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Projetos de gestão, tecnologia, sustentabilidade e direitos humanos disputam a 28ª edição; vencedores serão conhecidos em novembro

O Prêmio Educador Nota 10 chegou à etapa final da 28ª edição com projetos que mostram como escolas brasileiras têm respondido a desafios concretos de aprendizagem, gestão e inclusão. Ao todo, mais de 3.900 iniciativas foram inscritas nesta edição, realizadas por profissionais da Educação Básica de diferentes regiões do país. Entre os selecionados, aparecem experiências que utilizam dados para orientar decisões, aproximam ciência e território e transformam problemas locais em oportunidades pedagógicas.

A edição de 2026 também amplia o olhar sobre quem produz inovação dentro das escolas. Pela primeira vez, o prêmio conta com uma categoria específica para gestores escolares, voltada a iniciativas de gestão da aprendizagem. São três finalistas nessa modalidade, enquanto outros nove disputam a categoria Professor/Coordenador, distribuídos entre os eixos Direitos Humanos, Inovação e Tecnologia e Sustentabilidade.

O resultado evidencia uma característica comum às experiências selecionadas: a inovação não aparece necessariamente associada a grandes estruturas ou recursos tecnológicos. Em diferentes contextos, os finalistas partiram de problemas específicos de suas comunidades e construíram respostas envolvendo estudantes, professores, famílias e outros atores do território. A diversidade dos projetos também amplia a discussão sobre o que significa reconhecer boas práticas na Educação Básica.

Para Juliano Griebeler, diretor executivo do Instituto Somos, responsável pela realização do prêmio, as iniciativas selecionadas combinam conhecimento sobre a realidade escolar, intencionalidade pedagógica e capacidade de mobilização. “Boas práticas educacionais podem nascer de diferentes contextos e partir de desafios muito concretos de cada escola”, afirma. A declaração sintetiza o recorte desta edição, que aproxima resultados educacionais de estratégias desenvolvidas no cotidiano escolar.

Prêmio Educador Nota 10 amplia olhar para a gestão escolar

A nova categoria Gestor Escolar coloca a gestão da aprendizagem no centro da premiação. Os projetos finalistas envolvem acompanhamento de indicadores, reorganização de processos e articulação entre equipe, estudantes e famílias. O movimento acompanha uma discussão crescente sobre o papel dos gestores na criação das condições necessárias para que as estratégias pedagógicas produzam resultados consistentes.

  • Edileuza Araujo de Souza, da Escola Estadual Floresta, em Paranã (TO), concorre com o projeto “Dados que Inspiram Mudança, Resultados que Transformam”. A iniciativa utiliza avaliações internas e externas para identificar lacunas, acompanhar níveis de aprendizagem e orientar intervenções. Segundo os dados apresentados no projeto, a escola ampliou em 23 pontos percentuais a proficiência média em Língua Portuguesa e Matemática e reduziu em 54% os estudantes no nível mais crítico.
  • João Carlos Carneiro, do CEMEB José dos Santos Novaes, em Itapevi (SP), desenvolveu “Menos Processos, Mais Aprendizagem: Inovação e Tecnologia a Serviço da Educação”. O projeto integrou ferramentas digitais para automatizar rotinas de atendimento, frequência, comunicação, segurança e acompanhamento escolar. A iniciativa alcançou cerca de 530 estudantes e, segundo os resultados apresentados, recuperou 400 horas de HTPI e ampliou os indicadores de aprendizagem.
  • Tânia Maria de Farias Pereira, da EMTI Francisco de Assis Gomes Rufino, em Holanda, Tamboril (CE), é finalista com “Conectando Vidas”. A proposta combina gestão baseada em evidências, recomposição de aprendizagens, formação docente e participação comunitária. O projeto registrou crescimento na proficiência do SPAECE e chegou a 0% de reprovação e abandono, além de ampliar a participação estudantil em ações de pesquisa, cultura e sustentabilidade.

Os três projetos indicam que a gestão escolar ganha relevância quando transforma informação em decisão e organiza processos em torno da aprendizagem. Essa perspectiva também ajuda a deslocar o debate sobre liderança educacional, que deixa de se concentrar apenas em funções administrativas. O gestor aparece, nesse cenário, como articulador de dados, pessoas, recursos e estratégias pedagógicas.

Finalistas mostram diferentes respostas aos desafios da escola

Na categoria Professor/Coordenador, os nove projetos foram distribuídos entre três eixos. Em Inovação e Tecnologia, as experiências aproximam estudantes da ciência, utilizam recursos digitais e criam redes de colaboração. Em Sustentabilidade, os projetos partem da relação com a natureza e com os territórios. Já em Direitos Humanos, aparecem práticas ligadas à identidade, diversidade, cidadania e inclusão.

