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Com ferramentas já presentes na rotina acadêmica e administrativa, lideranças precisam definir critérios de uso, responsabilidades e formas de medir resultados

A inteligência artificial já faz parte da rotina de instituições de ensino. Estudantes usam ferramentas generativas para pesquisar, escrever e estudar, enquanto professores exploram recursos para planejamento e produção de materiais. Nas áreas administrativas, a tecnologia também começa a apoiar análise de informações e automação de processos. A velocidade dessa adoção muda a questão central para as lideranças: o debate deixa de ser apenas sobre usar ou não IA.

A governança da IA passa a envolver decisões sobre onde a tecnologia faz sentido, quais limites devem existir e quem responde por seu uso. Também exige critérios para avaliar se os recursos adotados contribuem para aprendizagem ou gestão. O movimento ganha relevância porque parte da adoção ocorre fora dos processos formais de implementação institucional. Estudantes e profissionais podem acessar ferramentas diretamente, antes que escolas e instituições de Ensino Superior estabeleçam políticas próprias.

Dados internacionais ajudam a dimensionar esse cenário. Segundo o Digital Education Outlook 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 37% dos professores dos anos finais do ensino fundamental pesquisados pelo Talis disseram ter usado IA no trabalho em 2024. Ao mesmo tempo, 72% desses docentes avaliaram que a tecnologia poderia prejudicar a integridade acadêmica. O principal risco apontado está na apresentação de trabalhos produzidos com IA como se fossem de autoria dos próprios estudantes.

Governança da IA exige políticas e critérios institucionais

Nesse cenário, simplesmente proibir ou liberar ferramentas não responde a todas as questões. Governar a IA envolve estabelecer princípios para usos pedagógicos e administrativos, além de definir responsabilidades e limites. As instituições também precisam decidir quais informações podem ser inseridas nas plataformas. Privacidade, segurança de dados, orientação de professores e estudantes e critérios para contratação de soluções entram nessa agenda.

A Unesco recomenda que instituições avaliem ferramentas de IA generativa considerando sua adequação ética e pedagógica. A organização também destaca agência humana, privacidade, segurança, equidade e impactos sobre ensino, aprendizagem e avaliação. A discussão chega diretamente à sala de aula. Uma ferramenta capaz de produzir textos, resumir conteúdos ou solucionar problemas pode melhorar o resultado de uma tarefa sem necessariamente ampliar a aprendizagem do estudante.

A OCDE aponta essa diferença no relatório de 2026. Segundo as evidências reunidas pela organização, ferramentas generalistas de IA generativa podem elevar a qualidade das tarefas sem produzir ganhos equivalentes de aprendizagem. Quando orientada por objetivos pedagógicos claros, porém, a tecnologia pode contribuir para argumentação, criatividade, colaboração e aprendizagem.

Isso coloca uma questão para gestores: quais atividades ainda precisam ser realizadas pelo estudante para desenvolver determinadas capacidades? A resposta pode afetar currículos e avaliações. Se a IA consegue executar parte das atividades usadas tradicionalmente para verificar aprendizagem, as instituições precisam discutir o que avaliar e quais estratégias permitem observar o desenvolvimento efetivo dos estudantes.

Investimento em IA precisa estar ligado a resultados

A governança também envolve decisões financeiras. A multiplicação de plataformas e soluções baseadas em inteligência artificial não transforma automaticamente qualquer adoção tecnológica em inovação institucional. Projetos-piloto podem se multiplicar sem que a instituição tenha clareza sobre o problema que pretende resolver.

Por isso, a decisão de investir exige indicadores capazes de mostrar se a iniciativa produziu o resultado esperado. A OCDE identifica mecanismos de coleta de evidências e avaliação de projetos-piloto entre as respostas que começam a ganhar espaço na adoção mais sistemática de IA no Ensino Superior. Antes de contratar uma solução, gestores precisam estabelecer qual objetivo pretendem alcançar.

A tecnologia pode buscar melhorar a aprendizagem, reduzir tarefas operacionais, apoiar professores, personalizar atendimentos ou aumentar produtividade. Cada objetivo exige indicadores diferentes. Também entram na decisão os custos de implementação, capacitação das equipes e manutenção das ferramentas. Sem esses parâmetros, existe o risco de acumular tecnologias sem construir uma estratégia institucional de IA.

A questão ganha ainda mais complexidade com o avanço dos agentes de inteligência artificial. Diferentemente de sistemas generativos voltados principalmente à produção de respostas e conteúdos, soluções agênticas podem executar sequências de tarefas com maior autonomia.

Para as instituições, essa mudança amplia a necessidade de definir níveis de supervisão humana, acesso a informações, responsabilidades e limites para decisões automatizadas. A governança, nesse contexto, precisa orientar escolhas mesmo quando as ferramentas disponíveis mudarem.

GEduc 2027 debate governança e inteligência artificial

Governança, investimento e retorno da inteligência artificial estarão entre os temas da Jornada de Inovação Acadêmica e IA do GEduc 2027, marcada para 2 de abril, durante a 25ª edição do Congresso Brasileiro de Gestão Educacional.

A programação prevê debates sobre pensamento crítico na era da IA, políticas de uso, novas formas de avaliação e inteligência artificial agêntica. Também entra em pauta a transformação de experimentações em aplicações com resultados mensuráveis.

O debate integra a programação do GEduc 2027, que será realizado nos dias 31 de março, 1º e 2 de abril, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo. O congresso terá como tema “Orquestrar Inteligências. Liderar para uma nova Educação.”.

Governança, investimento e retorno da inteligência artificial estarão entre os temas da Jornada de Inovação e Inteligência Artificial do GEduc 2027, marcada para 2 de abril, durante a 25ª edição do Congresso Brasileiro de Gestão Educacional.

A programação prevê debates sobre pensamento crítico na era da IA, políticas de uso, novas formas de avaliação e inteligência artificial agêntica. Também entra em pauta a transformação de experimentações em aplicações com resultados mensuráveis.

O congresso será realizado nos dias 31 de março, 1º e 2 de abril de 2027, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo. A 25ª edição terá como tema “Orquestrar Inteligências. Liderar para uma nova Educação.” e reunirá discussões voltadas à Educação Básica e Superior.

A programação contempla ainda temas como liderança educacional, novos modelos acadêmicos, aprendizagem, inclusão, saúde mental, Educação Profissional e Tecnológica, inovação e estratégias de crescimento. A proposta é discutir como diferentes áreas da gestão podem responder a mudanças que já afetam as instituições.

O educador21 é apoiador e parceiro de produção de conteúdo do GEduc. Dessa maneira, já começamos a acompanhar a organização do evento de 2027 para antecipar informações de bastidores, tendências e debates relevantes às lideranças educacionais que participarão do congresso.

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