossas emoções, relações e valores também estão presentes no ambiente digital.
Para aprofundar essas discussões, o LIV lançou a série Cidadania Digital em 1 Minuto, com vídeos e reflexões pensadas principalmente para educadores — com temas como adultização, fake news, violência online, jogos digitais, privacidade e muito mais.
Ao acessar a série, você desbloqueia gratuitamente a cartilha completa de Cidadania Digital, com propostas de atividades para sala de aula, além de conhecer em primeira mão o novo currículo do LIV para 2026.










