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Como o ecossistema britânico de edetechs combina governo, mercado e escolas para impulsionar inovação estruturada e inspirar caminhos ao Brasil

Lars Janer*

Para o empresário e educador brasileiro que busca o futuro da aprendizagem, a resposta pode não estar em uma única tecnologia, mas em um modelo de ecossistema. O Reino Unido, um dos maiores polos de tecnologia educacional (EdTech) do mundo, oferece um exemplo consolidado de como inovar de forma sistêmica.

Com a aproximação da Bett Londres 2026, entender a arquitetura por trás do sucesso britânico é a chave para traduzir tendências em práticas eficazes e sustentáveis para a realidade do Brasil.

O sucesso das EdTechs britânicas não é um acaso, mas um projeto nacional. O governo atua como um catalisador e um maestro, criando um ambiente seguro e direcionado para a inovação. O Departamento de Educação (DfE), por exemplo, não apenas incentiva, mas publica diretrizes claras para a adoção de novas tecnologias.

Em 2025, ao lançar um guia para o uso de inteligência artificial nas escolas, o DfE o acompanhou de um investimento de £1 milhão para fomentar ferramentas que otimizem o trabalho do professor. Essa abordagem estratégica sinaliza para o mercado quais problemas são prioritários, garantindo que a inovação das mais de 1.000 empresas de EdTech do país seja relevante e tenha um caminho claro para a implementação.

Essa clareza governamental alimenta um ciclo virtuoso de adoção e investimento. As escolas sentem-se seguras para experimentar, sabendo que há um respaldo institucional e um foco pedagógico definido. Isso, por sua vez, atrai capital de risco especializado, como o Brighteye Ventures, o maior da Europa focado em EdTech, que vê um caminho claro para a implementação e escala das soluções que financia.

O resultado é um mercado avaliado em US$ 8,1 bilhões em 2024, com projeção de crescimento para US$ 46,4 bilhões até 2033, onde a tecnologia não é apenas comprada, mas integrada de forma planejada ao projeto pedagógico. A adoção não é aleatória; ela segue uma estratégia nacional que visa aprimorar resultados de aprendizagem e reduzir a carga de trabalho dos educadores.

As tendências que vemos emergir, como IA para personalização, Realidade Virtual para experiências imersivas e Gamificação para engajamento, são consequências diretas deste ambiente estruturado. Elas não surgem no vácuo, mas como respostas às demandas de um sistema educacional que abraça a inovação de forma coordenada. A tecnologia é vista como uma ferramenta para potencializar a pedagogia, e não como um fim em si mesma.

A Bett 2026, que ocorre de 21 a 23 de janeiro em Londres, é a vitrine deste modelo. Para o visitante brasileiro, a oportunidade não é apenas ver novas tecnologias, mas entender como a colaboração entre setor público e privado pode acelerar a transformação educacional.

A lição do Reino Unido é clara: a inovação mais poderosa é aquela que é sistêmica, planejada e sustentável. É um convite para pensarmos em como podemos construir um ecossistema semelhante no Brasil, adaptado às nossas necessidades e ao nosso imenso potencial de nossos alunos e educadores.

*CEO e fundador da Learnbase

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