Em Pequim, gestores brasileiros conhecem escola que transforma patrimônio cultural em currículo e empresa que aplica IA a diferentes experiências de aprendizagem
Depois de acompanhar a Bett Ásia, em Kuala Lumpur, a Missão Educacional Malásia & China 2026 chegou a Pequim com uma agenda que ampliou a pergunta sobre inovação educacional. O fim de semana foi dedicado à imersão cultural e, no dia 28, o grupo retomou as visitas técnicas, com idas à Guomei Branch School e à NetEase Youdao.
A passagem pela Muralha da China ajudou a colocar a experiência em outra perspectiva. Conhecer um sistema educacional também envolve compreender a história, os costumes e os valores que atravessam a sociedade que o produz.



A visita técnica à Guomei Branch School aprofundou essa percepção. A escola recebeu os gestores brasileiros com apresentações de dança, artes marciais e dança do dragão e, depois, colocou o grupo na posição de alunos em atividades experimentais de artes e inglês.
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A experiência mostrou uma instituição que utiliza elementos da cultura chinesa como parte da formação. A pergunta que surgiu para o grupo deixou de ser apenas como uma escola usa tecnologia e passou a envolver aquilo que ela escolhe preservar, ensinar e apresentar ao mundo.
A segunda visita técnica levou os gestores à NetEase Youdao, braço educacional do grupo NetEase. Recebido pelo diretor de inovação, o grupo conheceu as instalações e acompanhou como a empresa desenvolve soluções de inteligência artificial aplicadas a diferentes experiências de aprendizagem, de ferramentas de linguagem a dispositivos e plataformas educacionais.
Cultura e currículo caminham juntos na escola
Criada em 2007 e integrada à Xinghe Experimental School, a Guomei é uma escola-modelo do distrito de Chaoyang. Receber visitantes estrangeiros também integra sua identidade institucional, o que ajuda a explicar a forma como os alunos participam da recepção.
A cultura tradicional aparece no próprio currículo. Todos os estudantes passam por atividades de confecção de flores de veludo e marcenaria com técnicas tradicionais. Ao longo dos seis anos do ensino primário, são 12 aulas obrigatórias dedicadas a essas práticas.



Os estudantes que demonstram maior interesse e habilidade podem avançar para turmas específicas. A escola aplica lógica semelhante ao esporte, com programas de artes marciais, futebol e modalidades ligadas à educação olímpica.
Para a direção, o valor desses projetos está nas capacidades desenvolvidas pelos estudantes, e não na quantidade de atividades oferecidas. Essa perspectiva chamou a atenção dos gestores brasileiros porque desloca o foco do projeto em si para aquilo que ele produz na formação.
A visita também trouxe um contraponto ao eixo tecnológico da missão. A Guomei mostrou que uma escola pode se internacionalizar a partir de sua própria identidade, apresentando sua cultura, abrindo suas salas de aula e criando situações de troca com visitantes estrangeiros.
Tecnologia parte de problemas concretos de aprendizagem
A agenda técnica em Pequim também levou o grupo à NetEase Youdao, empresa cuja trajetória reúne ferramentas de linguagem, dispositivos educacionais, inteligência artificial e plataformas de aprendizagem. O percurso inclui produtos como o Youdao Dictionary, o tradutor, a Dictionary Pen, dispositivos de aprendizagem com IA, cursos on-line e plataformas como o China University MOOC.
A empresa desenvolve seu próprio modelo de linguagem voltado à educação, o Confucius. A versão 4 incorporou recursos de voz multimodal, tradução e raciocínio matemático, enquanto produtos como o Hi Echo e o Mr. P AI Tutor levam essa tecnologia a diferentes experiências de aprendizagem.


A Dictionary Pen também representa essa estratégia. A nova X8 combina uma base de 80 milhões de verbetes com tutoria por imagem apoiada em IA, mostrando como a empresa integra inteligência artificial a dispositivos usados diretamente pelos estudantes.
Essa lógica se aproxima de um conceito apresentado ao grupo: 因材施教, expressão associada à ideia de ensinar de acordo com as características e necessidades de cada estudante. A tecnologia, nesse modelo, amplia recursos para diferentes situações de aprendizagem, em vez de funcionar como objetivo isolado.
A visita fechou o D-3 com duas perspectivas que se complementam. De um lado, a Guomei mostrou uma escola que transforma patrimônio cultural, esporte e experiências práticas em elementos da formação. De outro, a Youdao apresentou uma trajetória de tecnologia construída a partir de diferentes problemas de aprendizagem.
Para os gestores brasileiros, a combinação das experiências reforça uma questão que atravessa a Missão Ásia 2026: inovação educacional envolve escolhas sobre tecnologia, mas também sobre cultura, currículo e identidade. Em Pequim, o grupo encontrou exemplos distintos de uma mesma preocupação — entender como a escola pode ampliar as possibilidades de aprendizagem sem perder de vista aquilo que pretende formar.