Inovação e Tecnologia

  • Michelle Mariano Mendonça — São Paulo (SP): coordenadora pedagógica na EMEF Raul de Leoni, desenvolveu a “Rede Formativa”, conectando escola, universidades e instituições de pesquisa para ampliar a formação docente e as experiências científicas e culturais dos estudantes.
  • Josane do Nascimento Ferreira Cunha — Cuiabá (MT): professora de Química no Instituto Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá Bela Vista. O projeto “MIPIPEQ” transforma o ensino da disciplina em investigação, com produtos e protótipos relacionados a inclusão, sustentabilidade, saúde e inovação.
  • Daniela Steinheuzer — Blumenau (SC): professora da rede estadual, desenvolveu na Escola Estadual Básica Bruno Hoeltgebaum um projeto com terrários e horto escolar para investigar o ciclo da água, fenômenos climáticos e mudanças ambientais.

Sustentabilidade

  • Fernanda Ferreira de Oliveira — Piracicaba (SP): professora da EM Antonio Boldrin, criou o projeto “Encantados”, que utiliza literatura, oralidade, arte e brincadeiras para aproximar crianças da Educação Infantil de saberes indígenas, afro-brasileiros e da relação com a natureza.
  • Renata Araujo de Souza — São Bernardo do Campo (SP): professora da EMEB Agostinho dos Santos, desenvolveu experiências sensoriais, artísticas e científicas com bebês e crianças pequenas a partir da observação de elementos naturais.
  • Lazelane Ferreira da Silva — Goiânia (GO): professora de Geografia do Colégio Estadual Professor Joaquim Carvalho Ferreira. Seu projeto criou uma minifloresta com espécies nativas do Cerrado para discutir conforto térmico, mudanças climáticas e educação ambiental.

Direitos Humanos

  • Rodrigo da Vitória Gomes — Linhares (ES): professor de Química e pedagogo da EJA na EE Foz do Riacho, no Centro de Detenção e Ressocialização de Linhares. “Além das Grades” utilizou uma Feira de Ciências para desenvolver pesquisa, protagonismo e perspectivas de futuro entre estudantes privados de liberdade.
  • Qircia Aparecida Fonseca Santana — Iraquara (BA): professora do Colégio Estadual de Tempo Integral de Iraquara. “Leituras Negras” aproximou literatura afro-brasileira e indígena dos saberes de mulheres quilombolas, fortalecendo identidade, pertencimento e educação antirracista.
  • Daniela Aparecida Ferreira Arfelli — Mirante do Paranapanema (SP): atua na Escola Estadual Assentamento Santa Clara. O projeto “Vozes em Territórios de Luta” trabalhou leitura e escrita com estudantes de diferentes etapas e resultou no livro coletivo “Palavras que se Conectam”.

A composição dos finalistas também revela a amplitude dos problemas que chegam à escola e das respostas construídas pelos educadores. Há iniciativas voltadas ao desempenho acadêmico, mas também projetos que trabalham pertencimento, meio ambiente, ciência, cultura e direitos. O conjunto reforça que aprendizagem e contexto social não são dimensões separadas na experiência escolar.

Desde 1998, o Prêmio Educador Nota 10 recebeu mais de 94 mil projetos e reconheceu 288 educadores. A trajetória da premiação ajuda a dimensionar a importância da atual edição, que incorpora a gestão escolar como uma frente própria de reconhecimento e amplia o debate sobre quem participa diretamente da transformação da escola.

Próxima etapa define Educador e Gestor do Ano

Os 12 finalistas seguem agora para a etapa decisiva da premiação. Na categoria Professor/Coordenador, os três projetos de cada eixo serão classificados em primeiro, segundo e terceiro lugares. Entre os vencedores dos três eixos, será escolhido o Educador do Ano da 28ª edição.

Na categoria Gestor Escolar, os três finalistas também receberão classificação. O primeiro colocado será reconhecido como Gestor do Ano. Os vencedores das duas principais distinções serão conhecidos em 10 de novembro, durante cerimônia presencial na Pinacoteca de São Paulo.

A premiação prevê vale-presentes de R$ 25 mil, R$ 20 mil e R$ 15 mil para os primeiros, segundos e terceiros colocados, respectivamente. Os profissionais também receberão bolsas de pós-graduação no Singularidades e acesso à plataforma PROFS, com condições diferentes conforme a colocação.

As escolas dos profissionais escolhidos como Educador do Ano e Gestor do Ano receberão ainda uma doação de R$ 25 mil, destinada a produtos e serviços. O reconhecimento, portanto, alcança não apenas os profissionais selecionados, mas também os espaços escolares onde os projetos foram desenvolvidos.

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