Na Coluna Edtechs de julho, Leonardo Libman revela como os SLMs podem tornar a IA mais acessível, eficaz e personalizada no cotidiano escolar
Costumo dizer que se continuarmos formando crianças e jovens com os mesmos métodos e ferramentas utilizados décadas atrás, estamos comprometendo o potencial deles diante de um mundo em constante transformação. A verdade é simples e incômoda: boa parte das escolas ainda opera com baixíssimo acesso à tecnologia educacional.
Enquanto outras áreas — como saúde, finanças e comunicação — já incorporaram inteligência artificial, automação e análise de dados, a educação parece estagnada em um modelo analógico. Há carência de infraestrutura, escassez de ferramentas digitais adequadas e, principalmente, ausência de uma cultura de inovação dentro das instituições de ensino.
Nesse cenário, é fundamental trazer à tona dois conceitos tecnológicos que estão moldando o presente e o futuro da educação: os LLMs e os SLMs.
LLM é a sigla para Large Language Model (Modelo de Linguagem de Grande Escala). Trata-se de uma tecnologia de inteligência artificial treinada com bilhões de palavras e frases retiradas da internet, livros, artigos, redes sociais, e diversas outras fontes de texto. Com isso, esses modelos aprendem a compreender, interpretar e gerar linguagem humana de forma surpreendentemente precisa.
O mais conhecido exemplo de LLM é o ChatGPT, mas há muitos outros. Eles conseguem responder perguntas, redigir textos, corrigir redações, criar planos de aula e até simular diálogos com base no conteúdo aprendido.
No ambiente educacional, os LLMs vêm sendo explorados principalmente para:
- Apoiar professores na criação de materiais didáticos
- Auxiliar alunos com dúvidas específicas em tempo real
- Gerar feedbacks automáticos sobre avaliações
- Agilizar tarefas administrativas que antes tomavam horas
Porém, o uso de LLMs em escolas ainda enfrenta obstáculos importantes: dependem de conexão constante com a internet, demandam alta capacidade computacional, envolvem custos elevados e nem sempre se adaptam bem à realidade local de cada instituição.
É aí que entra uma alternativa mais viável e estratégica: os SLMs.
SLM significa Small Language Model (Modelo de Linguagem de Pequena Escala). São modelos menores, otimizados para tarefas específicas, que podem funcionar dentro da própria escola, sem exigir conexão constante ou servidores potentes.
Ao contrário dos LLMs, que precisam processar uma quantidade imensa de informações gerais, os SLMs são treinados com dados da própria instituição — como registros escolares, históricos acadêmicos, grade curricular, perfis de alunos e planejamentos pedagógicos.
Isso permite:
- Gerar pareceres automáticos baseados em critérios definidos pela escola
- Criar planejamentos personalizados por turma, série ou dificuldade
- Organizar relatórios com insights pedagógicos reais
- Agilizar a comunicação entre equipe gestora, professores e famílias
Tudo isso com mais privacidade, menor custo e maior controle institucional.
Muitas escolas ainda resistem à inovação por medo do desconhecido ou por acreditarem que tecnologia é sinônimo de grandes investimentos. Na prática, não é isso que define o sucesso da transformação digital na educação. O que realmente faz a diferença é escolher tecnologias que resolvam problemas reais da rotina escolar.
Os SLMs não substituem o professor, mas ampliam sua atuação. Não tiram o protagonismo da escola, mas a tornam mais eficiente, atual e estratégica.
Nesse movimento de adaptação real às necessidades das escolas, soluções como as desenvolvidas pela Dharma-AI ganham destaque. A edtech brasileira está na vanguarda do desenvolvimento de SLMs customizados para contextos educacionais, com foco em problemas de alta volumetria e repetição — justamente onde a eficiência dos Small Language Models brilha.
A empresa oferece um modelo flexível: em projetos com grande uso, o investimento na etapa de treinamento pode ser assumido pela própria Dharma-AI, enquanto a etapa de inferência é cobrada por volume de uso real. Isso democratiza o acesso à inteligência artificial de alta qualidade, reduzindo custos e ampliando o impacto.
A Dharma-AI já aplicou seus modelos em projetos inovadores, como:
- Um curso completo de inglês 100% ministrado por IA, que divide aulas em blocos curtos, gera exercícios, aplica testes e corrige avaliações de forma autônoma.
- Ferramentas de gravação automática de aulas, que transformam vídeos em textos estruturados, prontos para serem usados como material de revisão.
Segundo o fundador da Dharma-AI: “Uma forma simples de entender o desperdício que é utilizar LLMs para qualquer aplicação de IA, em especial para Agentes repetitivos é esta analogia: se em vez de o supermercado enviar as compras solicitadas por um cliente de moto ou de minivan, ele enviasse um caminhão enorme com todos os SKUs do mercado e só na porta da sua casa separasse os 17 itens que o cliente tinha solicitado. Os SLMs seriam a entrega de moto neste caso, tão boa quanto”.
A abordagem da Dharma-AI mostra que não se trata de ter a maior tecnologia, mas sim a mais adequada ao problema real. Em um setor que ainda engatinha na adoção de IA, soluções como essa representam um passo concreto em direção a um futuro educacional mais eficaz, acessível e alinhado às reais demandas das escolas.
Investir em inteligência artificial, especialmente por meio dos SLMs, é abrir espaço para uma escola mais moderna, mais humana e mais conectada ao tempo em que vivemos. Uma escola que entende que o papel da tecnologia não é substituir, mas potencializar.
E para isso não é preciso esperar uma revolução. Basta dar o primeiro passo com consciência e propósito.
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CEO e cofundador da primeira plataforma de experimentação vocacional do país: a Seren, com metodologia própria e tecnologia, vem transformando a vida dos alunos, aproximando-os de profissionais de referência do mercado, online e ao vivo, para que encontrem seu propósito profissional.
Executivo com vasta experiência em empresas multinacionais e Startups. Sólida formação acadêmica com MBA em finanças corporativas pelo IAG PUC. Visão holística do mercado devido à combinação de expertise comercial e pensamento estratégico. Vivência em B2B e B2C, liderando expansão de 4 unicórnios: Gympass, Loggi, 99 & ClassPass.