Na Coluna Educação Global de junho, Lara Crivelaro revela como tradição e inovação definem o modelo educacional do Reino Unido
Nos últimos anos, o sistema educacional britânico tem atraído olhares atentos de gestores, pesquisadores e formuladores de políticas educacionais em todo o mundo. Combinando tradição acadêmica e inovação pedagógica, o Reino Unido se consolida como um dos ecossistemas educacionais mais respeitados globalmente — tanto por seus resultados consistentes quanto pela sua capacidade de adaptação às demandas contemporâneas da aprendizagem.
Ao observarmos de perto as escolas britânicas, encontramos características que dialogam fortemente com os desafios vividos nas escolas brasileiras: atenção ao desenvolvimento integral do aluno, fortalecimento da cultura de avaliação formativa, valorização das competências socioemocionais e incentivo à autonomia do estudante.
Mas o que faz o modelo britânico ser tão singular?
O Reino Unido adota um modelo educacional descentralizado, com variações entre Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, mas com princípios comuns. Dentre eles, destaca-se a clareza curricular com ênfase em objetivos de aprendizagem e a forte articulação entre teoria e prática, desde a educação infantil até o ensino médio (Secondary Education).
Além disso, escolas públicas e independentes (privadas) convivem em um sistema que valoriza resultados, mas também promove inclusão. Programas de formação continuada para professores, avaliações diagnósticas periódicas e espaços de escuta ativa com os alunos são componentes estruturantes de uma cultura de melhoria constante.
Outro aspecto central é o incentivo à internacionalização desde a base. Escolas britânicas frequentemente se organizam para preparar seus alunos não apenas para os exames nacionais, como o GCSE e o A-Level, mas também para uma atuação em escala global — seja por meio do domínio de idiomas, seja pela conexão com temáticas globais e programas internacionais de mobilidade estudantil.
Londres como laboratório vivo de inovação educacional
Não por acaso, a capital inglesa é sede da Bett UK, a maior feira mundial de tecnologia educacional, que acontece anualmente em janeiro. Mais do que um evento de exibição de ferramentas, a Bett é uma plataforma de debate, formação e troca de experiências entre educadores de todos os continentes. É também, cada vez mais, um ponto de encontro entre escolas, edtechs, universidades e formuladores de políticas públicas.
Estar em Londres durante esse período é viver uma imersão completa em um ecossistema que respira inovação, política educacional avançada e práticas pedagógicas com alto grau de aplicabilidade.
Um convite às escolas brasileiras: vivenciar essa experiência in loco
Em janeiro de 2026, a Efígie Academy, em parceria com as instituições Eduinfo, Learnbase e Educbank, está organizando uma Missão Educacional para Gestores e Educadores ao Reino Unido, com curadoria especializada para participação na Bett UK e visitas técnicas a escolas britânicas de referência.
Será uma oportunidade ímpar para observar de perto os processos, dialogar com lideranças locais, entender como as políticas públicas são implementadas e refletir sobre os caminhos possíveis para a internacionalização das escolas brasileiras.
Visitar o Reino Unido como educador é mais do que uma viagem: é uma experiência de reconstrução de repertório e visão institucional. É poder observar como inovação e tradição podem caminhar juntas, como a valorização do professor impacta diretamente os resultados de aprendizagem e como as escolas podem se tornar verdadeiros espaços de formação cidadã em escala global.
Se sua escola tem o desejo de se internacionalizar, ou mesmo se você busca inspiração para transformar práticas pedagógicas locais, essa é uma oportunidade que pode gerar frutos concretos e duradouros.
Para mais informações e pré-inscrição, acesse este link.

Doutora em Sociologia pela Unesp, Lara Crivelaro foi diretora de cursos de graduação e pós-graduação, pró-reitora, coordenadora geral de educação à distância e consultora de diversas universidades do Brasil.
Fundou a Efígie ao identificar uma lacuna na educação internacional e atualmente é CEO da empresa e também diretora-executiva do Instituto Educbank de Educação e Cultura.
Lara é avaliadora do Ministério da Educação (MEC) para credenciamento e autorização de cursos a distância e autora de cinco livros, sendo o último “A educação básica no palco internacional”.