Segundo dia da programação incluiu visita à Bett Asia 2026 e deslocou o debate sobre tecnologia para decisões envolvendo agência, liderança e formação global
O segundo dia da Missão Educacional Malásia & China 2026 levou o grupo à Bett Asia, em Kuala Lumpur. Realizado no Mandarin Oriental, o evento reuniu mais de 700 lideranças educacionais no Leadership Summit, com trilhas dedicadas ao ensino superior, à educação técnica e à educação básica.
Ao longo do dia, os gestores brasileiros acompanharam palestras e conversaram com empresas de tecnologia educacional. A inteligência artificial apareceu como eixo temático em grande parte da programação, mas o enquadramento chamou atenção: as discussões avançaram das ferramentas para as decisões que escolas e lideranças precisam tomar diante delas.
Títulos como “Skills AI Can’t Emulate”, “From literacy to agency” e “How education leaders ‘lead’ with AI” expressaram essa mudança de perspectiva. A pergunta deixa de ser apenas o que a tecnologia pode fazer e passa a envolver aquilo que estudantes, professores e gestores precisam decidir, desenvolver e preservar.
A sessão de Lai Cheng Wong, da SEAMEO RECSAM (Centro Regional da Organização de Ministros da Educação do Sudeste Asiático para Educação em Ciências e Matemática), sobre letramento midiático e em inteligência artificial reforçou esse movimento. A discussão propôs uma passagem do domínio técnico para a capacidade de engajamento crítico, colocando a agência do estudante no centro do debate.
IA ganha espaço, mas liderança define os caminhos
A programação da Bett Asia também aproximou inteligência artificial e liderança educacional. Ao tratar de como gestores podem liderar com IA, as sessões colocaram a tecnologia dentro de uma agenda mais ampla de decisões pedagógicas, institucionais e formativas.
Para o grupo brasileiro, essa perspectiva ajuda a deslocar a discussão sobre inovação. A adoção de ferramentas passa a depender de uma definição anterior: que projeto pedagógico a escola pretende sustentar e que papel a tecnologia terá nessa construção.
O terceiro eixo observado foi a formação para a cidadania global. A Generation Global, iniciativa vinculada ao International Baccalaureate, apresentou o diálogo intercultural estruturado como método para preparar estudantes para atuar em contextos internacionais.
Na trilha de ensino superior, Paul Tan, da Cintana Education, discutiu modelos de universidade internacional. O tema amplia a conversa para a trajetória acadêmica dos estudantes e para as competências que começam a ser construídas ainda na educação básica.



Cooperação regional amplia a agenda educacional
A presença de três centros da SEAMEO — INNOTECH, RECSAM e SEN — também chamou a atenção dos participantes. A programação evidenciou uma dimensão regional da educação asiática baseada na cooperação entre ministérios, na formação de lideranças e na produção de conhecimento aplicado.
Essa articulação acrescentou outra camada ao debate acompanhado pelo grupo. IA, liderança e cidadania global apareceram conectadas a uma visão de educação que ultrapassa a adoção de tecnologias e envolve decisões sobre a formação dos estudantes.
O segundo dia da Missão Ásia 2026 deixou, assim, uma constatação para o debate do grupo: a tecnologia ocupa espaço central na agenda educacional asiática, mas seu uso ganha sentido quando está subordinado a um projeto pedagógico claro.
A experiência na Bett Asia reforçou que essa discussão envolve agência do aluno, liderança escolar e preparação para um mundo cada vez mais internacionalizado. São questões que acompanham a missão e devem ganhar novos contornos nas próximas etapas da viagem.










