Escolas precisam investir na formação dos profissionais e dar oportunidade para que eles se posicionem contra o racismo
A educação antirracista promove a equidade ao propor práticas e políticas para combater a discriminação racial e incluir e valorizar as histórias, culturas e contribuições dos diferentes povos. Em uma nação como o Brasil, que sofreu e ainda sofre as mazelas do racismo, as escolas terem esse entendimento e se posicionarem como antirracistas é fundamental.
“Achar que isso é ‘página virada’ é tentar ignorar a raiz dos problemas sociais do nosso país. Dos seus 524 anos, 388 foram de escravização do povo negro”, afirmou a educadora, escritora e psicanalista Janine Rodrigues, especialista em diversidade, letramento racial, relações étnico-raciais e antirracismo.
Janine salientou que não é preciso falar somente a partir de um lugar de dor, pois a história do povo negro não começou na escravização, tampouco se encerrou nela. “Por isso, falar da nossa história, das criações, contribuições, intelectualidades e ciências é essencial para construir em nossas crianças, negras e brancas, um pensamento que visibilize o negro como ser humano dotado de todas as capacidades”, disse a educadora.
Educação antirracista na pauta do GEduc 2025
Mas, para além do âmbito pedagógico, a perspectiva antirracista deve perpassar todas as ações e iniciativas das instituições de ensino. Por exemplo, a gestão de pessoas. As escolas precisam garantir que o ambiente será antirracista, mas, para isso, ela precisa de pessoas assim. Os indivíduos estão diretamente implicados no processo.
Janine Rodrigues vai falar sobre “Construindo pontes: o papel da educação antirracista na gestão de pessoas” no GEduc 2025, principal Congresso de Gestão Educacional do país. “Espero vocês no GEduc para um momento de muito afeto e reflexões sobre equidade racial e seus impactos na educação de todos e todas”, disse Janine.
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O GEduc é realizado pela HUMUS Educação. O evento reunirá mais de 70 palestrantes e 800 congressistas de 26 a 28 de março para uma imersão ao redor do tema central “A revolução da educação é hoje! Juntos para inovar e inspirar”. O educador21 é apoiador e parceiro produção de conteúdo do evento. As inscrições para o GEduc 2025 já estão abertas.
Comunidade, senso de responsabilidade e CPF antirracista
Nesse contexto, Janine tem falado sobre o “CPF antirracista”. É um termo que ela criou para dizer que uma pessoa que quer ser antirracista o faz porque ela própria reconhece essa necessidade. “Um bom professor antirracista não é antirracista só quando está no exercício de sua função. Ele é antirracista e, ao ser educador, é um educador antirracista”, exemplificou.
A especialista sugere dar às pessoas oportunidades de serem antirracistas – de atuarem, de se posicionarem, de tomarem decisões necessárias para o antirracismo. “Se elas fizerem isso, a gestão de pessoas terá muitas chances de ter sucesso.”
Janine também traz a ideia de que a escola é uma comunidade. Isso significa que o resultado é o trabalho – ou a falta de trabalho – de todos. A educadora lembra de um ditado africano que diz ”é preciso toda uma aldeia para educar uma criança”.
“Ou seja, não é só a escola da aldeia. Nem só as casas ou só os gestores da aldeia. É a aldeia toda. E cada um é responsável pelo que fala e pelo que ouve. Ver, ouvir e não se mobilizar pode ser tão grave quanto falar algo inapropriado. O senso de responsabilidade é fundamental.”
Segundo Janine Rodrigues, o principal benefício da educação antirracista é reconhecer a humanidade das pessoas. “A humanização passa pela capacidade de enxergar humanidade em si e no outro. Toda a sociedade ganha com o antirracismo.”
Mas, além disso, há um ganho imaterial e imensurável, que é a justiça. “Para isso, é preciso conhecer a própria história e ressignifica-lá onde for preciso. Por outro lado, não olhar para isso é repetir as atrocidades do passado, de um passado recente e pulsante”, afirmou a pesquisadora do tema.