O espaço dedicado aos desenvolvedores de tecnologias para educação ganha mais atenção a cada ano. Conversamos com membros do Comitê Edtechs da Bett Brasil para saber o que vem por aí em 2025
Estamos oficialmente em contagem regressiva para a Bett Brasil, maior evento de tecnologia e inovação para educação da América Latina. Dentro de três meses, a 30ª edição ocupará o Expo Center Norte, em São Paulo, de 28 de abril a 1º de maio, para reunir renomados especialistas, educadores, formadores de opinião e influenciadores brasileiros e internacionais.
O educador21, mais uma vez, está confirmado como parceiro de produção de conteúdo e apoiador do evento. As startups, empresas dinâmicas, centradas no crescimento acelerado, inovação disruptiva e desenvolvimento de soluções ágeis, estão no DNA do evento e do portal. Por isso, fomos conversar com dois membros do Comitê Edtechs da Bett Brasil para trazer informações sobre o que será apresentado na Bett Startups neste ano.
A Bett Startups vai explorar soluções inovadoras para desafios reais da educação contemporânea. O foco do espaço, que fica localizado na feira e é aberto à visitação gratuita, é reunir tecnologias que promovem inclusão, acessibilidade e personalização do aprendizado, criando experiências significativas para alunos e professores.
Segundo Lars Janér, membro do Conselho Consultivo da Bett Brasil e fundador da Learnbase, o plano é agregar um pouco de tudo: transformação digital, inteligência artificial na prática e desenvolvimento das habilidades do futuro. “Teremos palestras inspiradoras com líderes da educação, painéis interativos e espaços de networking dedicados à colaboração entre startups, educadores e investidores”, adiantou o conselheiro.
A programação completa da Bett Startups será divulgada em breve. E as inscrições para a Bett Brasil 2025 permanecem abertas. Para visitar o evento gratuitamente, acesse este link e efetue seu cadastro. Já para se inscrever no Congresso, os interessados devem efetuar inscrição neste link. Nossos leitores têm 10% desconto na aquisição de pacortes de ingressos para o Congresso Bett + workshops. Basta informar o código EDUCADORBETT na conclusão da compra.
Impactos das startups na educação brasileira
As tomadas de decisão na Educação, não só no Brasil, são longas para a implementação de novas tecnologias. São levados em conta tanto o ano escolar como a necessidade de os decisores precisarem ter certeza sobre os resultados trazidos pelas soluções das edtechs. Dessa forma, observando a crescente adoção de startups nas instituições de ensino e corporações, percebe-se que a inovação começa, efetivamente, a fazer parte do cotidiano das instituições.
Para Leo Gmeiner, cofundador e Chief Business Officer (CBO) na School Guardian, quando as soluções das edtechs estão verdadeiramente embasadas nos problemas reais e relevantes das instituições de ensino e empresas, seu poder transformador é incrível. “Justamente por criarem soluções pela perspectiva de quem vive os desafios, é essencial, cada vez mais, estabelecer um canal fluido de conversas entre desenvolvedores de soluções e os gestores nas escolas, universidades e empresas”, afirmou o conselheiro da Bett Brasil.
Lars Janér aponta um impacto expressivo das edtechs na educação brasileira em diversas áreas. Na sua opinião, as edtechs estão ampliando o acesso a conteúdos educacionais de qualidade, especialmente em regiões com menos recursos. “Elas estão transformando o uso de dados educacionais, auxiliando gestores e professores a tomarem decisões mais embasadas. Outro ponto importante é o apoio à formação continuada dos professores, essencial para o sucesso educacional”, ressaltou o especialista.

Tendências e destaques nas soluções das edtechs brasileiras
O Brasil teve grande destaque no passado, tornando-se o principal mercado de edtechs na América Latina. O estudo EdTech Report 2024, realizado pela Distrito, plataforma voltada ao fomento à inovação, sustenta esse boom das edtechs brasileiras no continente.
“Acho que esse reconhecimento é resultado de muitos anos de desenvolvimento consistente no ecossistema brasileiro de edtechs. E também uma grande responsabilidade: é preciso continuar liderando a inovação educacional na região”, pontuou Lars Janér.
É um fato que as startups brasileiras têm mostrado uma grande capacidade de unir soluções tecnológicas com uma compreensão profunda das necessidades educacionais. Quase 70% do total das startups ou empresas de tecnologia que desenvolvem soluções para a área da educação na América Latina estão concentradas no Brasil.
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Outro fato é que o mercado brasileiro é enorme. Leo Gmeiner considera, então, um processo natural essa crescente relevância na região. “No entanto, vale lembrar que, cada vez mais, com apoio de entidades como a Ibero-American Association of Edtech, da qual sou cofundador e membro do Conselho, edtechs da América Latina estão vindo ao Brasil com suas soluções e, da mesma forma, as brasileiras alcançando novos países”, destacou o especialista.
A principal expertise dessas empresas é atuar como ponte na transição das escolas para a era digital. Ferramentas que integram o online e o presencial ganham cada vez mais espaço, assim como iniciativas voltadas às habilidades socioemocionais. No exterior, realidade virtual e aumentada continuam sendo explorados, assim como formatos curtos de aprendizado e certificações digitais. Nas soluções voltadas para a aprendizagem, ferramentas de tutoria e personalização de ensino devem ter franca adoção neste ano.
Mas a grande “diva”, sem dúvida, continua sendo a aplicação da inteligência artificial em diferentes ângulos e abordagens. E vem, junto com ela, seu potencial de causar impacto positivo e negativo. “Por isso, um dos pontos importantes de discussão é a questão da ética e da forma de uso dessa tecnologia dentro e fora da sala de aula. Vale lembrar que tecnologias, não só IA, são o meio e não o fim. Portanto, deve-se ter cuidado ao entender o que a IA representa no contexto de cada solução”, alertou Leo Gmeiner.

Editora-chefe e cofounder do portal Educador21