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Profissionais da área de orientação educacional são reconhecidos internacionalmente e destacam o crescimento dessa carreira estratégica nas escolas do país

O Brasil está conquistando espaço em uma das áreas mais emergentes da educação básica: a orientação educacional voltada ao ensino superior internacional. A recente premiação de três profissionais brasileiros no Global Counsellors Awards 2025, promovido pela Times Higher EdCounsellor, reforça a consolidação da carreira de counsellor como eixo estratégico para escolas que investem em projetos de vida e trajetórias acadêmicas personalizadas para seus estudantes. A cerimônia aconteceu em Londres, reunindo profissionais de 35 países.

Entre os vencedores está Maryana Rodrigues, da Escola Eleva Barra da Tijuca (RJ), reconhecida na categoria Rising Star of the Year. Com formação pública e trajetória marcada pela escuta ativa e pela inclusão, a educadora representa uma nova geração de counsellors que une olhar crítico sobre desigualdades sociais e domínio técnico sobre os processos de aplicação para universidades no Brasil e no exterior. “Esse prêmio mostra que é possível ocupar espaços que por muito tempo pareciam inalcançáveis para profissionais e estudantes da América Latina”, afirmou.

Sua atuação combina escuta ativa, orientação acadêmica e construção de vínculos, em um trabalho que busca apoiar jovens na definição de seus “próximos passos” com informação, criticidade e propósito. “Nem eu tenho a pretensão de saber o que vou fazer pelo resto da vida — que dirá adolescentes. O mais importante é que saibam justificar o caminho que escolhem agora, mesmo que isso mude depois”, explicou.

Essa escuta atenta também está presente no olhar de Maryana para o Brasil: “A maioria dos meus alunos hoje vive uma realidade completamente diferente da que eu vivi. Mas mesmo dentro da própria escola há trajetórias e pressões muito distintas. Isso exige sensibilidade e um compromisso com a desconstrução de ideias prontas sobre o que é sucesso”.

Como embaixadora da Rede Caribenha e Latino-Americana de Counsellors no Rio de Janeiro, Maryana acompanha de perto o crescimento do interesse por universidades internacionais entre jovens brasileiros, inclusive de baixa renda. “Quando um aluno consegue uma bolsa e vai estudar fora, isso inspira outros. O efeito multiplicador é real — e é lindo ver isso acontecer.”

A especialista também é professora na **pós-graduação em **Counseling da Facamp em parceria com a Efígie Academy. Entre os maiores desafios atuais da profissão, destacou a alta seletividade de universidades estrangeiras, as novas exigências de aplicação e a pressão por respostas rápidas — muitas vezes reforçadas por um consumo superficial de informação e pela ansiedade digital. Por isso, defende uma formação crítica e prática para os novos profissionais da área, com base na escuta, na conexão humana e no uso estratégico da tecnologia.

“O futuro da orientação educacional precisa equilibrar competências técnicas e sensibilidade socioemocional. O nosso papel não é formar alunos para competir com os outros, mas para se tornarem tudo o que podem ser — com sentido e consciência. Isso é sucesso”, disse Maryana.

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Uma nova geração de orientadores premiados

A presença de três brasileiros entre os premiados no Global Counsellors Awards 2025 reforça a força e a diversidade da atuação nacional na orientação educacional com foco internacional. Além de Maryana Rodrigues, que venceu como Rising Star of the Year, foram reconhecidos Augusto Neto, da St. Paul’s School, em São Paulo, na categoria Global Counsellor of the Year, e Vítor Marconi, do Colégio Etapa, como Counsellor of the Year – Latin America. Juntos, representam diferentes trajetórias e instituições, mas compartilham a mesma missão: apoiar estudantes na construção de projetos acadêmicos com sentido e propósito.

