Iniciativas em Curitiba e Fortaleza mostram como inserir os ODS no currículo escolar com criatividade e impacto social
A integração da sustentabilidade ao currículo escolar tem se mostrado uma estratégia essencial para formar cidadãos conscientes, capazes de enfrentar os desafios ambientais e sociais do século 21. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela Agenda 2030 da ONU, ganham espaço em projetos pedagógicos que conectam teoria e prática, estimulam o pensamento crítico e envolvem toda a comunidade escolar.
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Duas experiências brasileiras recentes exemplificam esse movimento: as iniciativas da Escola Pedro Apóstolo, em Curitiba (PR), que há mais de duas décadas promove projetos ligados aos ODS, e a criação de uma estufa pedagógica pela escola bilíngue TreeHouse, em Fortaleza (CE), em parceria com a empresa Top Plant. Ambas mostram caminhos criativos para gestores que desejam levar a sustentabilidade para além do discurso e transformá-la em prática cotidiana.
“Mais do que transmitir conhecimento, o papel da escola também é auxiliar a repassar os verdadeiros valores para a próxima geração. Por isso acreditamos muito nesse trabalho envolvendo a sustentabilidade e incentivamos que todos o façam também”, disse Carolina Paschoal, pedagoga e diretora da Escola Pedro Apóstolo.
5 formas criativas de inserir os ODS no currículo escolar
Na Escola Pedro Apóstolo, os ODS permeiam desde os projetos de pesquisa até a rotina familiar, que participa com doações de materiais recicláveis. Entre as iniciativas desenvolvidas, cinco se destacam pela criatividade e possibilidade de replicação em outras instituições:
- Horta e compostagem – Ensina ciclos naturais e responsabilidade coletiva, fortalecendo os ODS 12 e 15. Os alunos criaram hortas em espiral, sistemas de irrigação e compostagem, ampliando o aprendizado interdisciplinar.
- Uso consciente da água – Projetos como Água Virtual e Megalodonte aproximam os estudantes da realidade dos recursos hídricos e da biodiversidade, conectando os ODS 6, 12, 13 e 14.
- Materiais recicláveis nas artes – Com o ODS 11 como norte, as famílias doam resíduos que são transformados em brinquedos e obras criativas.
- Estudo sobre energias renováveis – Projetos como Explorando o Infinito envolvem ciência e cidadania, relacionando ODS 7, 9 e 13.
- Práticas sustentáveis em casa – Iniciativas como a reciclagem de esponjas de louça aproximam as famílias do ODS 12, reforçando a economia circular e a corresponsabilidade ambiental.
Esse conjunto de ações levou a escola a ser escolhida como representante da educação básica brasileira na COP30, em Belém (PA), onde a diretora ministrará palestra sobre educação e sustentabilidade.
Estufa pedagógica une ciência, tecnologia e propósito em Fortaleza
Na TreeHouse, escola bilíngue de Fortaleza, o compromisso com os ODS ganhou forma em uma estufa pedagógica criada em parceria com a Top Plant. O espaço funciona como laboratório vivo, onde os alunos aprendem sobre ciclos naturais, empreendedorismo e impacto social.
Cada série assume um projeto diferente: cultivo de hortaliças para doação a comunidades, produção de plantas ornamentais para estudo de mercado e plantio de espécies nativas destinadas ao reflorestamento urbano.
“Queremos que nossos alunos entendam que plantar não é apenas sobre agricultura, mas sobre responsabilidade. Ao mexer na terra, eles aprendem a cuidar, a esperar e a valorizar o processo”, explicou Mariana Barros, diretora pedagógica da TreeHouse.
A experiência, além de interdisciplinar, promove impacto socioemocional, como destacou Bárbara Porro, diretora da escola: “O contato diário com a estufa aproxima as crianças do ciclo da vida e das escolhas sustentáveis. É um exercício de protagonismo e de conexão real com o mundo”.
Com integração de tecnologias como clonagem vegetal e sistemas hidropônicos, a iniciativa reforça a importância de inserir consciência ambiental desde os primeiros anos escolares, ampliando a visão sobre sustentabilidade no Nordeste e inspirando outras instituições.










