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Neste artigo exclusivo para o educador21, Esther Carvalho, diretora-geral do Colégio Rio Branco, reflete sobre como a Inteligência Artificial Generativa desafia práticas escolares e exige inovação pedagógica

Esther Carvalho*

No Dia Mundial da Educação, comemorado em 28 de abril, somos convidados a refletir sobre os rumos da escola diante das transformações tecnológicas que moldam o nosso tempo, com ênfase na Inteligência Artificial Generativa (IAG). Essa tecnologia, capaz de gerar textos, resolver problemas, criar imagens e simular interações humanas, já é uma realidade nas salas de aula, influenciando profundamente o cotidiano de alunos e professores.

Diante deste novo cenário, torna-se essencial discutir quais os limites, desafios e possibilidades que se abrem para a educação. A presença do recurso nas escolas evidencia desigualdades históricas de acesso à tecnologia e traz à tona o risco de uma nova exclusão digital, ainda mais complexa. Não se trata apenas de ter ou não conexão à internet, mas de saber utilizar, interpretar, criticar e criar com essas ferramentas. A IAG pode tanto acentuar quanto reduzir as desigualdades educacionais existentes. Quando bem implementada, com intencionalidade pedagógica, pode promover a personalização da aprendizagem e desenvolver a consciência crítica sobre o uso dessa tecnologia.

Do ponto de vista do desenvolvimento cognitivo e das aprendizagens, a IAG exige uma reinvenção dos modos de ensinar e aprender. A escola, neste contexto, é chamada a repensar suas práticas, pois reproduzir modelos tradicionais de ensino com o uso de tecnologias sofisticadas é desperdiçar o seu potencial transformador. É urgente que a Inteligência Artificial Generativa seja integrada de forma crítica e criativa ao currículo escolar – entendido em seu sentido mais amplo como o conjunto de experiências intencionalmente organizadas para formar sujeitos pensantes, éticos, críticos e autônomos.

Outro ponto importante é o papel do professor, que tem se revelado cada vez mais crucial num cenário educacional em constante transformação. A IA não substitui o professor, mas pode ser uma aliada poderosa. O desenvolvimento profissional dos educadores deve focar não apenas no uso dessas tecnologias, mas essencialmente na adoção de metodologias inovadoras que promovam o raciocínio crítico, a criatividade, a resolução de problemas e a colaboração.

Com esse pano de fundo, um projeto piloto intitulado Programa DocêncIA está em processo de implementação no Colégio Rio Branco, localizado nas cidades de São Paulo e Cotia, envolvendo cerca de 40 professores da Educação Infantil ao Ensino Médio. Distribuídos por diferentes áreas do conhecimento, os docentes participam de uma iniciativa de desenvolvimento profissional que alia tecnologia e pedagogia. O programa aposta na integração de ferramentas de inteligência artificial em sala de aula, mas vai além: promove a reflexão sobre as práticas docentes e incentiva a experimentação de novas abordagens de ensino e aprendizagem, sempre em colaboração com os alunos.

Outro aspecto essencial é o letramento digital dos estudantes. Aulas de tecnologia, discussões sobre desinformação, vieses algorítmicos e impactos sociais e éticos da IAG são fundamentais para preparar os alunos para um uso consciente, responsável e produtivo dessas tecnologias.

Vivemos os impactos de uma sociedade hiperconectada e polarizada, em que os desafios são amplificados pela presença da nova tecnologia. É preciso enfrentá-los com urgência, competência e humildade. A integração da Inteligência Artificial Generativa ao ambiente escolar é um convite à ressignificação do currículo, à inovação das práticas e à renovação do nosso compromisso com uma educação de qualidade, inclusiva e alinhada com os desafios do nosso tempo.

Que sejamos movidos pela coragem de enfrentar os desafios, pela ética de garantir o uso responsável da tecnologia e pela inovação como caminho para transformar a escola num espaço de formação integral. Diante das transformações provocadas pela Inteligência Artificial Generativa, é urgente repensar as práticas educativas, promovendo um currículo que valorize a criticidade, a criatividade, a colaboração e o pensamento ético. Formar sujeitos autônomos e conscientes exige mais do que acesso às ferramentas tecnológicas – exige um compromisso coletivo com uma educação que não apenas acompanha as mudanças, mas que também as orienta com intencionalidade pedagógica, justiça social e visão de futuro.

*Diretora-geral do Colégio Rio Branco

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