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Pesquisa nacional revela percepções, barreiras e expectativas de professores sobre o uso da inteligência artificial em sala de aula

Educadores de todo o país já podem acessar o relatório completo da mais ampla pesquisa nacional sobre o uso da inteligência artificial (IA) na educação básica. Promovido pelo Instituto Significare em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), o estudo foi apresentado na Bett Brasil 2025 e está **disponível gratuitamente para **download.

Com base em escuta ativa de professores de diferentes regiões do Brasil, o levantamento aponta avanços, percepções e resistências no uso da IA em sala de aula, fornecendo dados valiosos para formações docentes e políticas públicas. De acordo com os resultados, 80% dos docentes reconhecem os benefícios da IA, principalmente na produção de materiais didáticos e no planejamento pedagógico.

No entanto, apenas 14,3% afirmam utilizar ferramentas generativas com seus alunos. Ao mesmo tempo, 61,6% usam essas tecnologias como apoio ao próprio trabalho, como gerar ideias ou preparar conteúdos. A pesquisa revela que, apesar do interesse crescente, há entraves que limitam o uso da IA no cotidiano escolar, como falta de infraestrutura, excesso de demandas e ausência de formação continuada.

Escuta docente revela urgências para formação e políticas públicas

Mais do que investigar usos isolados, a pesquisa buscou entender como os professores enxergam o papel da IA na construção de práticas pedagógicas mais efetivas. A professora Camila Sestito, da UTFPR, destaca que o desafio principal está em conectar a tecnologia à transformação da prática docente.

“Não se trata apenas de aprender a ferramenta, mas de entender como ela pode transformar o modo de ensinar e aprender”, afirmou.

Outro aspecto que chama atenção no estudo é a preocupação ética. Mais de 78% dos professores apontam a necessidade de orientar os estudantes para o uso crítico e responsável da IA. A falta de regulamentações claras e de estratégias de formação aprofundadas pode, segundo os autores, ampliar desigualdades e comprometer a equidade no acesso ao conhecimento.

Para Wellington Cruz, presidente do Instituto Significare, o relatório é um ponto de partida. “É preciso compreender os dilemas reais dos educadores para que a tecnologia faça sentido no chão da escola. A mediação humana continuará sendo o diferencial mais relevante na era da IA”, resumiu o educador.

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