Simpósio internacional na USP reúne especialistas e gestores em 10 de novembro para discutir políticas públicas, colaboração federativa e avaliação da creche à pré-escola
Garantir o acesso à creche e à pré-escola é apenas uma parte do desafio da Educação Infantil brasileira. Para que essa etapa cumpra seu papel no desenvolvimento das crianças, as redes de ensino precisam assegurar ambientes adequados, experiências de aprendizagem consistentes e profissionais com condições de trabalho. A qualidade também depende de políticas públicas capazes de reduzir desigualdades e sustentar avanços ao longo do tempo.
Essa agenda estará no centro do 3º Simpósio Internacional de Educação Infantil, marcado para 10 de novembro, no auditório do Centro de Difusão Internacional da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista. Com o tema “Educação Infantil como compromisso público: qualidade e equidade todos os dias”, o encontro reunirá pesquisadores, gestores públicos, especialistas e organizações da sociedade civil.
A programação pretende discutir como transformar a prioridade atribuída à primeira infância em políticas permanentes. Entre os assuntos estão a implementação das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), a articulação entre Educação Infantil e Ensino Fundamental e a construção de indicadores para avaliar a qualidade das instituições.
A terceira edição dá continuidade ao diálogo iniciado nos dois primeiros simpósios. A proposta é aproximar produção acadêmica, experiência das redes públicas e tomada de decisão. O encontro também coloca em evidência um desafio para os gestores: fazer com que parâmetros e diretrizes nacionais se traduzam em condições concretas nas creches e pré-escolas.
“Garantir uma Educação Infantil de qualidade vai além de ampliar o acesso. É preciso assegurar ambientes e experiências que favoreçam o desenvolvimento das crianças, com políticas públicas consistentes e um compromisso compartilhado entre governos e sociedade”, afirmou Eduardo de Campos Queiroz, diretor-presidente da Fundação Bracell, uma das organizações envolvidas na iniciativa.
Qualidade na Educação Infantil depende de políticas permanentes
O primeiro painel, “A Importância da Educação Infantil”, terá como palestrantes os pesquisadores internacionais Steven Barnett e Milagros Nores. A discussão abordará como transformar a prioridade política da primeira infância em compromisso duradouro, com foco na construção de sistemas de Educação Infantil de alta qualidade.
Na sequência, o painel “Implementar a qualidade da Educação Infantil: PNE e Regime de Colaboração” tratará dos caminhos para colocar em prática o Objetivo 2 do Plano. O debate abordará a transformação dos parâmetros de qualidade em políticas, recursos e apoio efetivo às redes municipais. A discussão envolve uma questão central para a gestão pública: a responsabilidade pela Educação Infantil exige articulação entre diferentes níveis de governo.
Nesse cenário, o regime de colaboração pode contribuir para organizar responsabilidades e apoiar municípios na implementação das políticas. Participam desse painel Maria Helena Castro, da Cátedra Instituto Ayrton Senna, e Izolda Cela, da Associação Bem-Comum. Valdoir Wathier, do Ministério da Educação, será comentarista, e Mozart Neves Ramos, da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, vinculada ao IEA-USP de Ribeirão Preto, fará a mediação.
Outro desafio está na passagem da Educação Infantil para o Ensino Fundamental. O terceiro painel discutirá como garantir continuidade às experiências e aprendizagens das crianças, sem antecipar práticas ou descaracterizar as especificidades pedagógicas de cada etapa.
A conversa reunirá Maria Malta Campos, da Fundação Carlos Chagas, e Juliana Rohsner, da Secretaria de Educação de Vitória (ES). Rita Coelho, do Ministério da Educação, participará como comentarista, com mediação de Patricia Mota Guedes, da Fundação Itaú | Itaú Social. A abordagem também considera o papel das secretarias municipais na construção de orientações e condições para essa transição.
Avaliação precisa orientar decisões e melhoria das redes
O quarto painel será dedicado à avaliação da qualidade da Educação Infantil. A programação prevê discutir a construção de indicadores nacionais e o fortalecimento de uma cultura de avaliação nos municípios. A intenção é debater como evidências, acompanhamento e análise de resultados podem apoiar decisões e processos contínuos de melhoria.
Hilda Linhares, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), abordará os indicadores nacionais. Leonardo Pascoal, da Secretaria de Educação de Porto Alegre (RS), tratará da construção de uma cultura de avaliação nos municípios. Tiago Bartholo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), será comentarista, e Gabriel Corrêa, do Todos Pela Educação, mediará o painel.
A avaliação, nesse contexto, não se limita à produção de indicadores. Seu papel envolve oferecer referências para que as redes identifiquem desigualdades, acompanhem as condições de atendimento e orientem investimentos. Para isso, os dados precisam dialogar com a realidade das instituições e apoiar decisões sobre infraestrutura, práticas pedagógicas e formação dos profissionais.
A equidade também atravessa essa discussão. Para Mônica Pinto, chefe de Educação do Unicef no Brasil, o desafio é assegurar que todas as crianças, especialmente as que vivem em maior vulnerabilidade social, tenham acesso a uma Educação Infantil de qualidade. A representante destaca que a priorização de mecanismos públicos é condição para fortalecer as trajetórias escolares desde a primeira infância.
O simpósio é uma iniciativa de organizações que atuam na agenda educacional, entre elas Fundação Bracell, Cátedra Sérgio Henrique Ferreira do IEA-USP, Conselho Nacional de Secretários de Educação das Capitais (Consec), Fundação Itaú, Fundação Van Leer, Fundação Lucia e Pelerson Penido (FLUPP), Instituto Fefig, Instituto João e Maria Backheuser e Todos Pela Educação. O Unicef oferece apoio técnico.
Ao reunir esses diferentes atores, o encontro coloca em debate uma dimensão decisiva das políticas educacionais: a qualidade da Educação Infantil precisa ser construída todos os dias, com planejamento, financiamento, acompanhamento e compromisso público. Para gestores e redes de ensino, o desafio é transformar essa agenda em condições reais de desenvolvimento e aprendizagem para todas as crianças.










