Evento no Insper conecta experiências globais, governança institucional e coautoria com IA para orientar o futuro da educação brasileira
O impacto da inteligência artificial na educação brasileira ganhou novo fôlego no Summit Explore IA na Educação, realizado no Insper, em São Paulo, no dia 18 de novembro. Com mais de 600 participantes presenciais e on-line, o encontro reuniu gestores, pesquisadores, docentes e representantes do setor privado para traduzir aprendizados internacionais em propostas concretas para o Brasil. O evento marca o retorno da Missão Explore Ásia 2025, que levou lideranças brasileiras à China e à Coreia do Sul para observar políticas, culturas e práticas de IA aplicadas à educação.

Na abertura, o CEO da Explore, Guilherme Alves, apresentou o diagnóstico dos desafios brasileiros, reforçou o papel da Missão Ásia como plataforma de investigação aplicada e destacou a urgência de formar novos docentes, criar direções comuns para o uso responsável da IA e transformar inteligência coletiva em sínteses práticas.
“O Summit se apoia em referências globais, especialmente nos aprendizados da Missão Explore 2025 realizada na China e Coreia do Sul. Criamos uma curadoria precisa de encontros e enviamos líderes para vivenciar de perto como diferentes ecossistemas já conectam IA, cultura e políticas públicas. Afinal, não há melhor forma de aprender sobre o futuro do que estar imerso onde ele já acontece”, afirmou.
O executivo também chamou atenção para o déficit estrutural na formação de professores e para o papel da IA como suporte cognitivo — nunca substituto da docência.
“A busca constante pela aprendizagem é um dos nossos pilares. Seguimos a lógica da exploração antes da explicação: primeiro a pergunta, e depois a resposta. Esse método desenvolve engajamento, autonomia e profundidade, permitindo que a IA entre como apoio, não como atalho. O movimento já começou, mas precisa de uma direção comum. Exatamente para isso o Summit existe: não é só um encontro feito de conversas; é focado em resultados, com discussões sistematizadas por IA ao longo do dia”, disse Alves.

Anfitrião do evento, o presidente do Insper, Guilherme Martins, apresentou a visão institucional sobre a integração da tecnologia aos processos formativos e reforçou o papel da inteligência artificial como eixo estratégico da instituição. Em sua fala, destacou os investimentos recentes, incluindo o acordo inédito firmado com a OpenAI para implementar o ChatGPT Edu — iniciativa articulada com a Diretoria de Tecnologia e considerada pela empresa um modelo de adoção responsável na América Latina.
“Buscamos não apenas incorporar ferramentas tecnológicas, mas criar condições para que nossos estudantes desenvolvam capacidade analítica, pensamento crítico e habilidades para resolver problemas complexos. A IA, quando integrada com responsabilidade, amplia horizontes formativos, potencializa a pesquisa e fortalece a inovação acadêmica”, destacou Martins.
Com essas perspectivas complementares — a visão sistêmica da Explore e a agenda estratégica do Insper —, o Summit abriu sua programação propondo um movimento colaborativo, em que experiências internacionais, governança institucional e coautoria com IA se entrelaçam para projetar caminhos possíveis, realistas e contemporâneos para a educação brasileira.


