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Encontro reuniu pensadores, educadores, pesquisadores e figuras públicas em torno do debate sobre escuta e saúde socioemocional

Em um dia dedicado a celebrar os encontros, as emoções e os aprendizados, o 6º Congresso Socioemocional LIV reuniu, no Vivo Rio, no último dia 21, vozes que fazem pensar e sentir. Os 10 anos de história do LIV foram transformados em reflexões sobre o presente e o futuro da infância. Caio Lo Bianco, fundador do LIV, emocionou a plateia com mais de 1.600 educadores do país inteiro ao lembrar a trajetória construída ao longo de uma década.

“Quando começamos, falar de educação socioemocional parecia algo distante, quase complementar. Hoje, sabemos que não existe educação de verdade sem cuidar das emoções. Esses dez anos são só o começo de um caminho que não tem mais volta: formar seres humanos inteiros, conscientes de si e do outro”, destacou.

No centro desse movimento, o psicólogo social Jonathan Haidt trouxe uma provocação urgente e delicada: como proteger crianças e adolescentes dos impactos de um mundo hiperconectado, sem perder de vista a beleza dos vínculos, da presença e da escuta?

  • Jonathan Haidt alerta sobre impactos das redes na infância

Também passaram pelo palco vozes inspiradoras como a juíza da Infância e Juventude do Rio, Vanessa Cavalieri, o pediatra Daniel Becker, a psicanalista Fernanda Costa Moura e Caio Lo Bianco. Juntos, ajudaram a aprofundar uma reflexão necessária a quem educa: como garantir uma infância mais saudável em meio a tantos desafios?

Ainda contribuíram com discussões sobre a potência da palavra e da escuta, o escritor moçambicano Mia Couto, o romancista e professor Jeferson Tenório e o o advogado e educador Joaquim Falcão. Orgulho da nação, as ex-atletas de alto rendimento, Fabi Alvim e Daiane dos Santos também estiveram no evento como convidadas da primeira gravação ao vivo do videocast do LIV, “Sinto que lá vem história”, aproximando educação, habilidades socioemocionais e esporte.

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Mas a grande novidade do dia foi o lançamento do Currículo de Cidadania Digital do LIV – uma proposta pioneira que busca apoiar escolas, educadores, famílias e estudantes a lidarem, de forma crítica, ética e saudável, com os desafios do mundo digital. Apresentado por Renata Ishida, psicóloga e gerente pedagógica do LIV, e Joana London, diretora pedagógica no LIV, o material chega como resposta concreta às reflexões trazidas pelo Congresso sobre os impactos da hiperconectividade na infância e na adolescência.

“O digital não é mais um espaço à parte da vida. Ele é a própria vida. Por isso, ensinar crianças e jovens a se relacionarem com responsabilidade, cuidado e consciência nesse ambiente é urgente”, destacou Renata. Joana completou: “Cidadania digital não é só sobre segurança na internet. É sobre empatia, respeito, autocuidado, pensamento crítico e responsabilidade coletiva. E tudo isso começa na escola”.

Congresso Socioemocional reúne mais de 1,6 mil educadores no Vivo Rio

Ao longo do dia, o Congresso convidou os participantes a vivenciarem o que o LIV defende há uma década: cuidar das emoções é parte essencial do processo de aprender. E a cada fala, uma certeza se desenhava no ar: proteger a infância é uma tarefa coletiva. E ela não cabe só às famílias ou às escolas — é responsabilidade de todos.

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A juíza Vanessa Cavalieri reforçou isso ao falar sobre os desafios legais e sociais que envolvem crianças e adolescentes no Brasil. Já Daniel Becker frisou que “a infância precisa de tempo, de natureza, de vínculo e de presença”. E Mia Couto, com sua poesia que atravessa fronteiras, lembrou que “educar é, antes de tudo, um exercício de humanidade”.

A psicanalista Fernanda Costa Moura costurou suas falas com um convite urgente: “Cuidar das emoções não é um extra. É essencial. O que construímos aqui hoje não é um evento, é um movimento”. E o escritor Jeferson Tenório, em uma fala potente, lembrou que “quando uma criança lê o mundo com outros olhos ela descobre que não precisa ser aquilo que disseram que ela seria. A educação é, antes de tudo, um ato de esperança”.

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Mas não foram só os especialistas que trouxeram reflexões potentes. No palco, a ginasta Daiane dos Santos emocionou ao falar sobre como o esporte foi sua grande escola de vida. “Quando uma criança percebe que é capaz, que pode errar e tentar de novo, ela carrega isso para qualquer lugar. Educação socioemocional é isso: ensinar que a gente pode cair, mas também pode levantar”, disse, com a mesma leveza de quem um dia encantou o mundo com um salto perfeito.

A ex-jogadora de vôlei e medalhista olímpica Fabiana Alvim também trouxe sua vivência, lembrando que a potência do trabalho em equipe vai muito além das quadras. “Ninguém cresce sozinho. Aprender a confiar no outro, a se comunicar, a respeitar as diferenças; tudo isso é treino para a vida. E a escola é esse primeiro time que a gente aprende a jogar junto”, destacou.

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