O 7º Fórum Internacional Senac de Educadores reunirá especialistas do Brasil, de Portugal e de Moçambique para discutir leitura, democracia, diversidade e inteligência artificial de 10 a 13 de agosto
Durante muito tempo, a inovação educacional esteve associada principalmente à incorporação de novas tecnologias nas escolas. A rápida expansão da inteligência artificial generativa, entretanto, ampliou essa discussão. Em vez de concentrar esforços apenas na adoção de ferramentas digitais, redes de ensino e pesquisadores passaram a defender o fortalecimento de competências humanas capazes de orientar decisões, interpretar informações e enfrentar os desafios de uma sociedade marcada pelo excesso de dados e pela circulação acelerada de conteúdos.
Esse movimento ajuda a explicar por que o pensamento crítico ocupa posição central na programação do 7º Fórum Internacional Senac de Educadores, promovido pelo Senac São Paulo entre os dias 10 e 13 de agosto. Com transmissão gratuita pelo YouTube, sempre das 15 às 17h, o evento reunirá pesquisadores e especialistas do Brasil, de Portugal e de Moçambique para discutir temas que vão da formação leitora à educação midiática, passando por democracia, diversidade, interculturalidade e os impactos da inteligência artificial sobre o ensino.
A programação demonstra que o debate educacional se tornou mais amplo do que a simples incorporação de tecnologias. A formação de professores, o desenvolvimento da leitura, a convivência com diferentes culturas e a capacidade de analisar informações confiáveis aparecem como elementos cada vez mais estratégicos para escolas que buscam preparar estudantes para contextos de mudança permanente. Para gestores educacionais, o encontro oferece uma oportunidade de acompanhar discussões que já influenciam políticas públicas, currículos e programas de formação continuada.
Pensamento crítico orienta os novos desafios da educação
A programação reúne pesquisadores reconhecidos por diferentes contribuições ao debate educacional contemporâneo. Entre eles estão a filósofa Márcia Tiburi, referência em ética, democracia e pensamento crítico; Nilma Lino Gomes, professora emérita da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e uma das principais pesquisadoras brasileiras sobre educação e relações étnico-raciais; o jornalista Alexandre Le Voci Sayad, especialista da Unesco em educação midiática e cultura digital; e Gersem Baniwa, professor, pesquisador e liderança indígena reconhecido por seus estudos sobre educação intercultural.
Também participam o pesquisador moçambicano António Xavier Tomo, a professora portuguesa Maria de Jesus Cabral, a educadora Bel Santos Mayer, vencedora do Prêmio Jabuti, o escritor André Gravatá, o filósofo Érico Andrade, o médico indígena Idjarrury Sompré, diretor do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena da Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (DAPSI/SESAI-MS), e o fotógrafo e pesquisador Francisco Valdean. A diversidade de trajetórias reforça a proposta de analisar os desafios da educação sob diferentes perspectivas acadêmicas, culturais e sociais.
Ao longo dos quatro dias, os debates abordarão educação midiática, leitura, democracia, relações étnico-raciais, saberes indígenas, inovação pedagógica, interculturalidade e os impactos das transformações tecnológicas sobre os processos de ensino e aprendizagem. Em comum, todas as conferências procuram responder à mesma questão: quais competências precisam ser fortalecidas para formar cidadãos capazes de atuar em um mundo cada vez mais complexo e conectado.
Essa abordagem amplia o debate sobre inovação educacional ao mostrar que tecnologias, por si só, não respondem aos desafios enfrentados pelas escolas. A construção do pensamento crítico depende também da formação humana, da capacidade de dialogar com diferentes perspectivas e da valorização da leitura, da cultura e da participação democrática.
Leitura, democracia e IA ampliam a formação humana
Os temas escolhidos para esta edição encontram respaldo em dados apresentados pelo Panorama EPT, pesquisa longitudinal desenvolvida pelo Núcleo de Pesquisa e Inovação em Educação Profissional do Senac São Paulo. Entre os resultados divulgados está um dado que ajuda a contextualizar parte da programação: embora 59,5% dos estudantes do Ensino Médio Técnico afirmem gostar de ler, 21,2% declararam não ter lido nenhum livro no último ano.
O levantamento também mostra que a maioria dos estudantes projeta um futuro em que estudo e trabalho caminham simultaneamente, reforçando a necessidade de uma formação que desenvolva competências para além do domínio técnico. Nesse contexto, habilidades relacionadas ao pensamento crítico, à interpretação de informações, à comunicação e à convivência tornam-se cada vez mais relevantes para o percurso acadêmico e profissional dos jovens.
No encerramento do evento, a Editora Senac São Paulo lançará o livro “Preparação para o trabalho na educação básica”, produzido por pesquisadores vinculados à Cátedra Alfredo Bosi de Educação Básica, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP). A obra discute temas como inteligência artificial, letramentos digitais, formação docente, competências para o futuro e o trabalho como princípio educativo.
Com destaque para pensamento crítico, leitura, diversidade e inteligência artificial na mesma agenda, o 7º Fórum Internacional Senac de Educadores sinaliza uma mudança importante no debate educacional. A inovação continua presente, mas passa a ser compreendida como parte de um desafio maior: formar pessoas capazes de interpretar a realidade, tomar decisões fundamentadas e participar de forma ativa da construção da sociedade.