Fireside chats ampliam debates sobre IA no auditório principal
Inspirados no modelo consagrado do SXSW EDU, os fireside chats do Summit Explore IA na Educação trouxeram conversas diretas, informais e profundas entre líderes do setor. Diferentemente de apresentações tradicionais, esse formato — que nasceu como uma “conversa ao pé da lareira” — coloca especialistas lado a lado em um diálogo aberto, guiado por perguntas estratégicas, permitindo profundidade sem perder leveza.
No auditório principal, eles dividiram espaço com mesas-redondas, criando o eixo central de debate sobre os temas estruturantes do futuro da educação com IA. Os fireside chats se somaram aos painéis de quatro participantes, que analisaram ética, currículo, avaliação, formação docente e regulação sob múltiplas lentes.
Paralelamente, o evento ofereceu Talks de 15 minutos, sessões curtas e dinâmicas desenhadas para aproximar público e palestrantes em narrativas mais íntimas. Workshops práticos, experiências de bem-estar e book signings completaram a programação, reforçando um ecossistema que privilegia a troca, a experimentação e as múltiplas vozes.
Entre os destaques, Valerie Singer, diretora global de Educação da AWS, trouxe uma visão estratégica sobre o papel da IA como competência essencial para todos — não apenas para perfis técnicos. A executiva defende que o tema IAg, combinado com o alinhamento de força de trabalho, é uma prioridade estratégica global. A AWS percebe a IAg como a ponte indispensável entre a educação tradicional e o imperativo de desenvolvimento de talentos digitais.
Valerie explicou que as universidades devem acelerar o “reboot” de seus programas para construir ofertas de upskilling e educação continuada que respondam à rápida evolução do conhecimento de IAg. E que as edtechs devem posicionar suas soluções de IAg como ferramentas que permitam a otimização de dados e a preparação para a carreira. Nesse ponto entram também as as políticas públicas e as agências reguladoras.
“É fundamental priorizar a criação de arcabouços de credenciamento ágeis e colaborativos. A velocidade da mudança de habilidades induzida pela IAg exige que os currículos de cloud e IAg possam ser implementados e atualizados na velocidade ditada pela indústria, e não por ciclos de acreditação plurianuais. Políticas devem incentivar a colaboração público-privada para acelerar a formação de talentos em habilidades críticas de infraestrutura de cloud”, afirmou Valerie.
No mesmo formato, Kauê Melo, diretor-executivo sênior de B2B da Samsung, apresentou tendências sobre adoção tecnológica, infraestrutura, cultura digital e segurança — uma das preocupações centrais das redes de ensino que iniciam processos de transformação digital em escala. O executivo também destacou o papel fundamental do professor no processo.
“Todas os grandes cases de sucesso de uso de tecnologia na educação partem da adoção do professor como chave. Mas é preciso empoderar o professor para que isso aconteça”, disse Melo ao afirmar que o professor tem que ser parte do projeto. “Mais do que ser treinado na ferramenta, é como a tecnologia se adapta à metodologia de ensino daquela instituição, daquela secretaria de ensino, daquela didática. A tecnologia em prol do professor, e não o contrário.”
A presença das duas lideranças internacionais consolidou o auditório principal como um espaço de síntese entre perspectivas globais, desafios nacionais e decisões estratégicas que moldarão o futuro da educação brasileira.

Salta e Samsung ampliam influência institucional na agenda do Summit
A participação das empresas patrocinadoras do Summit Explore IA na Educação reforçou como o setor privado tem contribuído para acelerar agendas estruturantes no uso responsável da inteligência artificial. Como patrocinador, o Grupo Salta Educação trouxe ao evento uma visão curricular alinhada à transformação digital.
Os destaques foram os avanços do DiaLab, laboratório que sustenta o novo currículo de IA do grupo, a ser implementado em mais de 200 escolas da rede a partir de 2026. Ao integrar o painel de currículo e avaliação, o Salta qualificou o debate sobre modelos que conciliam inovação, cultura investigativa e responsabilidade pedagógica.
Patrocinadora master do Summit, a Samsung apresentou um ecossistema robusto de soluções tecnológicas para o setor educacional, com displays interativos, tablets, smartphones corporativos, telas de gestão e ferramentas de segurança baseadas no Knox. O espaço da Samsung funcionou como um laboratório vivo de possibilidades, aproximando gestores de cenários reais de implementação tecnológica.
Na área de exposição, a marca simulou ambientes de sala de aula e espaços administrativos, mostrando como infraestrutura, integração e cibersegurança sustentam práticas de ensino mais colaborativas, eficientes e conectadas.
A iniciativa demonstrou que a transformação digital depende tanto de dispositivos e plataformas quanto de visão estratégica, preparo institucional e ambientes seguros. Juntos, Salta e Samsung ampliaram a densidade institucional do Summit, fortalecendo a intersecção entre currículo, governança, infraestrutura e inovação.










