A internacionalização da educação pode ser uma estratégia eficaz para formar cidadãos globais que contribuem para o desenvolvimento local e ajudam a frear a fuga de cérebros
A chamada “fuga de cérebros” é um fenômeno que preocupa o Brasil há décadas. Jovens altamente qualificados buscam oportunidades no exterior, atraídos por melhores condições de trabalho, perspectivas de crescimento e qualidade de vida.
Contudo, a educação internacional pode desempenhar um papel crucial na inversão desse cenário, ao formar cidadãos globais que impactam positivamente suas comunidades de origem. Este artigo discute como a internacionalização da educação pode contribuir para a retenção de talentos no país.
A educação internacional oferece aos estudantes brasileiros a oportunidade de adquirir uma formação acadêmica e cultural que os prepara para competir em um mercado global. Ao mesmo tempo, programas bem estruturados podem incentivar esses talentos a aplicarem seus conhecimentos em suas comunidades de origem.
- Desenvolvimento de competências globais: A exposição a diferentes perspectivas culturais e acadêmicas amplia a capacidade de inovação e resolução de problemas.
- Valorizando as raízes locais: Projetos educacionais que conectam experiências globais a problemas locais ajudam a criar um senso de responsabilidade social nos estudantes.
Como a Internacionalização pode prevenir a fuga de cérebros
A internacionalização da educação não precisa levar à migração definitiva de talentos. Pelo contrário, ela pode preparar estudantes para trazer soluções globais para problemas locais. Algumas estratégias eficazes incluem:
- Parcerias com empresas locais: Incentivar programas de estágio e trabalho que conectem estudantes internacionalizados a setores estratégicos da economia brasileira.
- Investimento em empreendedorismo: Promover programas que incentivem alunos a aplicarem seus conhecimentos em startups e projetos que impactem diretamente suas comunidades.
- Conexão com redes globais: Manter laços com instituições internacionais enquanto promove a reinserção desses profissionais no Brasil.
Exemplos de sucesso: iniciativas para reter talentos
- Programas de duplo diploma: Permitem que estudantes brasileiros obtenham graduação internacional enquanto continuam conectados ao sistema educacional nacional.
- Intercâmbios com impacto social: Viagens e experiências internacionais focadas em projetos sociais podem despertar nos alunos o desejo de transformar suas comunidades de origem.
- Educação bilíngue com contexto local: Escolas que oferecem educação bilíngue alinhada a temáticas locais criam profissionais com visão global, mas comprometidos com o desenvolvimento regional.
Os benefícios para o Brasil
Ao investir em educação internacional, o Brasil pode colher uma série de benefícios:
- Redução da fuga de talentos: Estudantes sentem-se mais motivados a permanecer no país quando veem oportunidades concretas de crescimento.
- Aceleração da inovação: Profissionais com experiência internacional trazem novas ideias e abordagens para os setores público e privado.
- Fortalecimento da economia: A retenção de talentos qualificados contribui para a competitividade do Brasil em um mercado global.
A educação internacional é uma ponte entre o local e o global, permitindo que talentos brasileiros conquistem o mundo sem perder sua conexão com o país. Escolas, universidades e governos têm um papel fundamental em estruturar programas que formem cidadãos globais comprometidos com o desenvolvimento do Brasil.
Ao promover a internacionalização com responsabilidade, é possível transformar o fenômeno da fuga de cérebros em uma poderosa alavanca para o progresso nacional.

Doutora em Sociologia pela Unesp, Lara Crivelaro foi diretora de cursos de graduação e pós-graduação, pró-reitora, coordenadora geral de educação à distância e consultora de diversas universidades do Brasil.
Fundou a Efígie ao identificar uma lacuna na educação internacional e atualmente é CEO da empresa e também diretora-executiva do Instituto Educbank de Educação e Cultura.
Lara é avaliadora do Ministério da Educação (MEC) para credenciamento e autorização de cursos a distância e autora de cinco livros, sendo o último “A educação básica no palco internacional”.