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Education at a Glance 2026 mostra melhora na escolaridade brasileira, mas mantém desafios em formação, investimento e atração de professores

O Brasil avançou em indicadores de escolaridade na última década, mas ainda enfrenta desafios estruturais para ampliar a permanência dos estudantes e sustentar a qualidade da educação. É o que mostra a edição 2026 do Education at a Glance, relatório anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado em 29 de setembro.

Entre 2016 e 2024, a proporção de jovens brasileiros de 18 a 24 anos que não estudavam, não trabalhavam nem estavam em formação caiu de 26,8% para 22,4%. A redução de 4,4 pontos percentuais supera a queda média de 2,3 pontos registrada pela OCDE no período. O movimento acompanha também a ampliação da escolaridade entre jovens adultos, embora o Brasil ainda esteja distante das médias internacionais em educação superior.

O relatório mostra ainda uma redução de 9,3 pontos percentuais, entre 2016 e 2024, na parcela de brasileiros de 25 a 34 anos com escolaridade abaixo do ensino médio. O indicador passou de 35% para 25,8%. No mesmo período, a proporção com ensino superior aumentou de 19,2% para 24,2%, enquanto a parcela com o ensino médio como maior nível concluído passou de 45,8% para 50,1%.

Para gestores educacionais, os dados apontam uma mudança importante no perfil de escolaridade, mas também ajudam a dimensionar o que ainda precisa avançar. Entre brasileiros de 25 a 64 anos, 39,6% tinham o ensino médio como maior nível concluído em 2024, próximo dos 38,7% registrados na média da OCDE em 2025. No ensino superior, porém, a diferença é maior: 22,3% no Brasil, contra 42,6% na média da organização.

Escolaridade avança, mas formação docente entra no centro do debate

A edição 2026 do Education at a Glance coloca a escassez de professores como tema central. A OCDE trata o problema como um fenômeno que assume diferentes formas nos sistemas educacionais, envolvendo desde a falta de profissionais plenamente qualificados até dificuldades de recrutamento, permanência e distribuição dos docentes.

No Brasil, 9% dos professores são classificados como não plenamente qualificados, índice próximo aos 9,1% observados na média da OCDE. A comparação, contudo, utiliza um conceito ampliado de qualificação e precisa ser lida dentro das regras de formação e certificação de cada país. O relatório também mostra que 11,5% dos professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental são profissionais de segunda carreira, acima da média de 8,4% da OCDE.

A questão ganha relevância para redes e instituições porque a escassez docente não se resume ao preenchimento de vagas. A própria OCDE aponta que os sistemas precisam planejar a formação de novos profissionais, melhorar a retenção daqueles que já estão na carreira e distribuir professores qualificados de acordo com as necessidades das escolas.

No Brasil, o Ministério da Educação (MEC) relaciona esse desafio ao programa Mais Professores para o Brasil, criado em 2025 e transformado em política nacional em 2026. Entre as medidas citadas estão o Pé-de-Meia Licenciaturas, mudanças na formação inicial, fortalecimento do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), que acaba de se tornar lei, e acompanhamento da formação por meio do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) das Licenciaturas. Segundo o MEC, as matrículas de estudantes de alto desempenho no Enem em licenciaturas cresceram 106% entre 2024 e 2026.

A agenda coloca a formação e a carreira docente no mesmo campo estratégico. Para gestores, o desafio envolve acompanhar não apenas a quantidade de professores disponíveis, mas também a formação, as condições de trabalho e a capacidade de manter profissionais na carreira. O foco do relatório reforça que a sustentabilidade dos sistemas educacionais depende da existência de uma força de trabalho docente preparada e suficiente para atender às demandas das escolas.

Investimento mostra outra dimensão do desafio educacional

Os indicadores financeiros acrescentam uma segunda camada à leitura dos avanços. Em 2023, o gasto governamental brasileiro com educação, considerando da educação básica à superior, correspondeu a 4,5% do PIB, acima dos 4% registrados na média da OCDE. Ao mesmo tempo, o gasto público por estudante permanece muito abaixo da média internacional. No Brasil, chegou a US$ 4.133 em 2023, em valores ajustados pela paridade do poder de compra, contra US$ 13.601 na média da organização.

A evolução histórica também exige atenção. Segundo o relatório, a participação das despesas governamentais em educação no PIB brasileiro caiu entre 2015 e 2023, enquanto a média dos países da OCDE apresentou variação menor no período. O dado ajuda a separar duas dimensões que podem parecer semelhantes, mas não são: a proporção do PIB destinada à educação e o volume de recursos disponível por estudante.

Essa diferença é particularmente relevante para gestores porque investimento educacional não se traduz apenas em percentual do PIB. Infraestrutura, remuneração, formação profissional, tecnologia, materiais e condições de funcionamento das instituições disputam recursos dentro dos sistemas. O relatório mostra que, no Brasil, 75% das despesas correntes da educação primária são destinadas à remuneração de profissionais, ante 79% na média da OCDE.

Os dados de trajetória escolar também ajudam a identificar outro ponto de atenção. Em 2022, 75% dos estudantes brasileiros haviam concluído o curso superior até o final da duração teórica, contra 76% na média da OCDE. Dois anos depois do tempo previsto, o índice brasileiro chegou a 79%, enquanto a média da organização alcançou 85%.

O conjunto dos indicadores desenha, portanto, um cenário menos linear do que uma simples leitura de avanços ou atrasos. O Brasil reduziu a parcela de jovens fora de estudo, trabalho e formação, ampliou a escolaridade dos adultos jovens e aumentou a participação da população com ensino superior. Ao mesmo tempo, permanece distante da média da OCDE nesse último indicador e enfrenta uma questão que afeta diretamente a capacidade de sustentar esses avanços: formar, atrair e manter professores.

Para lideranças educacionais, o Education at a Glance 2026 oferece justamente essa perspectiva integrada. Os indicadores de escolaridade, conclusão, financiamento e força de trabalho docente não funcionam isoladamente. Eles ajudam a mostrar onde os sistemas avançaram, quais desigualdades permanecem e quais condições precisam ser consideradas no planejamento das próximas etapas.

O relatório reúne dados de mais de 40 países e, no caso brasileiro, utiliza informações do Inep, IBGE, Capes e outras fontes oficiais. O Inep é responsável pelo tratamento dos dados nacionais e pelo cálculo dos indicadores brasileiros enviados à publicação.

No caso da edição 2026, a escolha da escassez de professores como tema central acrescenta uma mensagem relevante para a gestão educacional: ampliar escolaridade e acesso precisa caminhar junto com a capacidade das instituições de garantir profissionais qualificados e condições adequadas para o trabalho pedagógico. O desafio dos próximos anos não será apenas levar mais estudantes a níveis mais altos de escolaridade, mas assegurar que os sistemas tenham estrutura e professores para sustentar essa trajetória. 

_*Com informações do _Inep  

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