Christian Pensa discute a importância da gestão e do acompanhamento de startups para proteger a posição do investidor e ampliar as chances de retorno
Christian Pensa
Investir em startups não é um ato. É um ciclo. Começa na definição da tese, tema do nosso primeiro artigo. Passa pelo dimensionamento do portfólio ideal, pelo cadenciamento das tranches ao mercado e pelo estudo de oportunidades. Segue na alocação, na gestão e no exit. E não termina aí: depois da saída vem a realocação.
Quem investe numa classe de ativos tem um porquê. Se ela deu resultado, a tendência é guardar o ganho e reinvestir o principal na mesma classe. O ciclo recomeça.
Colocar o dinheiro é só uma etapa desse ciclo, e a mais fácil. Hoje falo da etapa do meio, que decide boa parte do resultado: a gestão. Startup não manda extrato. Quem investe precisa ir atrás de informação, interpretar números imperfeitos e cobrar reporte de quem está ocupado construindo uma empresa. A forma como você investe define quem faz esse trabalho por você.
Sozinho: controle total, trabalho total
O investidor solo decide tudo e não paga intermediário. Em contrapartida, acompanha o caso sozinho: puxa informação, cobra relatórios, lê balanços.
O risco maior aparece depois. Quando a startup cresce e entram fundos, a rodada ganha camadas: preferência na liquidação, direitos de veto, anti-diluição. São termos negociados por quem faz isso todo dia. O anjo solo, sem estrutura, assina o que lhe apresentam e descobre as consequências na saída.
Crowdfunding: o problema é a distância
O crowdfunding abriu o acesso ao investimento em startups, e isso tem valor. Mas há um limite estrutural: a plataforma costuma estar longe da investida, e a investida costuma reportar pouco.
Não é falha da plataforma. É consequência do modelo: muitos investidores, muitas empresas, nenhuma proximidade para provocar a startup mês a mês. O resultado é o investidor com pouca informação sobre a empresa em que colocou dinheiro.
Há um segundo limite, de peso. Seu cheque é pequeno e está pulverizado entre muitos outros. Na hora em que a startup precisa negociar, com a chegada de um fundo, por exemplo, essa fatia fragmentada raramente tem relevância suficiente no cap table.
Rede anjo bem estruturada: olhos coletivos
Em grupo, o jogo muda. Vários investidores acompanham o mesmo caso, comparam leituras, fazem perguntas diferentes. A startup sente a pressão de quem está atento, e o conjunto pesa mais na mesa do que qualquer cheque individual. Um grupo com credibilidade no mercado e lugar de fala nos cap tables que importam mantém você bem representado.
Repare no “bem estruturada”. Rede sem processo, sem reporte padronizado e sem responsável pelo acompanhamento vira só um grupo de mensagens.
Venture builder e gestora: resultado atrelado ao seu
Ao lado de uma venture builder ou gestora, há um agente próximo da startup o tempo todo.
Na Criabiz, a remuneração é sempre condicionada ao ganho final do investidor, que vem do sucesso pleno do empreendedor. Não há receita, prêmio ou resultado antecipado. No venture building, a participação que a Criabiz tem na startup remunera a inteligência entregue ao caso ao longo de ciclos de mais de cinco anos. Nos veículos de investimento, o resultado da Criabiz é uma parcela do resultado líquido do anjo, e só existe quando o anjo ganha.
O gestor só recebe se você receber. Quando os institucionais chegam, ele está na mesa defendendo a posição de todos no cap table, inclusive a dele, que depende da sua.
Alinhado não é gratuito: o gestor fica com uma fatia do ganho, e o resultado depende da qualidade e da disciplina dele. A pergunta não é “qual modelo é melhor”, e sim “quem está do meu lado, e como ganha dinheiro”.
Escolha uma casa de credibilidade
Quem fica ao seu lado precisa ter credibilidade comprovada, e o histórico de uma casa diz muito sobre o que esperar dela.
A escada de preferência
Esta é a parte que quase ninguém olha na entrada e todo mundo descobre na saída.
Nos casos que prosperam e atraem venture capital, a ordem de quem recebe primeiro na liquidação passa a importar tanto quanto o tamanho da fatia. Fundos costumam entrar com preferência. Se você, anjo da primeira hora, não souber onde está nessa escada, pode ter percentual relevante e receber pouco.
Pergunte antes de entrar: qual é a fila de preferência hoje? Como a minha posição fica protegida quando os fundos chegarem? Quem vai negociar isso por mim?
Sete perguntas para qualquer veículo
- Com que frequência a startup reporta, e em que formato?
- Quem acompanha o caso no dia a dia?
- Quem senta à mesa quando entrarem novos investidores?
- Que informação tenho direito de receber, e por escrito?
- Como o responsável é remunerado, e quando? Só ganha se eu ganhar?
- O histórico da casa e dos sócios mostra algum padrão repetido?
- Onde estou na escada de preferência, e como serei protegido quando entrarem fundos?
Se a resposta for vaga, o acompanhamento será vago.
O que vem depois
Quem acompanha bem chega ao fim da jornada com a posição preservada. E é aí que a conversa fica interessante: como o anjo sai, quando e com que retorno. Esse é o tema do próximo artigo.

Administrador de empresas pelo Ibmec e Univ. Illinois-Chicago com MBA em Gestão de Inovação pela Ufscar. Empresário serial e investidor-anjo, especialista em estratégia, gestão de riscos, governança corporativa, gestão de funding e negociações estratégicas. Fundador e diretor executivo do grupo Criabiz, coordenador da rede de investidores-anjos Criabiz Angels e gestor dos veículos de venture capital da Criabiz Capital.










