Neste mês, Constanza Hummel mapeia sete forças que estão mudando o jeito de aprender nas empresas — e mostra como o T&D pode acompanhar essa transformação com mais impacto e relevância
O mundo do trabalho já mudou e segue se transformando a passos largos. O trabalhador já mudou: gerações, necessidades e expectativas muito diferentes. A consequência é um jeito de aprender que vem mudando com a chegada de novos objetivos, métodos, conceitos, recursos e métricas. Mas… e o T&D?
A grande maioria ainda está operando com a mesma lógica de “levantar demandas, montar soluções, medir NPS” — a triste notícia é que isso não será suficiente para manter as empresas relevantes, as pessoas empregáveis e a inovação pulsando.
O relatório Retraining and Reskilling Workers in the Age of Automation (McKinsey, 2023) mostra que 82% dos executivos sabem que precisam investir em requalificação… mas só 16% se sentem preparados. Já o Future of Jobs 2023 (WEF) antecipa que 44% das habilidades atuais serão impactadas até 2027. Ou seja: o tsunami já vem vindo — e muita gente ainda está se perguntando se precisa subir a montanha. O que está em jogo é o papel do T&D como motor de transformação e a sua relevância organizacional.
Dessa maneira, pesquisando os impactos de muitas das mudanças que o mundo do trabalho está vivendo, e o que elas exigem em termos de capacitação e desenvolvimento, cheguei a 7 forças ativas que precisamos levar em consideração para pensar, decidir e agir o T&D contemporâneo. Ignorá-las é um risco que nenhuma organização pode correr.
1.Inteligência Artificial no centro do jogo
Não é exagero: o conhecimento saiu das salas e foi para os sistemas. Com IA generativa, copilotos de produtividade, tutores digitais e conteúdo hiper segmentado, o papel do formador muda — e muito. Quem ainda acha que o valor está na apresentação de PowerPoint precisa urgentemente apertar F5 na sua atuação.
2.LIFOW – Learning in the Flow of Work
Aprender precisa acontecer no fluxo do trabalho, não somente na pausa, ritualizado. A lógica dos 70% (do 70:20:10) precisa sair do discurso e entrar no design das soluções. E para isso temos dois grandes desafios:
- Ter a aprendizagem tão integrada no cotidiano quanto o e-mail ou o WhatsApp do time.
- Despertar nos colaboradores a sonhada autonomia na aprendizagem com eles cocriando e a frente do seu desenvolvimento.
3.Novos modelos de carreira, não mais por cargos
Estrutura em Y, W, carreira em mosaico, por projetos, freelancers CLT… O RH já está se reinventando. E o T&D? Precisa construir jornadas de aprendizagem baseadas em competências, não em organogramas.
4.Cultura de dados
Acabou o tempo do “achômetro”. Decisão de T&D precisa vir de dados reais e gerar insights acionáveis. Não é só medir satisfação e NPS — é provar impacto, identificar gaps e gerar inteligência para o negócio.
5.Aprendizagem hiperpersonalizada
A régua única não serve mais. Conteúdos, trilhas e experiências precisam conversar com diferentes contextos, perfis e maturidades. T&D tem que pensar como um designer: centrado no usuário – Trainner Experience.
6.Microcertificações
Competência validada > horas de curso. Microcertificações são a resposta para um mundo que exige formação ágil, prática e aplicável. O certificado precisa dizer mais do que “ele esteve presente”.
7.Multigerações e múltiplas expectativas
Nunca tivemos tanta diversidade de idade, cultura e visão de mundo no mesmo ambiente de trabalho. Isso exige empatia, escuta ativa e formatos plurais de desenvolvimento.
E qual é o impacto disso tudo?
O impacto é tão profundo que chega a doer não agir. Porque o que está em jogo não é apenas “engajar nos treinamentos” — é transformar negócios, carreiras, clientes e a sociedade.

O que você e seu time decidirem fazer hoje definirá o valor que a empresa vai gerar amanhã. São estas decisões que farão de você o motor da transformação ou o freio de mão puxado da sua organização. A escolha — e a responsabilidade — estão nas suas mãos.

CEO e fundadora da Building 8. Empreendedora com mais de 20 anos de carreira na área de treinamento e desenvolvimento, fundou em 2012 a Building 8 com o propósito de apoiar empresas e profissionais a alcançarem todo o seu potencial, por meio de estratégias e experiência de aprendizagem.