Na Coluna InvestEdu de setembro, Leo Gmeiner analisa o avanço de fusões e aquisições no setor e o que esse movimento representa para empreendedores, investidores e escolas
Leo Gmeiner
Na coluna de setembro, mostro por que as fusões e aquisições ganharam força e o que isso muda para quem empreende, investe e gerencia escolas.

Minha primeira empresa formal, a Core Comunicação, foi adquirida por dois queridos amigos. A segunda, a Seu Expedito, deu um bom prejuízo e teve de ser fechada (já contei essa história por aí, com todos os aprendizados que ela trouxe). Duas saídas bem diferentes, muitos aprendizados em ambos os casos.
Lembrei disso porque, aqui na InvestEdu, temos falado bastante sobre como o dinheiro entra nas edtechs (veja as colunas anteriores) e, por isso, gostaria de falar do outro lado, a saída dos fundadores. E, aparentemente, é justamente aí que está o maior movimento de 2026.
Os números da HolonIQ são claros: o venture capital em edtechs somou US$ 1 bilhão no primeiro semestre de 2026, 26% a menos que o mesmo período do ano passado, mas com número de rodadas semelhante, ou seja, o investidor continua interessado, mas com cheques menores. Por outro lado, em 2025, as aquisições cresceram 20% ante 2024. E, só no primeiro trimestre de 2026, foram mais 116.
E não é só nos Estados Unidos ou Europa. Na Índia, que viveu o auge e a queda das edtechs, a compra da Unacademy pela upGrad, em março, foi vista como sinal de que a próxima fase por lá também será de consolidação.
Aqui, vemos o mesmo caminho, e com uma característica que me encanta: edtechs rentáveis, que conhecem de perto a rotina das escolas, estão comprando.
A Árvore concluiu a fusão com a SuperAutor. Juntas, atendem mais de 11 mil escolas e mais de 4 milhões de alunos. A FTD Educação adquiriu integralmente a Estuda.com.
A Layers criou um programa de aquisições com R$ 5 milhões dedicados. E a Premia, captou R$ 5 milhões e vai destinar parte justamente a aquisições, já começando pela Aulapp.
O que une esses casos, em minha opinião, é que nenhum deles é compra por compra. Todos buscam completar uma jornada, seja da comunicação ao pagamento, da leitura à escrita ou do conteúdo à avaliação. É a tecnologia construindo pontes – como sempre deve ser.
Aqui na School Guardian, a gente também tem feito esse movimento, e de um jeito que acho que vale compartilhar: por meio de aquisições parciais, incorporamos soluções para a gestão da saúde dos estudantes, cantina e notificação de acidentes.
Algumas dicas pra estar nesse movimento:
- Pra quem empreende: pense em ser integrável. APIs abertas, dados bem organizados e receita recorrente aumentam o interesse de quem quer comprar. E vale conhecer cedo quem atende o mesmo cliente e buscar parcerias.
- Pra quem investe: em educação, o ciclo de retorno costuma ser mais longo e, hoje, o comprador mais provável é outra empresa do setor, então, mapear quem são esses compradores deve fazer parte da tese.
Voltando à minha história, a Core continuou seu propósito porque encontrou quem pudesse continuá-la. E esse é um grande caminho, talvez, pra muitas edtechs também! Afinal, tecnologia é meio e não fim. E, muitas vezes, o melhor jeito de ir mais longe é ir junto.

Empreendedor há mais de 20 anos, fundou quatro empresas — entre elas a School Guardian, startup de educação presente em 12 países além do Brasil. É jornalista, gestor de TI e possui MBA em Negócios Digitais. Atua como professor de Empreendedorismo e Inovação no MBA da Fiap, onde também coordena a Rock New Ventures. É diretor do Founder Institute Brasil, analista do Shark Tank Brasil e conselheiro da Bett Brasil e do Instituto Sesi Senai de Tecnologias Educacionais. É ainda cofundador da Ibero-American Association of Edtechs (IAAE).










