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Após fusão com a SuperAutor, edtech expande operação para o mercado norte-americano e integra leitura, escrita, avaliação e inteligência artificial

A expansão internacional da Árvore ganhou escala após a fusão com a SuperAutor, anunciada em dezembro de 2025. A edtech informa já ter 150 escolas parceiras confirmadas nos Estados Unidos e impactado 30 mil estudantes no país.

No Brasil, a empresa afirma atender cerca de 11 mil escolas e ter alcançado mais de 4 milhões de estudantes. A expansão ocorre em um momento de desafios persistentes para a alfabetização, a compreensão textual e o desenvolvimento da escrita na educação básica.

A fusão ampliou a proposta da Árvore ao reunir soluções de leitura, escrita e avaliação em uma mesma jornada de aprendizagem. A empresa também incorporou anteriormente negócios como Guten, Typper e A Taba, em uma estratégia de crescimento baseada em aquisições.

Com a nova configuração, a plataforma passou a combinar diagnóstico, curadoria de conteúdos, práticas pedagógicas e dados de aprendizagem. A proposta busca apoiar professores na identificação das necessidades dos estudantes e no acompanhamento de sua evolução.

A expansão para os Estados Unidos é apoiada pela Potencia Ventures, investidora da empresa. Segundo a Árvore, o movimento representa uma nova etapa de crescimento e amplia a atuação da edtech para além do mercado brasileiro.

Fusão amplia jornada de leitura e escrita

A integração com a SuperAutor alterou o escopo da plataforma ao aproximar duas dimensões tradicionalmente trabalhadas de forma separada. A leitura passa a se conectar à produção escrita dentro de uma jornada que também incorpora avaliação e acompanhamento de aprendizagem.

João Leal, cofundador e CEO da Árvore, afirma que a integração permite reunir diagnóstico, curadoria, prática pedagógica e evidências de aprendizagem. Segundo o executivo, a proposta busca oferecer aos professores informações para decisões mais personalizadas sobre cada estudante.

A trajetória da empresa começou em 2014, com foco na ampliação do acesso aos livros. Ao longo dos anos, a estratégia passou a incluir outras soluções educacionais e aquisições, até chegar à fusão com a SuperAutor.

O movimento também adiciona uma dimensão de autoria à experiência de leitura. Por meio da SuperAutor, estudantes podem participar da produção de seus próprios livros, conectando leitura e escrita a uma experiência de criação.

Para a educação básica, essa integração responde a uma questão recorrente: como transformar o contato com livros em desenvolvimento efetivo de competências leitoras e escritoras. A plataforma busca fazer essa conexão por meio de dados, acompanhamento e atividades pedagógicas.

Segundo a Potencia Ventures, a empresa chamou atenção do grupo pelo potencial de crescimento e pela possibilidade de reunir produtos complementares. A investidora também destaca a ampliação da atuação junto a escolas públicas e privadas.

Crédito imagem: Divulgação/Árvore

João Leal, CEO e fundador da Árvore (Crédito imagem: Divulgação/Árvore)

Inteligência artificial transforma dados em recomendações

A inteligência artificial ocupa outra frente da expansão tecnológica da Árvore. Segundo a empresa, os recursos são utilizados em diferentes etapas da jornada, desde recomendações de livros até o acompanhamento do desenvolvimento dos estudantes.

Na leitura, algoritmos apoiam a recomendação de títulos considerando o nível de fluência leitora. A plataforma também utiliza recursos de inteligência artificial na curadoria de acervos destinados às escolas, buscando aproximar conteúdos dos diferentes perfis de estudantes.

Na escrita, ferramentas de reconhecimento óptico de caracteres permitem digitalizar textos manuscritos e realizar correções automáticas. A tecnologia pode reduzir tarefas operacionais dos professores e ampliar o acesso aos registros produzidos pelos estudantes.

A plataforma também reúne o ReadAloud, recurso de leitura narrada em português e inglês, e a Flora, assistente pedagógica baseada em inteligência artificial. A empresa apresenta a ferramenta como apoio aos educadores na interpretação de dados e na definição de encaminhamentos pedagógicos.

A utilização de IA, nesse modelo, não aparece apenas como recurso de geração de conteúdo. O foco está na transformação de dados produzidos durante a aprendizagem em informações que possam orientar decisões pedagógicas.

Esse movimento coloca uma questão relevante para o uso educacional da tecnologia. O ganho não depende apenas da quantidade de ferramentas disponíveis, mas da capacidade de integrá-las ao trabalho docente sem substituir a análise profissional sobre cada estudante.

Expansão internacional acompanha estratégia de escala

A operação nos Estados Unidos representa uma mudança importante na escala pretendida pela Árvore. A empresa informa que já alcançou 30 mil estudantes no país e confirmou mais de 150 escolas parceiras desde o início da expansão.

A estratégia internacional é acompanhada pela meta declarada de chegar a mais de 10 milhões de estudantes. João Leal afirma que a empresa pretende construir uma operação integrada entre Brasil e Estados Unidos para ampliar esse alcance.

O movimento ocorre com apoio da Potencia Ventures, que investe em negócios de impacto relacionados à educação e à empregabilidade. A relação com a Árvore começou em 2021 e ganhou novos desdobramentos com a integração da SuperAutor e a expansão internacional.

A expansão também coloca a empresa diante de desafios diferentes dos encontrados no mercado brasileiro. Leitura, escrita, avaliação e tecnologia precisam ser adaptadas a sistemas educacionais, currículos e práticas escolares de outros contextos.

No Brasil, a Árvore chega a essa etapa com uma base já consolidada, segundo os números divulgados pela própria empresa. A combinação entre expansão internacional e integração de soluções mostra uma estratégia que busca transformar uma plataforma inicialmente centrada na leitura em uma jornada mais ampla de aprendizagem.

O avanço da Árvore nos Estados Unidos também evidencia uma tendência do mercado de edtechs: soluções digitais passam a combinar conteúdo, avaliação, dados e inteligência artificial em plataformas integradas. O desafio, para essas empresas, é fazer com que essa integração produza valor pedagógico efetivo para escolas, professores e estudantes.

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