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Como educar e orientar nativos digitais em um cenário de distração permanente, desatenção crônica e hiperconexão, sem perder vínculo, propósito e humanidade

Fabio Toledo*

A meu ver, a tecnologia jamais será capaz de substituir os professores. Mas aqueles que a ignoram podem ficar para trás! Que tal levar inovação e tecnologia para a sala de aula, com responsabilidade e propósito, e educar pelo exemplo? As inteligências tecnológica, criativa e empreendedora dos alunos, assim como a de seus educadores, podem e devem ser direcionadas a favor da educação.

Diferentemente dos nativos digitais, muitos professores perderam o domínio da tecnologia, limitando-se a usuários, consumidores, curtidores e compartilhadores de conteúdo. Além de desperdiçarem sua autonomia, recursos didáticos e oportunidades, tornaram-se “ciberinocentes”, as vítimas perfeitas dos criminosos digitais.

Oferecer um ambiente de aprendizagem envolvente e empoderar instituições de ensino e educadores digitalmente se apresentam como opções promissoras para preparar indivíduos para um futuro onde o uso da tecnologia seja aliado à cidadania e civilidade digital, bem como à inclusão, ao afeto e à humanização das relações.

Como educar e orientar crianças e adolescentes no século XXI sem direcionar suas inteligências tecnológica, criativa e empreendedora? Sem prepará-los para as ameaças e oportunidades do universo digital e para ter uma relação saudável com a tecnologia e experiências digitais empoderadas de forma responsável?

O desafio vai além de vigiar ou proibir: é preciso ser exemplo, educar e direcionar inteligências tecnológica, criativa e empreendedora com empatia, sabedoria, segurança e propósito. A mesma tecnologia que gera ameaças, distrai, afasta e vicia pode ser direcionada para inovar, incluir, melhorar o rendimento escolar, aliar a teoria à prática, inclusive de forma interdisciplinar, e para reconstruir laços, conexões ao mundo real e preparar indivíduos para um futuro mais humano.

Estamos diante de uma geração com potencial natural para ir além de usuários, para se tornarem inventores e criadores ativos de conhecimento e tecnologia. Mas, isso precisa ser direcionado com responsabilidade, sabedoria e propósito.

À medida que a tecnologia evolui, é essencial que, além dos professores, crianças e adolescentes desenvolvam, progressivamente, habilidades tecnológicas relevantes, de forma orientada, para expressarem suas ideias e projetos, compreenderem temáticas e se conectarem de forma inclusiva, consciente, ética e direcionada.

O pacote Office evoluiu. As facilidades tecnológicas e seu acesso facilitado tornam possível ir além dos slides para se expressar digitalmente no século XXI. A criação de tecnologias e a expressão digital podem se tornar as “massinhas de modelar” dos nativos digitais. Isso possibilita novas formas de expressar ideias e projetos, tornando-os ainda mais concretos, e tende a facilitar a compreensão de conceitos e temáticas especializadas. A capacidade de se expressar digitalmente, inclusive por meio da criação de tecnologias, tende a fazer parte das atividades corriqueiras da maioria das profissões e negócios do futuro.

A família e a escola têm papel fundamental na formação gradativa e no direcionamento das inteligências tecnológica, criativa e empreendedora dos nativos digitais, para que se tornem não apenas os profissionais e líderes do futuro, mas cidadãos conscientes, responsáveis, críticos e criativos. Protagonistas digitais empoderados e capazes de aproveitar o melhor da era digital e de colocar a mão na massa para inovar e fazer acontecer, sem cair nas armadilhas invisíveis das vias digitais.

*Professor, sócio-fundador da I9group e autor do livro “Conduzindo nas Vias Digitais

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