Para Augusto Neto, a premiação consagra uma trajetória de mais de 20 anos na educação em língua inglesa e marca o amadurecimento da carreira de counsellor no Brasil. “Ser reconhecido por colegas de todo o mundo multiplica exponencialmente o orgulho e o senso de responsabilidade. Nenhum counsellor é uma ilha: esse prêmio é do ecossistema”, destacou o educador, que acaba de ser nomeado diretor de college counselling na Escola Americana do Rio de Janeiro (EARJ).

Já Vítor Marconi traz a bagagem de uma vivência acadêmica multicultural desde o início de sua carreira, com formação nos Estados Unidos e atuação no EducationUSA. Para ele, o prêmio simboliza um esforço coletivo. “Embora eu tenha sido o nome anunciado, ele representa o trabalho de muitos profissionais que, como eu, fazem parte dessa rede comprometida com o acesso à educação internacional.”

Ambos reforçaram que a função do counsellor está se tornando cada vez mais estratégica dentro das escolas brasileiras — especialmente com a expansão de currículos internacionais, a consolidação de departamentos especializados e o crescente interesse de alunos por destinos diversos, para além dos tradicionais EUA, Reino Unido e Canadá. “Hoje, alunos brasileiros ingressam em universidades da Europa, Ásia e Oceania, cursando formações inteiras em inglês”, afirmou Augusto.

O impacto do trabalho vai além da admissão. “Muitas vezes, o aluno chega inseguro sobre suas próprias capacidades. Ajudá-lo a se enxergar com mais confiança e clareza é uma das partes mais transformadoras desse processo”, disse Vítor, lembrando do caso de uma aluna que atualmente cursa o último ano de graduação internacional após superar barreiras emocionais e acadêmicas com apoio do counseling.

Na visão dos dois profissionais, a formação de novos counsellors no Brasil precisa integrar competências técnicas — como conhecimento de sistemas de admissão — com habilidades interpessoais, como empatia, ética e escuta ativa. “É uma profissão multidimensional. Estamos lidando com sonhos, expectativas e decisões de altíssimo impacto”, afirmou Augusto. “E tudo isso exige supervisão, atualização e rede”, complementou Vítor.

Para o futuro, eles apontam tendências como o uso crescente da inteligência artificial, o reconhecimento do Enem por universidades estrangeiras e a ampliação das oportunidades de bolsas. Mas, acima de tudo, defendem que o fator humano seguirá sendo o diferencial. “O que faz a diferença é a orientação personalizada. Com escuta, confiança e vínculo”, sentenciou Vítor.

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Orientação internacional transforma vidas e redes escolares

A valorização da carreira de counsellor reflete não apenas uma demanda por orientação educacional mais qualificada, mas também um movimento de transformação estrutural nas escolas brasileiras. Instituições que apostam em departamentos de college counselling passam a oferecer aos alunos muito mais do que informação sobre vestibulares ou universidades: constroem, ao longo de anos, vínculos, estratégias e repertório para escolhas de vida. E isso tem feito diferença.

Tanto nas escolas internacionais quanto em instituições com projetos bilíngues e foco em excelência acadêmica, a figura do counsellor já se consolida como parte de uma cultura escolar voltada ao protagonismo juvenil. Ao mesmo tempo, cresce o interesse de gestores em estruturar setores de orientação que dialoguem com o socioemocional, com a internacionalização e com as novas perspectivas de mundo do trabalho e da formação superior.

O reconhecimento internacional conquistado por profissionais como Maryana, Augusto e Vítor fortalece essa agenda e amplia o alcance da atuação brasileira na educação global. Mais do que vitórias individuais, seus prêmios lançam luz sobre um campo profissional em ascensão — que une técnica, empatia e propósito para apoiar estudantes em jornadas cada vez mais complexas.

Ao reconhecer counsellors brasileiros com prêmios globais, o mundo valida o que já se percebe em muitas escolas do país: a orientação educacional é, cada vez mais, um pilar estratégico da formação escolar. Formar jovens capazes de sonhar, planejar e realizar com consciência exige profissionais preparados para escutar, guiar e construir caminhos. E essa construção, como mostram as histórias reunidas nesta matéria, é profundamente transformadora.

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