Com investimento de R$ 21 milhões, edtech projeta expansão na América Latina e reforça seu papel estratégico para escolas e redes
O mercado educacional brasileiro ganhou um novo sinal de confiança no potencial das edtechs. A Layers, criadora do SuperApp da Educação e referência em soluções de gestão e integração tecnológica, anunciou a captação de R$ 21 milhões em rodada pré-série A, liderada pelo fundo canadense Constellation. O movimento elevou o valuation da empresa para R$ 120 milhões e reacendeu a discussão sobre a relevância das startups de educação como aliadas na transformação digital das instituições de ensino.
A transação incluiu ainda a recompra das cotas adquiridas pela Faber-Castell em 2022, consolidando autonomia estratégica aos fundadores. Mais do que capital, a rodada traz uma mensagem importante ao setor: mesmo em um cenário de cautela, investidores internacionais enxergam valor na maturidade e na solidez financeira da edtech brasileira.
Fundada em 2018, a Layers atua hoje em mais de 9 mil instituições públicas e privadas, alcançando cerca de 3,5 milhões de estudantes. Sua plataforma centraliza soluções digitais em um único ambiente, com interoperabilidade e neutralidade, reduzindo custos, ampliando eficiência e fortalecendo a liberdade de escolha das escolas.
“Com a nova rodada, entramos em uma fase de aceleração, mantendo nossa filosofia de interoperabilidade e neutralidade. Seguimos como um hub que conecta escolas, famílias e edtechs, promovendo eficiência no ecossistema e transformando a tecnologia em aliada das instituições de ensino”, disse Danilo Yoneshige, CEO da Layers.

O CEO Danilo Yoneshige (à esq.) e Ivan Seidel, cofundadores da Layers (Foto: Divulgação)
Credibilidade das edtechs em pauta
O anúncio chega em um contexto de recuperação para o setor. Após o chamado “inverno das startups”, a Layers foi uma das poucas edtechs que priorizou sustentabilidade financeira, atingindo breakeven em 2023 e superando 30% de EBITDA em 2024. Esse desempenho reforçou a credibilidade da empresa junto ao mercado, permitindo negociar sem a pressão por capital imediato.
Para gestores, esse cenário traz um recado claro: as edtechs que sobrevivem à volatilidade do ecossistema são aquelas que aliam inovação a governança sólida. No caso da Layers, o crescimento sustentável se transformou em ativo estratégico, demonstrando como a tecnologia pode ser incorporada com segurança ao ambiente educacional.
Ao mesmo tempo, a rodada evidencia a confiança internacional no mercado brasileiro de educação, cada vez mais visto como espaço fértil para inovação e transformação digital. Para instituições de ensino, acompanhar essa movimentação é também observar quais soluções têm consistência para se manter relevantes a longo prazo.
Expansão e parcerias estratégicas
O plano agora é de aceleração. A Layers projeta dobrar de tamanho nos próximos dois anos, chegando a R$ 40 milhões em faturamento e consolidando presença na América Latina, onde já opera no México e na Argentina. As aquisições de startups complementares estão no radar, fortalecendo o ecossistema conectado pelo SuperApp da Educação.
Um passo importante nesse caminho já foi dado em março de 2025, com a parceria estratégica com a Clever, maior plataforma educacional do mundo, que ampliou para mais de 4 mil as edtechs disponíveis às instituições atendidas pela Layers. Para gestores, isso significa acesso a um portfólio global de soluções, de forma integrada e com segurança de dados.
Esse movimento reforça a capacidade da edtech de atuar como catalisadora de inovação, articulando diferentes serviços e tecnologias em favor da eficiência e da qualidade da aprendizagem. Mais do que uma startup de tecnologia, a Layers se posiciona como parceira estratégica para escolas e redes, com a missão de reduzir a fragmentação digital e dar escala à inovação educacional.










