Formação apoia docentes no letramento matemático na Educação Infantil e oferece estratégias lúdicas alinhadas à BNCC
A promoção do letramento matemático na Educação Infantil vem ganhando centralidade no debate educacional brasileiro, especialmente diante dos desafios persistentes de aprendizagem em matemática ao longo da trajetória escolar. Especialistas apontam que muitas dificuldades observadas nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio têm origem nas primeiras experiências das crianças com números, medidas e resolução de problemas, ainda na pré-escola.
Com a volta às aulas, professores e gestores passam a contar com uma nova oportunidade de formação voltada justamente a esse momento inicial do aprendizado. O curso gratuito “Letramento matemático na Educação Infantil” foi lançado para apoiar educadores na construção de práticas pedagógicas que tornem a matemática parte significativa das experiências cotidianas das crianças, indo além da simples apresentação de números e operações.
A proposta parte do entendimento de que conceitos matemáticos já estão presentes nas brincadeiras, na organização do espaço e nas interações entre as crianças, e que o papel do educador é transformar essas situações em experiências intencionais de aprendizagem. O curso apresenta caminhos para que o pensamento matemático seja desenvolvido de forma natural, respeitando a faixa etária e promovendo curiosidade, autonomia e resolução de problemas.
Organizada em quatro módulos, a formação aborda como a matemática aparece na Educação Infantil, como está contemplada na BNCC, de que maneira as crianças aprendem e quais expectativas pedagógicas orientam o trabalho docente. O conteúdo também oferece sugestões práticas para planejar atividades lúdicas que estimulem noções de quantidade, comparação, sequência, espaço e lógica desde os primeiros anos escolares.
Segundo Claudia Nascimento, coordenadora de Soluções Educacionais do Itaú Social, investir nessa etapa é decisivo para reduzir desigualdades futuras de aprendizagem. “Compreendemos que o conhecimento matemático é cumulativo. Assim, estudantes que não superam as primeiras barreiras do ensino do componente tendem a enfrentar dificuldades nos estágios seguintes”, afirmou a especialista.
A coordenadora ressaltou, ainda, que o brincar pode ser um poderoso aliado da aprendizagem matemática. “As crianças já brincam com conceitos matemáticos no cotidiano, seja ao dividir um brinquedo com um colega, seja ao montar um castelo de blocos. Com o curso, nossa intenção é apoiar professores no desenvolvimento de estratégias que se utilizam do brincar para promover o letramento matemático, mostrando que a aprendizagem pode ser significativa para todas as crianças.”
Desafio começa antes do Ensino Fundamental
Os resultados de avaliações nacionais e internacionais mostram que a matemática continua sendo um dos maiores gargalos da educação brasileira. Segundo dados do Pisa, cerca de 73% dos adolescentes do país não alcançam o nível básico de proficiência na disciplina, o que compromete a continuidade dos estudos e limita oportunidades acadêmicas e profissionais futuras.
Esse quadro, contudo, não surge apenas nos anos finais da escolarização. Estudos internacionais como o TIMSS indicam que menos da metade dos estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental atinge níveis adequados de aprendizagem em matemática, evidenciando que dificuldades se acumulam desde cedo e tendem a se ampliar ao longo da trajetória escolar.
Nesse cenário, cresce a compreensão de que o fortalecimento do pensamento lógico e matemático deve começar ainda na Educação Infantil, por meio de experiências que envolvam contagem, organização de objetos, comparação de quantidades, reconhecimento de padrões e resolução de pequenos desafios do cotidiano.
A formação docente surge, assim, como um elemento estratégico para apoiar professores a planejar atividades que integrem a matemática às brincadeiras e interações infantis, tornando o aprendizado mais significativo e conectado à realidade das crianças.
Formação docente e políticas ampliam impacto
O curso é oferecido em formato autoformativo, permitindo que educadores estudem no horário de sua preferência. Com carga horária de 30 horas e certificação ao final, a formação integra uma plataforma que reúne mais de uma centena de cursos gratuitos voltados a educação, arte e cultura, ampliando o acesso de profissionais de diferentes regiões a conteúdos atualizados.
A iniciativa dialoga ainda com políticas e ações mais amplas de incentivo ao ensino de matemática, como editais que apoiam projetos pedagógicos voltados ao letramento matemático na pré-escola e movimentos que defendem a aprendizagem da disciplina como direito de todos os estudantes.
Esse conjunto de ações reforça a ideia de que enfrentar os desafios da matemática exige olhar para o início da trajetória escolar, apoiando professores e escolas na construção de experiências que tornem o aprendizado mais acolhedor, investigativo e conectado ao cotidiano infantil.
Ao investir na formação docente e na ampliação de práticas pedagógicas qualificadas, cresce a possibilidade de transformar a relação das crianças com a matemática desde cedo, criando bases mais sólidas para as etapas seguintes da educação e inspirando novas abordagens para o ensino dessa área essencial do conhecimento.










